A gente perde muito tempo pensando na nossa imagem, no nosso futuro. Até que um dia acordamos asfixiados
Outro dia acordei com uma espécie de ressaca existencial, sentindo necessidade de me desintoxicar, e era óbvio que o alívio não viria com um simples gole de Coca-Cola. Precisava, antes de tudo, descobrir o que é que estava me pesando, e logo percebi que não era excesso de álcool, nem de cigarros, nem de noitadas, os bodes expiatórios clássicos do mal-estar, e sim excesso de mim.
Leia toda a crônica aqui, ou de onde foi feita esta leitura colagem
Jornal Zero Hora – Caderno Donna -23 de janeiro de 2011 | N° 16589Alerta Read more »
Suave é a noite…
de Fitzgerald ao sonhar-te
a mais bela
louca Delicada Lua
encantando as ruas
No Pelourinho
No Farol da Barra
da Saia que te sabe Nua
Pele Suave
malícia cabocla
Morena, tu és um açoite!
No Batuque do Rei
que te coroou Rainha
Rio Vermelho
Dona da Bahia
Encantadora de Leões e Leoas
Pisciana de Netunos mistérios
e segredos
hoje é meu Enredo
Mulher Mucama ardente
Demente
Senhora do Cais e dos Filisteus
A Capoeira gira
e te cobre o leito
Você derrama a orgia
Ganha todos os Súditos
que te mamam os Seios
Em Delírio
Insanidade Vadia
Penetra a mansidão das Águas
Riqueza de Iemanjá
Mãe Janaína!
Vem, Mulher das Estrelas,
tome esse poema como um beijo
e um gole suave
de Caetano no gargalo
Lufar de brasas
Que minhas garras de Leoa
Ainda hão de aportar…
Em ti.
Poema de Lou Albergaria
para Suave do blog SUAVE VENENO –
e reeditado para Anáguas-Vidráguas
Abaixo uma canção do Caetano pra nos lembrar a fragilidade humana em toda nossa grandeza:
LER AINDA É PRECISO
A leitura é ainda possível?
por Armindo Trevisan
Na era pós-internet, é preciso persuadir os jovens de que ler ainda vale a pena. Acabo de publicar uma coletânea de ensaios, Ler Por Dentro, em cujas páginas desenvolvo duas linhas de reflexão: a literatura, de modo especial a gaúcha; o problema da leitura na época da mídia e da informática.
Leia todo o artigo aqui ou no Jornal Zero de 18 de setembro de 2010, Caderno Cultura
Tropeçavas nos astros desastrada
Quase não tínhamos livros em casa
E a cidade não tinha livraria
Mas os livros que em nossa vida entraram
São como a radiação de um corpo negro
Apontando pra a expansão do Universo
Porque a frase, o conceito, o enredo, o verso
(E, sem dúvida, sobretudo o verso)
É o que pode lançar mundos no mundo.
Tropeçavas nos astros desastrada
Sem saber que a ventura e a desventura
Dessa estrada que vai do nada ao nada
São livros e o luar contra a cultura.
Os livros são objetos transcendentes
Mas podemos amá-los do amor táctil
Que votamos aos maços de cigarro
Domá-los, cultivá-los em aquários,
Em estantes, gaiolas, em fogueiras
Ou lançá-los pra fora das janelas
(Talvez isso nos livre de lançarmo-nos)
Ou o que é muito pior por odiarmo-los
Podemos simplesmente escrever um:
Encher de vãs palavras muitas páginas
E de mais confusão as prateleiras.
Tropeçavas nos astros desastrada
Mas pra mim foste a estrela entre as estrelas.
Foto:Henri Cartier-Bresson, Livros, Letra e Música de Caetano Veloso