Desbundalismos poéticos, Pedras de calcutar…
Por Carmen silvia Presotto
* Esta foto, é em Verona, imaginem, estava eu na casa de Julieta, esperando os Bardos chamarem e não é que deu certo, o telefone tocou e…
Psiu, hoje meu telefone vai tocar! Hoje é dia de publicarmos mais um poema enRedados Vidráguas, no entanto Luana Neres, vidraguense amiga, dona da Arte de nosso projeto está em um Congresso de História da Arte no Rio, por isso o atraso…
Amanhã deverá estar nossa homenagem ao Poeta Amado Armindo Trevisan, outro, entre tantos é o Poeta, tradutor e tanto mais…Professor Donaldo Shuler, com trema, sim, que além de nos desnudar Joyce, escreveu Chimarrita, onde nos mostra um Cândido tão moderno que até Joyce se assustaria(rs).
Enquanto isso, anuncio nossa próximo enredo será com Bruna Lombardi, que além de Musa de Quintana como Cecília Meireles, o que é muito!… pois cá, para nós quem não amaria estar naquelas sinapses poéticas, no labirinto deste Fauno Quintana, hein?
Para rememorar uma das obras que transformou o século XX, este sarau celebra a liberdade criativa e expressiva, com convidados de Donaldo Schüler, entusiastas da obra de Joyce, apresentando suas criações e contribuições em diversos gêneros de arte e performance.
Com a participação de:
Elida Tessler e Letícia Bertagna
DUBLING: Vídeo-Poema com a participação de Donaldo Schüler. Trabalho inédito
Hugo Varella
Récits, Ulysses
Carmen Silvia Presotto & Mara Jardim
Palavras de Joyce a Nora
Edson Luiz A. de Sousa
Ulysses-Joyce-Lacan
Hilda Simões Lopes
A busca do Ser em Clarice e Joyce
Sonia Mara Moreira Ogiba
Poema-homenagem
Cuca Medina (voz) e Francisco Marshall (piano)
Joyce, páginas abertas – performance musical
Hoje em Vidráguas o Banquete de Platão, um convite e uma receita para seguir conVersando com Arte à arte do Amor junto a Poesia que inventa, rompe e aproxima fronteiras, revive e deixa viver…
O vídeo documentário Banquete de Platão é um trabalho do Projeto Cultural Vidráguas em parceria com o StudioClio, realização ACCORDE Filmes, a caminho de mais Cultura a todos.
“Na noite de doze de maio de 2008, Gerald Thomas, em Fronteiras do Pensamento, ensaiou um gesto iconoclasta radical: negando a arte, o pensamento – tudo o que realizou até aqui – propôs a discussão da miséria, da violência, da política partidária. O gesto não é novo. Diógenes, no quarto século a.C., em protesto contra elucubrações verbais, anda, munido de lanterna, pelas ruas de Atenas, à procura de um homem. O cético Sexto, no segundo século da nossa era, investindo contra a especulação, opta por um comportamento empírico. Nietzsche, quebrando as tábuas da lei, derruba, em fins do século XIX, todos os valores. Marcel Duchamp, no início do século XX, envia um vaso de urinar a uma exposição de arte. John Cage reinventa a música com instrumentos danificados. O irreverente Caetano Veloso, no fervor do Movimento Tropicalista, espanta platéias com evoluções inusuais. Gerald Thomas, à tarde do mesmo dia doze, numa entrevista coletiva, perguntado se a poesia seria um antídoto contra a violência, respondeu categoricamente “não”.
Catástrofes esporádicas dessa natureza beneficiam a arte e pensamento, obrigando artistas e pensadores a refletir sobre o que fazem. Declará-las, entretanto, definitivas, seria afirmar o apocalipse. Em lugar do fim catastrófico, escolho a regeneração. Sem poesia, bombas continuarão a enlutar povos oprimidos. Sem poesia, choques armados continuarão a ensanguentar ruas e ruelas nas grandes cidades. Sem poesia, troncos continuarão a fumegar em florestas incendiadas. Populações famintas necessitam mais do que pão para sobreviver. Vivem, como todos nós: de ócio, de religião, de mitos, de sonhos, de amor, de arte… Em lugar de condenar espetáculos teatrais, tratemos de torná-los acessível a todos.
Leia todo o recorte de leitura do livro: Fronteiras e Confrontos Read more »
Chimarrita, Chimarrita,
Chimarrita, meu amor,
por causa da Chimarrita
passo tormentos de dor.
Vem, aqui me tens caída
para te saberes forte
meu cair de te criar.
Vem, não nos pensamentos, mas na tua sede
teus pensamentos passam, mas não a sede de estar em mim
tua sede de abismar.
Vem, não me tragas tua fartura, mas a fome
não o teu ser pleno, mas o vácuo teu de me acolher
mas a voz se abrindo em chamas de me chamar.
Para chegar a mim atravessarás ondas e rios
e ferirás os pés em pregos, espinhos
para chegar a mim.
Para chegar a mim cortarás sombras milenares
e as distâncias dos campos sem limites
para chegar a mim.
Para chegar a mim afrontarás abismos
nevascas e chuvas
para chegar a mim.
Para chegar a mim te emaranharás em ausências
não de outros mas de mim ausentadas
para chegar a mim.