Currently browsing berenice sica lamas

mulheres artistas, em Interiores

Mulheres artistas: recortes e reflexões
por Berenice Sica Lamas

Picasso.Guernica2

Em uma sociedade em que talvez milhares de mulheres estejam sem espaço para criatividade alem do biológico, com seu imaginário cerceado pelo papel feminino pressuposto da domesticidade, com suas possibilidades de expressão artística interditas, mais do que nunca é necessário pensar, ler, escrever e refletir a respeito. Merecem lembrança as obras que nunca chegaram ao papel, à tela, à partitura, ao palco, à galeria, ou seja, arte não construída, e não apenas desvelar compositoras, escritoras, pintoras cujas obras chegaram ao domínio público.

Nossa cultura reconhece a competência para criar como qualificativo masculino, dificultando espaços ao trabalho da mulher artista profissional. Não faz parte da representação da sociedade aceitar a posição de criação cultural da mulher, em que sua capacidade criativa, sua imaginação criadora prescindem do útero.

Uma das implicações em uma sociedade de domínio masculino é a mulher ser cerceada em sua expressão de criação artística, como uma maneira de aprisioná-la. O fato de algemar seu imaginário, não permitindo que expresse sua visão de mundo, que narre suas experiências, é outra forma de anulá-la e manter o domínio. Uma mulher artista foge ao olhar patriarcal, que não consegue prendê-la nem dominá-la. Ela escancara através de sua obra o seu desejo, suas lutas, mágoas, e denuncia o regime masculino. Com sua arte ela abre espaços políticos, um novo poder, um questionamento, uma dissonância nos papéis postos.

Leia todo o artigo
Read more »

a poesia de John Keats, brilho de uma paixão

POETA NA TELA
por Berenice Sica Lamas

brilho-de-uma-paixao-07-g

Brilha nas telas de cinema em Porto Alegre a poesia de John Keats, jovem poeta inglês do século 19, falecido prematuramente aos 25 anos. O filme Bright Star , de 2009 – traduzido em português para “Brilho de uma paixão” – é dirigido pela neozelandesa premiada Jane Campion, tendo Ben Whishaw no papel do poeta e Abbie Cornish como seu grande amor Fanny Brawne.

Leia todo o comentário

Read more »

o fantástico em interiores…

FANTÁSTICO: ponte para o insólito
por Berenice Sica Lamas

Picasso.Guernica2

A presença do fantástico acompanha a criação literária desde a antiguidade. O homem já traz o fantástico dentro de si, relacionando-se estreitamente com o mundo imaginário. O fantástico constitui-se num universo de aspectos supra reais, insólitos e ilógicos que revelam o rompimento das leis naturais e da realidade cotidiana. No texto fantástico há uma incerteza na região fronteiriça entre real e irreal, mágico e racional, verossímil e inverossímil. O relato fantástico se caracteriza por sua brevidade, sobriedade em detalhes, mantendo a tensão até o desenlace.

O efeito vivo da surpresa é importante para a formação do impacto, causando terror, atarantamento e confusão na mente do leitor (José Paulo Paes). Os elementos essenciais são a revelação ou não-revelação total, a ruptura do equilíbrio da ação, a intensidade do efeito causado pela relativa brevidade e sua condensação (Maria Luiza Amaral Soares). O homem traz o fantástico dentro de si (Charles Nodier). Toda literatura è fantástica (Jorge Luis Borges). O fantástico manifesta um escândalo, um corte, uma irrupção insólita, quase insuportável dentro do mundo real (Roger Caillois). O que caracteriza o fantástico é o jogo com o medo (Louis Vax). A hesitação da personagem e do leitor perante o acontecimento estranho identifica a situação fantástica, havendo a instauração de uma incerteza: explicação natural ou sobrenatural ? (Todorov). A narrativa fantástica é a primeira volta de um parafuso sem fim (Henry James). A narrativa fantástica é ambivalente, contraditória, ambígua, essencialmente paradoxal na apresentação das tensões (Irene Bessiere). Não existe o fantástico sem a presença de uma transgressão, seja em nível semântico, sintático ou verbal (Rosalba Campra). Ficam diluídas as fronteiras entre o normal e o absurdo; o fantástico é mais uma possibilidade para o homem contemporâneo reencontrar-se consigo mesmo (Jean Paul Sartre).

Leia todo o artigo
Read more »

musas à mesa

Musas - Parnaso. Mantegna

MUSAS à MESA

na intimidade
o desejo
de pés suaves
e delírios gastos
canto e hino
com as musas

os bagos plenos de pistache
e gorgonzola
gloriam no travesseiro

a musseline do véu
nada cobre
e tudo desvela
timbre notas matizes

corpo e sinfonia
bailam o néctar, seiva e raizes

Berenice Sica Lamas

dissipa-se o corpo…

30vertigo_p2iy

dissipa-se o corpo
intangível
desgovernado


e no veludo crepuscular, a mão
com um punhado de recém-nascidas
estrelas


sobras de azul papel

Poema de Berenice Sica Lamas