o rodopio de Carmen…

Carmen passeava tranquila e distraidamente pelo Leblon. Tinha ido ao Rio para visitar a filha, que ali reside, e passar lá o Carnaval, com direito a assistir ao desfile das escolas de samba do grupo especial na Marquês de Sapucaí. Merecidas férias. Em meio à distração do caminhar, se vê diante de seu ídolo maior, Chico Buarque de Holanda, em carne e osso e olhos azuis e fantasias mil. Ali, tangível, quase tangível, parecia até que ele era de verdade, um ser humano comum, não deificado, alguém com quem poderia conversar, trocar umas idéias, um cara qualquer (Chico, um cara qualquer? Delírio!) que tinha saído daquela magnífica coleção de obras da música popular brasileira e obras literárias.
Com uma agilidade mental impar, Carmen ensaia um tropeço “instantâneo” e um conseqüente desmaio a serem usados na hora H, de forma a cair bem diante do Chico, bem nos braços do Chico. Não contava ela com o fato de que ele, especificamente naquela manhã bela e ensolarada, tinha saído de casa pensando num samba novo, fresquinho, que estava compondo, e estava num estado de torpor criativo bem característico dos músicos e dos poetas. Atenção toda voltada para o samba e para ao atravessar ruas, não tropeçar em buracos, nada além.
Era a manhã do samba novo.
Leiam todo o artigo
Read more »









