O amor, segundo Fernando Andrade, “é sempre o motivo mais profícuo a inspirar os poetas.” E ao meu lado tenho Pedro Du Bois, o poeta que escreveu o Livro da Tânia, em homenagem ao nosso amor. São poemas que marcam momentos importantes e dão voz ao nosso relacionamento. Costumo dizer que para amar é preciso receber amor.
“Não escrevo / Tânia / escrevo tânias / tantos são os anos / compassados //
junto as letras / o nome leve / solta o perfume / adocicado // sempre é o início /
onde os corpos se confundem / nas descobertas // no final da tarde / na tranqüilidade da casa / olho-te / como fosse o dia / do primeiro olhar entrelaçado. ”
Na construção do gesto temos a representação do pedreiro como fonte primordial da vitalidade em quem podemos acreditar como possibilidades da importância das mãos.
“Tenho a terra sob as unhas / o que seria meu / e de todos…// – o que seria se a terra estivesse / sob as unhas // a as mãos calejadas” (Pedro Du Bois)
“Natal em família uma festa, nada imodesta!!! ”
por Adriane Lima
Todo final de ano é a mesma coisa,cada um a sua maneira faz um balanço do que foi o ano, o pensamento viaja, o coração faz retrospectiva, a memória guarda o que foi bom e tenta apagar o que foi triste e amargo, hora de refazer contas, planejar e sonhar de novo.
Afinal,mais um ano está se findando em nossas vidas.Hora de fazer desejos e pedidos ao ano que se aproxima,de repensar o novo,para que ele realmente seja novo.
Como o ser humano é um “poço”de inquietações,como conseguimos não ter paz ,por conta de nossos questionamentos.
Mas,acho que nem é bom ter paz nessa hora.
É preciso ser movimentado pelo balanço das horas mesmo e mudar o que não está bom.
Tudo em nossas vidas tem uma inconstância,uma força que nos impulsiona a questionar,repensar,refrear ou seguir em frente.
“Sala de jantar // A mesa diz: sim, mas você tem que se cuidar um pouco mais //
… E há também um bufê cheio / de taças. O que quer que digam, /
diz, creio que ficarei satisfeito… ”(Joan Brossa)\
Por costume, a casa tem sala de jantar. Espaço a garantir que ela seja ocupada em momentos importantes: o consumo e a reunião ao redor da mesa, onde o ar atravessa a cortina como fruto do encontro. “… Lá fora o vento morno impõe o riso / de quem degusta estrelas: e há licores / na sombra onde comer não é preciso…” (Jorge Tufic).
“Há quanto tempo me fecho a chave dentro de
mim.”
( Fernando Pessoa)
Bato à porta de mim mesma e não escuto resposta. Não percebo ruídos, não diviso luzes. Tudo está quieto. Até eu. A casa de mim mesma permanece trancada. Parece vazia.
Olho a lua minguante e em sua parte escura vejo meu rosto refletido, só não sei se com os olhos de fora ou com os do coração. Os de fora às vezes enganam. Os do coração querem se enganar e me levam a imaginar que tudo é apenas imaginação.
Bato à porta de mim mesma na esperança de que ela se abra e de que eu me reconheça naquela que eu encontrar. Na antecipação do inusitado, ensaio o encontro. Sinto receio de que a luz de meus olhos não se ilumine nos olhos de quem me abre. E de que eu não me reconheça em mim mesma.