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frases um poema de Eugénio de Andrade



Frases

No verão inocente dos joelhos

à entrada da noite
como se a luz doesse

entre o desejo
e o espasmo lentíssimo relâmpago

a mão.

Poema:Eugénio de Andrade
Fotografia:Bill Brant

O poema foi colhido lá em O Sal da Língua, um espaço de poesia sobre Eugénio de Andrade mantido por Raquel Agra, confiram!

À boca do Cântaro, poema de Eugénio de Andrade em Vidráguas



À Boca do Cântaro

Caminha sílaba a sílaba
como a fonte
que só pára à boca do cântaro.

Aí consente partilhar a água.
À audácia dos jovens, à timidez
dos que já o não são, mata a sede.
Aos que tropeçam na falta
de amor, aos que mordem as lágrimas
em segredo, dá a beber.

Leva aos lábios febris
a frescura da pedra. Não deixes
o medo multiplicar as garras.
Sílaba a sílaba
caminha até ao cântaro
vazio. – Tão cheio agora!

Poema de Eugénio de Andrade, colhido do site O Sal da Língua, organizado por Raquel Agra para que conheçamos mais o trabalho deste grande poeta.

Fotografia de Renata Lopes Leite, vejam mais fotos:
http://www.flickr.com/photos/renatalopesleite/

coral, poema de Eugénio de Andrade

Coral

É um dos corais de Leipzig,
o quarto. Sem sabermos como, desceu
ao chão da alma. A música
é este abismo, esta queda
no escuro. Com o nosso corpo
tece a sua alegria,
faz a claridade
dos bosques com a nossa tristeza.
Pela sua mão conhecemos a sede,
o abandono, a morte. Mas também
o êxtase de estrela em estrela.
E a ressurreição.

Poema de Eugénio de Andrade

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http://saldalingua.wordpress.com/

hoje, um poema de Eugénio de Andrade

O caminho das dunas

DUNAS

Há um barco
há um homem nas areias.
Obscuramente aprende
a morrer onde as águas são mais duras.
Sei que é verão pelo hálito da loucura
o brilho em declínio das giestas
a caminho das dunas.
O homem adormecido
e a noite do poema eram de vidro.

Poema de Eugénio de Andrade.

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Um amigo é às vezes o deserto, poema de Eugénio de Andrade

eugenio_andrade

Um amigo é às vezes o deserto,
outras a água.
Desprende-te do ínfimo rumor
de agosto; nem sempre


um corpo é o lugar da furtiva
luz despida, de carregados
limoeiros de pássaros
e o verão nos cabelos;


é na escura folhagem do sono
que brilha
a pele molhada,
a difícil floração da língua.


O real é a palavra.

Eugènio de Andrade

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