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o rodopio de Carmen…

Chico Buarque (por Ana Rojas)

Carmen passeava tranquila e distraidamente pelo Leblon. Tinha ido ao Rio para visitar a filha, que ali reside, e passar lá o Carnaval, com direito a assistir ao desfile das escolas de samba do grupo especial na Marquês de Sapucaí. Merecidas férias. Em meio à distração do caminhar, se vê diante de seu ídolo maior, Chico Buarque de Holanda, em carne e osso e olhos azuis e fantasias mil. Ali, tangível, quase tangível, parecia até que ele era de verdade, um ser humano comum, não deificado, alguém com quem poderia conversar, trocar umas idéias, um cara qualquer (Chico, um cara qualquer? Delírio!) que tinha saído daquela magnífica coleção de obras da música popular brasileira e obras literárias.

Com uma agilidade mental impar, Carmen ensaia um tropeço “instantâneo” e um conseqüente desmaio a serem usados na hora H, de forma a cair bem diante do Chico, bem nos braços do Chico. Não contava ela com o fato de que ele, especificamente naquela manhã bela e ensolarada, tinha saído de casa pensando num samba novo, fresquinho, que estava compondo, e estava num estado de torpor criativo bem característico dos músicos e dos poetas. Atenção toda voltada para o samba e para ao atravessar ruas, não tropeçar em buracos, nada além.

Era a manhã do samba novo.

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caros amigos: uma letra, uma carta, um adeus

Amigos!
por Carmen Silvia Presotto
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Estar no Rio de Janeiro no feriado de 1º de maio, foi poder assistir a peça Meu Caro Amigo com Kelzy Ecard, acompanhada ao piano por João Bittencourt, para seguir caminhante com a nata musical de Chico Buarque, através da personagem Norma, uma personagem feito nós, Chiquetes por excelência, que através de canções nós faz reviver a história recente do país.

Com as canções de Chico Buarque e a genial interpretação de Kelzy, vamos passeando pelas memórias, compartilhandas pelo amor e admiração deste genial artista e chegamos ao domingo, dia 3 de maio, para dar adeus a Augusto Boal, um dos nossos maiores teatrólogos.

E,novamente, Chico Buarque é o chão da estrada. Desta vez, Caro amigo, chega junto com Francis Hime para nos recordar que houve um tempo, onde a arte tinha que ser driblada em vinil ou cassete para chegar a quem teve que partir pelas duras penas…
Então, num final de semana, pude confirmar que teatro é platéia, sim. Arte que escoa onde o povo está, sem opressão, ri e chorei, revivi O Arena, O Opinião para seguir caminhante tipo Mulheres de Atenas por mais histórias embaladas em canções…

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Meu Caro Amigo
Composição: Francis Hime e Chico Buarque

Meu caro amigo me perdoe, por favor
Se eu não lhe faço uma visita
Mas como agora apareceu um portador
Mando notícias nessa fita

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leite derramado de Chico Buarque chega às livrarias

Não é mera coincidência!
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O mais novo romance de Chico Buarque, Leite Derramado, cuja inspiração inicial veio da canção:

O Velho Francisco

Já gozei de boa vida
Tinha até meu bangalô
Cobertor, comida
Roupa lavada
Vida veio e me levou

Fui eu mesmo alforriado
Pela mão do Imperador
Tive terra, arado
Cavalo e brida
Vida veio e me levou

Hoje é dia de visita
Vem aí meu grande amor
Ela vem toda de brinco
Vem todo domingo
Tem cheiro de flor

Quem me vê, vê nem bagaço
Do que viu quem me enfrentou
Campeão do mundo
Em queda de braço
Vida veio e me levou

Li jornal, bula e prefácio
Que aprendi sem professor
Freqüentei palácio
Sem fazer feio
Vida veio e me levou

Hoje é dia de visita
Vem aí meu grande amor
Ela vem toda de brinco
Vem todo domingo
Tem cheiro de flor

Eu gerei dezoito filhas
Me tornei navegador
Vice-rei das ilhas
Da Caraíba
Vida veio e me levou

Fechei negócio da China
Desbravei o interior
Possuí mina
De prata, jazida
Vida veio e me levou

Hoje é dia de visita
Vem aí meu grande amor
Hoje não deram almoço, né
Acho que o moço até
Nem me lavou

Acho que fui deputado
Acho que tudo acabou
Quase que
Já não me lembro de nada
Vida veio e me levou

22 anos depois ressurge, da voz de Monica Salmaso, o ecoar para mais páginas impressas que ontem ganharam as livrarias

Segundo o autor, ao reescutá-la, pensou em escrever a história de um velho. Só que ao colocar mãos à obra, mudou o enfoque. Trocou o ex-escravo por um nobre de velha estirpe. E é por meio dele, Eulálio Montenegro d’Assumpção, o tal morimbundo, feito o Velho Francisco, nascido em 16 de junho de 1907, que o escritor narra a decadência de determinada elite brasileira.
A trama percorre o mapa do Rio tradicional, revisitado em entrevista pela Folha de São Paulo e codificado por resenhas de Roberto Schwarz e Eduardo Gianetti.

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Leite Derramado é o quarto Romance de Chico Buarque a acompanhar Estorvo de 1991; Benjamim,1995 e Budapest,2003 e ainda a novela Fazenda Modelo.

Vidráguas a mais um Livro nas ruas…
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