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dissipa-se o corpo…

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dissipa-se o corpo
intangível
desgovernado


e no veludo crepuscular, a mão
com um punhado de recém-nascidas
estrelas


sobras de azul papel

Poema de Berenice Sica Lamas

ciclos, um poema de felizIdades

2 FridaKahloRoots

sob olhos maternos
solstícios equinócios
pétalas pérolas pinceladas
menina de cinco anos

luz e sombra, pistilo
repletos de bolas balões
seus meninos
mãe aos trinta

ferro química fogo, estilo
raro encontro, correnteza
mulher de sessenta
inconsumada

Poema de Berenice Sica Lamas

Parabéns Berenice, para ti esta linda tela de Frida Kahlo.

em Vidráguas, receitas de criar…

* Vejam o filme, sigam a receita, recriem…

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RECEITA DE CRIAR
por Berenice Sica Lamas

letras palavras dicionários vários
do grego parabolé, palavra
leituras, outros escritores, poetas, escritoras
idéias doces corrosivas ironia humor
misérias tragédias alegrias júbilos humanos
drama trama nó clímax desfecho
pimenta mostarda cebolinha verde
impacto final personagens construções

revistas jornais folhetins outdoors
fiapos restos diurnos noturnos
pesadelos sonhos vestígios
monólogos fluxos que jorram
diálogos pastichos narradores de todos os jeitos
limão molho inglês vinho do Porto
metáforas símbolos rimas ou não
interioridade intimismo subjetividade
- do criador e da criatura – (às vezes se fundem)
vírgulas pontos reticências com parcimônia
travessões aspas parênteses em seus lugares
dois pontos pode ser um it

Leiam toda a receita
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imaginário, em Interiores

IMAGINÁRIO: abertura para o infinito
por Berenice Sica Lamas
guernica-1_picasso


O imaginário constitui–se nesse universo de mitos, arquétipos e símbolos individuais e coletivos de conteúdo ilimitado e misterioso. Não possui território: é mais um trajeto construído pela humanidade. Incluem-se ainda imagens primordiais, modelos culturais, lendas tradições, estórias de fadas, o fantástico, representações inconscientes, fantasias, sonhos, iconografias, onirismo, ritos de passagem e iniciaticos, simbolismo religioso, experiências criativas, poesia, energia, luzes sombras, experiências arcaicas da humanidade, inconsciente coletivo. É a herança psicológica da humanidade, de pulsões biológicas, experiências que se relacionam diretamente com as bases instintivas e filogenéticas da raça humana.

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duplo,interiores em Vidráguas

O DUPLO – expressão de subjetividade
* Berenice Sica Lamas

guernica-1_picasso

O duplo representa os personagens internos que cada ser humano carrega dentro de si, tangenciando a questão da identidade do sujeito. Na etimologia o duplo vem do latim duplu – equivale a duas vezes o outro, dobrado, dobro – pessoa ou coisa muito semelhante a outra, réplica, dúplice, duplicidade, fingimento.

No Banquete de Platão têm-se a origem do mito do duplo – o mito do andrógino – no início o homem era uno e perfeito, depois dividido em dois gêneros por punições a transgressões, busca incessante desta metade perdida.

As representações do duplo são inúmeras – sombra, imagem no espelho, foto, retrato, reflexo (vitrine, água), alma, gêmeos, xarás, sósia, anjo da guarda, fantasma, animal, máscara, disfarce, replicante, andrógino, andróide, metamorfoses, avessos, reversos, simulacros. Na literatura fantástica a questão do duplo personifica os antagonismos humanos, estranheza entre o real e o suprarreal, o natural e o sobrenatural.

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