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Dobras do anoitecer…

Dobras do anoitecer
por Carmen Silvia Presotto



Dobro os lençóis da noite
enfeito com flores de mel o dia
retoco os sentimentos
coloco asas em teus sussurros

silêncio do vento
absurdas cordas
vozes ao pé do ouvido

:

vestígios do anoitecer
recolho tuas pegadas
sacudo os poros

barulhos do tempo
absurda sou mais
que minha voz
amas, ecoo

me horizonto…

Trago para cá, em nossa caixa de Pandora, este poema, já publicado lá em Vidráguas.

a foto é de Guy Bourdin!

dobras do tempo, um livro, uma crônica

“DOBRAS DO TEMPO”
por Tânia Du Bois
DSCN3749

Meu dia é uma caixa de surpresas. Passo lendo e relendo livros. Gosto do que faço. Chego passar vários dias sem sair de casa. Apenas passeio em imaginação. O difícil é driblar o tempo. Orídes Fontela escreveu que”.. há um tempo para desviver o tempo”.

Entendo como valorizar a literatura, porque ela me dá liberdade e é simples representação da passagem do tempo.

Boa surpresa é o livro DOBRAS DO TEMPO, de Carmen Silvia Presotto, que nos mostra os passos da liberdade nas lembranças de um tempo que embalou encontros, onde Uma Porta se Abre:
“… degusto a vida entendida sob meus olhos. / Matizo essa grande aquarela e coloco uma foto minha na capa do livro. / Nele me vejo tão diferente. //… Números, registros e funções, palavras soltas ou / codificadas que abrem a porta para sair o que / quem sou.

leia toda a crônica
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lendo…uma porta se abre, Vidráguas ao Livro!

Uma porta se abre
lendo...

Intrigante
Fechei os livros, mas continuam as minhas leituras.
Leio nuvens rabiscando céus, pássaros desenhando o horizonte,
árvores dançando com o vento.

Leio uma mistura de gente, piscar de olhos.
Leio loiros, ruivos, morenos, homens, mulheres.
Leio raças. Leio sexos.

Degusto a vida estendida sob meus olhos.
Matizo essa grande aquarela e coloco uma foto minha
na capa do livro.
Nele me vejo tão diferente.
Encontro nas entrelinhas um espelho, o qual me escancara
sua campainha presa na garganta.
Aciono-a: Há alguém em casa?
Nada!

leia toda a crônica
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Dobras Naturais

.platano-outonal
(foto- arquivopessoal-Vidráguas)

Plátano outonal
fogo dourado
que remexe folhas secas.

Seiva da vida
galhos musculosos
caule torneado
que reanima dormentes entranhas.

Dobras naturais
abrigo de madrugadas
ao chegar o inverno,
não me deixes sem sol.

Sem calor…
Serei mais um cadáver no tempo.

Carmen Silvia Presotto em Dobras do Tempo