*Uma foto antiga,mas bom recordar este abraço na Jornada Literária de Passo Fundo
Psiu! Um recado, um convite e uma crônica de Elisa Lucinda
Olá, queridos amigos!
É com muito carinho que a Casa Poema abre suas portas mais uma vez para o nosso divertidíssimo Sarau, como vem acontecendo toda última quinta-feira de cada mês. O próximo é agora, dia 24 a partir das 20h. A entrada é somente um livro de poesia novo ou usado para nossa singela biblioteca poética.
O endereço da Casa Poema é: Rua Paulino Fernandes, nº 15 – Botafogo – bem pertinho do metrô. Saída pela Voluntários
Não vou cansar de falar do tema enquanto achar necessário: Não há outro propósito na existência de qualquer instituição educativa a não ser a função de educar para a vida. Não bastassem as afinidades do nosso sistema escolar com os cárceres (uniformes, grade curricular, pátios áridos, altos muros, sirene entre as aulas), seu ensino continua estanque, longe do ser humano e esse conceito forma a sociedade. Por isso corremos o risco permanente quando vamos ao médico de joelho, por exemplo, que nos medica com um antiinflamatório que há de arrasar a flora intestinal, ofender o fígado, para salvar o joelho.
É como se o resto do corpo não fosse assunto desse médico, como se um joelho fosse não uma parte, mas um paciente inteiro (por sinal incompleto). Por causa dessa contradição o aluno tem diarréia no dia da prova sobre aparelho digestivo sem saber que na prática a prova já começou. Nele. No corpo dele. Sigo na certeza de que os mais simples conhecimentos da ciência, da medicina, precisam estar na sala de aula.
Tive de repente
saudade da bebida que eu estava bebendo…
tive saudade e tentei me lembrar que gosto faltava,
qual era a bebida…
Fui procurando entre copos e móveis
e dei com sua boca.
Neste templo e no meu tempo escrevo o céu e o inferno de mim.
Sei que todo ser humano é assim: uma hora vem pra cá, uma hora vem parar num bar.
Porque , para alguns, é uma espécie de lar o botequim.
Aquele cara da mesa ao lado talvez se chame Eduardo e, pelo jeito concentrado , está sonhando acordado, sob a luz do pôr do sol cor de cereja refratada no copo de cerveja.
Copo de Cerveja de Theodora
Aqui, nasceu de mim e de muita gente que não conheço nome ou fato,
muita poesia de guardanapo, que é o caderno, avulso e à mão,
que verte em literatura o que sai do peito da gente.
Quem disser que não, mente:
Há uma hora em que um bar fica fazendo parte da vida da gente!
Lugar de encontrar amigos, de brindar com a tribo, de fazer novos parentes.
Lugar de restauração para momentos de solidão.
Mesa de Bar de Claudio Niederauer
Sentar-se diante de si à mesa, repensar a vida, afogar as mágoas,
organizar a folia interna do Bloco do Eu mesmo.
Durante um encontro com a poeta e atriz Elisa Lucinda, na Casa Poema, no Rio de Janeiro, o poeta Ferreira Gullar, nos concedeu uma descontraída entrevista, onde falou, entre outras coisas sobre arte, e a sua arte específica , a poesia, que passou por mudanças notáveis ao longo do anos. “Porque você vai descobrindo outras coisas, indagando outras coisas, e isso se reflete no modo de fazer poesia.”
Uma das vozes mais importantes da arte brasileira, Ferreira Gullar é um exemplo de vigor intelectual – é crítico de arte, poeta, tradutor, biógrafo, memorialista e ensaísta. Aos 79 anos, numa trajetória que atravessa momentos decisivos da formação da nossa cultura, Gullar ainda permite se espantar com o dia-a-dia. A gênese da obra do poeta está nas surpresas que a vida reserva.