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Bibliotecas uma crônica de Tânia Du Bois…

BIBLIOTECAS
por Tânia Du Bois




Folheando a revista, li: “Bibliotecas não se restringem ao espaço em que se instala a coleção de livros… elas também se transformam em eficientes elementos decorativos…”

Essa sugestão é insensata, porque a criação de uma biblioteca predispõe deixar os livros expostos nas prateleiras, para facilitar o manuseio. O ideal é tê-los para lê-los e não para decorar o ambiente. Entretanto, por muitas vezes, ficamos reduzidos a ler e ouvir esse tipo de tragédia. É preferível transformar essa tragédia em suposto olhar, com profundidade, num passe de gestos e sentidos, onde historicamente permaneceria a alegria da leitura e o mistério das palavras, no hábito como fórmula simples e preciosa.

Pedro Du Bois expressa que, “Na biblioteca / os livros se espreitam / pelas lombadas //…as palavras encadernadas / encerradas em cada volume / encarceradas em parágrafos / circunscritos // nas bibliotecas / a vida nos espreita / em cada volume/ que deixamos de ler.”

Pergunto se é possível, para quem gosta de ler, viver num mundo sem livros. A resposta está na biblioteca que reúne as obras e é onde encontro o que procuro: emoção.

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VERDADES E MENTIRAS: o livro, crônicas de Tânia Du Bois

VERDADES E MENTIRAS: o livro
por Tânia Du Bois

Foto de Luana Neres

“De quantas verdades se faz uma mentira?”
(José E. Agualusa)

“Mentiu o compromisso / de trazer a luz da manhã / presente no movimento /e no descompromisso / em que a natureza / produz seus fatos… não mentiu o sonho / de transfiguração do corpo / e nele a luz / permanece inconstante”.(Pedro Du Bois)


Pedro Du Bois é escritor reconhecido pela sua inventividade. O seu livro, Verdades e Mentiras, é baseado nas facetas da falsidade, onde revela asinceridade e a insinceridade, desencadeando um jogo onde a mentira mostra que a situação se torna grave se a máscara sobre o rosto for encoberta de recordações vividas –

“… mente para si / ao acaso do encontro / acasalado casal / acometido do sexo / limpo e fora de casa esclarece / seus desejos e como gostaria / de encontrar a amante / sobre a cama.”

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NÓS, AS BIBLIOTECAS E A LEITURA

por Affonso Romano de Sant’Ana
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Foto Ricardo Hegenbart- Feira do Livro Londres,2009

Dizia eu no seminário sobre leitura e bibliotecas organizado pela Superitendência das Bibliotecas Públicas em Minas, que um país é o que são as suas bibliotecas. E relembrando vivências de quase 20 anos atrás( ” le temps s’en va Madame, le temps, s’en va” -dizia Ronsard), a biblioteca de um país é uma espécie de metáfora epistemológica.

Mitterrand, ergueu aqueles imensos edifícios da “Très Grande Bibliothèque”, porque a França sempre colocou a cultura como um de seus pilares.
Quando fui a um congresso em Nova Delhi(India) descobri que a “National Library” americana mantinha 110 funcionários lá coletando tudo sobre o que era escrito em dezenas de dialetos.E um dia na BN a embaixada americana nos ofereceu vários caixotes com milhares de panfletos e folhetos que recolheram aqui, fotografam em Washington e estavam nos dando de presente.
Os imperialistas não brincam em serviço.

Na Biblioteca Nacional do Peru encontram, nos anos 90 um célula do antigo ” Sendero Luminoso”.
A Rússia, no tempo do comunismo, tinha cerca de 600 mil bibliotecas públicas. Pena que as leituras eram dirigidas e outras censuradas.
No Chile, o ex-presidente Lagos começou a Biblioteca Pública de Santiago e a Bachelet já a visitou 8 vezes. Essa biblioteca modelo chefiada por Gonzalo Oyarzúnm, que fez uma bela palestra em BH, recebe 15 mil visitantes no domingo.

E na Biblioteca Nacional brasileira, onde um dia tive que mandar de recolher à Seção de Obras raras uma bala perdida que caiu a dois metros de mim, num outro dia tive que apartar uma briga entre duas gangues de morro, que tinham seus representantes entre os meninos da “Febem” que ali trabalhavam como estagiários. UM PAIS É O QUE SÃO AS SUAS BIBLIOTECAS.

Por isto, aguardo com expectativa e certa satisfação o dia 25 de julho, Dia do Escritor, quando o Presidente da República anunciará, que conseguimos colocar uma biblioteca em cada município e o governo, finalmente, tem um plano nacional de implementação não só do livro, mas da leitura.

Leia mais no blogue do autor:http://www.affonsoromano.com.br/