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pro dia nascer feliz, rimas a Cazuza

Um poema por dia
– utopia -

ARTE-AMERICO

Um poema por tarde
minha pele arde

Um poema por noite
meu corpo em pernoite

Um poema por perto
mil poros em aberto…

Poema: Carmen Silvia Presotto
*Arte: Américo Conte

mariposas semânticas

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úmidas imagens
farol de pecados
fantasmas amados

almas sombrias
de minhas madrugadas
brumas e odores

pedaços de vida
de linho
de sonho

poros abertos
quentes, suados
cheiro gostoso de corpos salgados
mariposas semânticas
e cabelos lavados…

Poema: Carmen Silvia Presotto
*Arte: Mulher e Rio de Nestor Lampros
(www.nestorlampros.com)

Rastros de Pessoas em Fernando

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almas honestas.

Que raios as partam!

Sangue
em revólver
desassossegos
desnaturados.


louco um eu.

Lá são interessantes
cá, desapareço.

De lá para cá
a vida sem tragédia é divina comédia.

Lá e cá
loucos e eu
rimos rios de rimas
espumamos.

Num mar de insanas certezas,
ardemos.

Poema: Carmen Silvia Presotto, Encaixes, Vidráguas.
Fotografia: Robert Parkeharrison

vale um comentário, comente!

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Vale um comentário!

Em tempo internetês, os hábitos de entrar e sair do espaço alheio dá o que comentar. Penso que logo deveremos ter um tratado sociológico de tais deslocamentos…

Sim! Os comentaristas dos blogues estão ficando tão famosos, quanto os comentaristas de futebol e não pasmem se daqui a pouco choverem cachês para tais especialistas.

Quando leio os artigos em espaços alheios, também leio o livro caixa internetês pelo balanço de idas e vindas. Primeiro leio pela curiosidade pulsional; segundo, pela competição de saber como está o gosto dos outros; terceiro, para confirmar se o meu pensamento está de acordo com a correnteza; quarto, para alinhar o meu comentário aos outros.

No entanto, quando digo que vale um comentário, é para dizer que a máquina, em tais casos, além de desfazer o homem, também atiça todos os seus instintos, porque no terreno baldio é fácil ser herói. Ali, ser o comentarista do alheio elimina qualquer sujeito de seus atos…

Mas, cá para nós, pior do que usar o espaço alheio sem medidas, é usar para se promover. Ao ler os artigos, reparem nos comentários e verão: há o que nem lê e sai escrevendo, há o crítico de plantão, há o comentarista dos comentários, há os que advogam com advertências, há os anônimos, há os que inventam nomes des(reais), há os que jogam com digitais, há os SPAMs, há os de lista, há os sem lista e o que é bem pior!, há os vampiros cibernéticos. Por sorte, também há o sim, o companheirismo, a crítica que faz seguir, que alcança, que compartilha palavras, erros, acertos. E, só por isso um comentário vale. Comentem!

Carmen Silvia Presotto
*Arte de Nestor Lampras

sublimações…

Foto_Ricardo_Hegenbart

Anais

Não me vejo nas coisas como elas são.

Quero ser um poeta tecido por carne
e livre de pontos.

Quero ser aquela nuvem atrás do pensamento.

Poema: Carmen Silvia Presotto, p. 47, Encaixes, Vidráguas.
Foto: Ricardo Hegenbart, outono em Londres- Green Park, 2009.