maio 31st, 2011 in Foto do Dia, Poemas, Versos que Conversam | 3 Comments »

Frases
No verão inocente dos joelhos
à entrada da noite
como se a luz doesse
entre o desejo
e o espasmo lentíssimo relâmpago
a mão.
Poema:Eugénio de Andrade
Fotografia:Bill Brant
O poema foi colhido lá em O Sal da Língua, um espaço de poesia sobre Eugénio de Andrade mantido por Raquel Agra, confiram!
abril 7th, 2011 in Foto do Dia, Poemas, Versos que Conversam | 1 Comment »

À Boca do Cântaro
Caminha sílaba a sílaba
como a fonte
que só pára à boca do cântaro.
Aí consente partilhar a água.
À audácia dos jovens, à timidez
dos que já o não são, mata a sede.
Aos que tropeçam na falta
de amor, aos que mordem as lágrimas
em segredo, dá a beber.
Leva aos lábios febris
a frescura da pedra. Não deixes
o medo multiplicar as garras.
Sílaba a sílaba
caminha até ao cântaro
vazio. – Tão cheio agora!
Poema de Eugénio de Andrade, colhido do site O Sal da Língua, organizado por Raquel Agra para que conheçamos mais o trabalho deste grande poeta.
Fotografia de Renata Lopes Leite, vejam mais fotos:
http://www.flickr.com/photos/renatalopesleite/
setembro 12th, 2010 in Poemas, Versos que Conversam | No Comments »
Coral
É um dos corais de Leipzig,
o quarto. Sem sabermos como, desceu
ao chão da alma. A música
é este abismo, esta queda
no escuro. Com o nosso corpo
tece a sua alegria,
faz a claridade
dos bosques com a nossa tristeza.
Pela sua mão conhecemos a sede,
o abandono, a morte. Mas também
o êxtase de estrela em estrela.
E a ressurreição.
Poema de Eugénio de Andrade
Leia mais poemas deste autor no blog:
http://saldalingua.wordpress.com/
maio 13th, 2010 in Poemas, Versos que Conversam | 1 Comment »
O caminho das dunas

Há um barco
há um homem nas areias.
Obscuramente aprende
a morrer onde as águas são mais duras.
Sei que é verão pelo hálito da loucura
o brilho em declínio das giestas
a caminho das dunas.
O homem adormecido
e a noite do poema eram de vidro.
Poema de Eugénio de Andrade.
Leiam mais poemas deste autor em O Sal da Língua:
http://saldalingua.wordpress.com/
outubro 25th, 2009 in Poemas, Versos que Conversam | No Comments »

Um amigo é às vezes o deserto,
outras a água.
Desprende-te do ínfimo rumor
de agosto; nem sempre
um corpo é o lugar da furtiva
luz despida, de carregados
limoeiros de pássaros
e o verão nos cabelos;
é na escura folhagem do sono
que brilha
a pele molhada,
a difícil floração da língua.
O real é a palavra.
Eugènio de Andrade
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http://saldalingua.wordpress.com/
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