Durante um encontro com a poeta e atriz Elisa Lucinda, na Casa Poema, no Rio de Janeiro, o poeta Ferreira Gullar, nos concedeu uma descontraída entrevista, onde falou, entre outras coisas sobre arte, e a sua arte específica , a poesia, que passou por mudanças notáveis ao longo do anos. “Porque você vai descobrindo outras coisas, indagando outras coisas, e isso se reflete no modo de fazer poesia.”
Uma das vozes mais importantes da arte brasileira, Ferreira Gullar é um exemplo de vigor intelectual – é crítico de arte, poeta, tradutor, biógrafo, memorialista e ensaísta. Aos 79 anos, numa trajetória que atravessa momentos decisivos da formação da nossa cultura, Gullar ainda permite se espantar com o dia-a-dia. A gênese da obra do poeta está nas surpresas que a vida reserva.
Há tanto o que fazer com a poesia
que eu quase não dou conta das tarefas.
Trazê-la em estado de circulação
é mais que assumi-la sangue
de tanto me afundar no mangue
decorei o caminho do emergir
a volta do desmaio
do cair em si em mi
e mais todas as notas do percurso e escola.
Há tanto o que transar com a poesia
que tenho estado com ela sem nenhum projeto de anticoncepção
falá-la então é o VT desse sexo explícito de procriação
com direito a prazer e gozo em cada dobra de rima
Trazendo-a em estado vivo exerço a alquimia
de atropelar o efêmero
com o doce trator da perpetuação
agarrada aos motivos eternos
dos versos que eu escrevi
latejante exposição em estado de música e fotografia
é o que faço aqui
e aqui chego com meus cães:
sigo tudo de acordo com as ordens do Deus poema
que é o fiel domador.
Corro, sento, busco ossos
e inda faço gracinhas
elefante, golfinho, leão, macaquinho,
sopro, tambor, teclado, cavaquinho
vou bebendo vinho.
Há tanto o que fazer com a poesia
Há tanto o que namorar com a poesia
Há tanto o que compreender com a poesia
Há tanto o que viajar com a poesia
que eu com esse excesso de bagagem
passo na cara do vigia
de mãos vazias.
Mas tamanha é a magia
que toda a muamba que ninguém via
agora se esparrama no palco:
ela rainha, galinha
sambando no pedaço,
minha rainha poesia
e de salto alto.
Elisa Lucinda -(Rio, verão de 1991)
Psiu! Hoje a poesia de Elisa Lucinda tem encontro marcado com o Professor Ruy Carlos Ostermann no StudioClio…
Saibam mais visitando o site: www.studioclio.com.br
Cecaes e Elisa Lucinda apresentam
Manguerê Poético
Local: Theatro Carlos Gomes – Vitória – ES, dia 13 de agosto, às 20:00hs. A entrada é franca, para confirmar presença, liguem do dia 10 ao dia 13 – segunda à quinta, das 10 às 16h, para:
21 2286 5976/77 ou pelo email – casapoema@casapoema.com.br
Esta iniciativa integra o prêmio Interação Estética – residências artísticas em Pontos de Cultura.
Há sete anos em cartaz , viajando pelo Brasil em 2007 e 2008, e aplaudido por mais de meio milhão de espectadores o “Parem de falar mal da rotina” é um sucesso de público e diversão, e a temporada no Rio de Janeiro não podia ser diferente.