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	<title>Vidráguas &#187; Eugénio de Andrade</title>
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		<title>pensando a Poesia de Eugénio de Andrade em O Sal da Língua&#8230;</title>
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		<pubDate>Sun, 04 Mar 2012 17:49:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carmen</dc:creator>
				<category><![CDATA[conversando sobre literatura]]></category>
		<category><![CDATA[mo(r)mentos - poemas enRedados]]></category>
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		<description><![CDATA[Hey, era para ser toda a semana, mas por motivos de viagens, saltamos uma&#8230; e seguimos com nosso enRedo poético, rumo ao terceiro webLivros, onde estaremos cantando, lendo e conVersando com a Poesia Portuguesa. O encontro de hoje é com Eugénio de Andrade, o da semana que passou foi com Natália Correia&#8230; bom domingo, boa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hey, era para ser toda a semana, mas por motivos de viagens, saltamos uma&#8230; e seguimos com nosso enRedo poético, rumo ao terceiro <a href="http://en.calameo.com/books/00084252928db6a6e14fe">webLivros</a>, onde estaremos cantando, lendo e conVersando com a Poesia Portuguesa.<br />
<br />
O encontro de hoje é com Eugénio de Andrade, o da semana que passou foi com <a href="http://vidraguas.com.br/wordpress/2012/02/23/hoje-retornamos-com-natalia-correia-poema-enredado-42-eba/">Natália Correia</a>&#8230; bom domingo, boa semana a todos por aqui.<br />
<br />
<a href="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/eugenio_andrade1.jpeg" rel="lightbox[14150]"><img src="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/eugenio_andrade1-300x225.jpg" alt="" title="eugenio_andrade" width="300" height="225" class="alignnone size-medium wp-image-14155" /></a><br />
<br />
<strong>Nocturno da água </strong><br />
<br />
Pergunto se não morre esta secreta<br />
música de tanto olhar a água,<br />
pergunto se não arde<br />
de alegria ou mágoa<br />
este florir do ser na noite aberta.<br />
<br />
Eugénio de Andrade, Ostinato Rigore (1964) e POESIA<br />
<br />
<strong>Sobre as sílabas</strong><br />
<br />
O assédio do verão, as rolas<br />
dos pinheiros, a risca de sal<br />
das areias; às vezes<br />
chovia – então um barco<br />
de borco era o abrigo,<br />
era o amigo; a chuva abria<br />
o aroma dos fenos, não tardava<br />
o sol em cada sílaba.<br />
<br />
Eugénio de Andrade, POESIA e Rente ao Dizer (1992)<br />
<br />
<iframe width="420" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/c4Iat2bVSxA" frameborder="0" allowfullscreen></iframe><br />
<br />
Leia toda a postagem aqui e conheça mais a Obra de <a href="http://saldalingua.wordpress.com/2012/01/16/sou-filho-de-camponeses/">Eugénio de Andrade </a>em <a href="http://saldalingua.wordpress.com/">O Sal da Língua</a>, um site mantido pela amiga <a href="http://saldalingua.wordpress.com/about/">Raquel Agras</a> para guardar a obra deste imenso Poeta.<br />
<br />
<span id="more-14150"></span><br />
<br />
<strong>O verão é assim</strong><br />
<br />
O verão é assim: a masculina e mineral<br />
e quase táctil vibração das cigarras.<br />
Não sou apenas eu, também elas<br />
se alimentam de claridade,<br />
fogem do escuro.<br />
Porque o escuro é onde se abrigam<br />
a calúnia e a usura,<br />
o escuro é onde a vaidade<br />
e a demência do lucro acorrem<br />
ao apelo do mais rasteiro.<br />
O Céu não passa de um imenso<br />
e vazio buraco negro,<br />
mas tenho a esperança que o Inferno<br />
conserve ainda activas as fogueiras<br />
da inquisição, e nas suas chamas<br />
possam ouvir-se um dia<br />
esses cães, que tanto abusam do poder,<br />
rechinar – como as cigarras no verão.<br />
<br />
Eugénio de Andrade, POESIA e Sal da Língua (1995)<br />
<br />
<strong>Não perguntes</strong><br />
<br />
De onde vem? De que fonte<br />
ou boca<br />
ou pedra aberta?<br />
É para ti que canta<br />
ou simplesmente<br />
para ninguém?<br />
Que juventude<br />
te morde ainda os lábios?<br />
Que rumor de abelhas<br />
te sobe à garganta?<br />
Não perguntes, escuta:<br />
é para ti que canta.<br />
<br />
Eugénio de Andrade, Mar de Setembro (1961) e POESIA<br />
<br />
<strong>Essa mulher, a doce melancolia</strong><br />
<br />
Essa mulher, a doce melancolia<br />
dos seus ombros, canta.<br />
O rumor<br />
da sua voz entra-me pelo sono,<br />
é muito antigo.<br />
Traz o cheiro acidulado<br />
da minha infância chapinhada ao sol.<br />
O corpo leve quase de vidro.<br />
<br />
Eugénio de Andrade, O Peso da Sombra (1982) e POESIA<br />
<br />
<strong>Com o tempo</strong><br />
<br />
Com o tempo aproximar-se-ão os rios<br />
e os montes, com o tempo<br />
acabará por te vir comer à mão<br />
e fazer ninho na tua cama<br />
o silêncio<br />
<br />
Eugénio de Andrade, O Peso da Sombra (1982) e POESIA<br />
<br />
<iframe width="420" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/f2zvaGmSG_U" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
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		<item>
		<title>frases um poema de Eugénio de Andrade</title>
		<link>http://vidraguas.com.br/wordpress/2011/05/31/frases-um-pema-de-eugenio-de-andrade/</link>
		<comments>http://vidraguas.com.br/wordpress/2011/05/31/frases-um-pema-de-eugenio-de-andrade/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 31 May 2011 15:16:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carmen</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Frases No verão inocente dos joelhos à entrada da noite como se a luz doesse entre o desejo e o espasmo lentíssimo relâmpago a mão. Poema:Eugénio de Andrade Fotografia:Bill Brant O poema foi colhido lá em O Sal da Língua, um espaço de poesia sobre Eugénio de Andrade mantido por Raquel Agra, confiram!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/vidráguas-em-poema-de-Eugénio-de-Andrade.jpg" rel="lightbox[10437]"><img src="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/vidráguas-em-poema-de-Eugénio-de-Andrade.jpg" alt="" title="vidráguas - em  poema de Eugénio de Andrade" width="434" height="336" class="alignnone size-full wp-image-10438" /></a><br />
<br />
Frases<br />
<br />
No verão inocente dos joelhos<br />
<br />
à entrada da noite<br />
como se a luz doesse<br />
<br />
entre o desejo<br />
e o espasmo lentíssimo relâmpago<br />
<br />
a mão.<br />
<br />
Poema:Eugénio de Andrade<br />
Fotografia:Bill Brant<br />
<br />
O poema foi colhido lá em <a href="http://saldalingua.wordpress.com/">O Sal da Língua</a>, um espaço de poesia sobre Eugénio de Andrade mantido por Raquel Agra, confiram!</p>
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		<title>À boca do Cântaro, poema de Eugénio de Andrade em Vidráguas</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Apr 2011 14:38:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carmen</dc:creator>
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		<description><![CDATA[À Boca do Cântaro Caminha sílaba a sílaba como a fonte que só pára à boca do cântaro. Aí consente partilhar a água. À audácia dos jovens, à timidez dos que já o não são, mata a sede. Aos que tropeçam na falta de amor, aos que mordem as lágrimas em segredo, dá a beber. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/images5.jpg" rel="lightbox[9491]"><img src="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/images5.jpg" alt="" title=" a boca de cântaro poema de Eugénio de Andrade com fotografia de Ranta Lopes Leite" width="336" height="434" class="alignnone size-full wp-image-9748" /></a><br />
<br />
À Boca do Cântaro<br />
<br />
Caminha sílaba a sílaba<br />
como a fonte<br />
que só pára à boca do cântaro.<br />
<br />
Aí consente partilhar a água.<br />
À audácia dos jovens, à timidez<br />
dos que já o não são, mata a sede.<br />
Aos que tropeçam na falta<br />
de amor, aos que mordem as lágrimas<br />
em segredo, dá a beber.<br />
<br />
Leva aos lábios febris<br />
a frescura da pedra. Não deixes<br />
o medo multiplicar as garras.<br />
Sílaba a sílaba<br />
caminha até ao cântaro<br />
vazio. – Tão cheio agora!<br />
<br />
Poema de Eugénio de Andrade, colhido do site <a href="O Sal da Língua">O Sal da Língua</a>, organizado por Raquel Agra para que conheçamos mais o trabalho deste grande poeta.<br />
<br />
Fotografia de Renata Lopes Leite, vejam mais fotos:<br />
<a href="http://www.flickr.com/photos/renatalopesleite/">http://www.flickr.com/photos/renatalopesleite/</a></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>coral, poema de Eugénio de Andrade</title>
		<link>http://vidraguas.com.br/wordpress/2010/09/12/coral-poema-de-eugenio-de-andrade/</link>
		<comments>http://vidraguas.com.br/wordpress/2010/09/12/coral-poema-de-eugenio-de-andrade/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 12 Sep 2010 20:28:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carmen</dc:creator>
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		<category><![CDATA[poesia]]></category>
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		<description><![CDATA[Coral É um dos corais de Leipzig, o quarto. Sem sabermos como, desceu ao chão da alma. A música é este abismo, esta queda no escuro. Com o nosso corpo tece a sua alegria, faz a claridade dos bosques com a nossa tristeza. Pela sua mão conhecemos a sede, o abandono, a morte. Mas também [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Coral<br />
<br />
É um dos corais de Leipzig,<br />
o quarto. Sem sabermos como, desceu<br />
ao chão da alma. A música<br />
é este abismo, esta queda<br />
no escuro. Com o nosso corpo<br />
tece a sua alegria,<br />
faz a claridade<br />
dos bosques com a nossa tristeza.<br />
Pela sua mão conhecemos a sede,<br />
o abandono, a morte. Mas também<br />
o êxtase de estrela em estrela.<br />
E a ressurreição.<br />
<br />
Poema de Eugénio de Andrade<br />
<br />
Leia mais poemas deste autor no blog:<br />
<a href="http://saldalingua.wordpress.com/">http://saldalingua.wordpress.com/</a></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>hoje, um poema de Eugénio de Andrade</title>
		<link>http://vidraguas.com.br/wordpress/2010/05/13/hoje-um-poema-de-eugenio-de-andrade/</link>
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		<pubDate>Thu, 13 May 2010 04:01:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carmen</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
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		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Tranças Poéticas Vidráguas]]></category>

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		<description><![CDATA[O caminho das dunas Há um barco há um homem nas areias. Obscuramente aprende a morrer onde as águas são mais duras. Sei que é verão pelo hálito da loucura o brilho em declínio das giestas a caminho das dunas. O homem adormecido e a noite do poema eram de vidro. Poema de Eugénio de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O caminho das dunas<br />
<br />
<img src="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/DUNAS.jpg" alt="DUNAS" title="DUNAS" width="400" height="300" class="alignnone size-full wp-image-5645" /><br />
<br />
Há um barco<br />
há um homem nas areias.<br />
Obscuramente aprende<br />
a morrer onde as águas são mais duras.<br />
Sei que é verão pelo hálito da loucura<br />
o brilho em declínio das giestas<br />
a caminho das dunas.<br />
O homem adormecido<br />
e a noite do poema eram de vidro.<br />
<br />
Poema de Eugénio de Andrade.<br />
<br />
Leiam mais poemas deste autor em O Sal da Língua:</p>
<p>http://saldalingua.wordpress.com/</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Um amigo é às vezes o deserto, poema de Eugénio de Andrade</title>
		<link>http://vidraguas.com.br/wordpress/2009/10/25/um-amigo-e-as-vezes-o-deserto-poema-de-eugenio-de-andrade/</link>
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		<pubDate>Sun, 25 Oct 2009 17:45:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carmen</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Versos que Conversam]]></category>
		<category><![CDATA[amigo]]></category>
		<category><![CDATA[Eugénio de Andrade]]></category>

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		<description><![CDATA[Um amigo é às vezes o deserto, outras a água. Desprende-te do ínfimo rumor de agosto; nem sempre um corpo é o lugar da furtiva luz despida, de carregados limoeiros de pássaros e o verão nos cabelos; é na escura folhagem do sono que brilha a pele molhada, a difícil floração da língua. O real [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/eugenio_andrade.jpeg" alt="eugenio_andrade" title="eugenio_andrade" width="330" height="248" class="alignnone size-full wp-image-4001" /><br />
<br />
Um amigo é às vezes o deserto,<br />
outras a água.<br />
Desprende-te do ínfimo rumor<br />
de agosto; nem sempre<br />
<br /> <br />
um corpo é o lugar da furtiva<br />
luz despida, de carregados<br />
limoeiros de pássaros<br />
e o verão nos cabelos;<br />
<br /> <br />
é na escura folhagem do sono<br />
que brilha<br />
a pele molhada,<br />
a difícil floração da língua.<br />
<br /> <br />
O real é a palavra.<br />
<br />
Eugènio de Andrade<br />
<br />
leia mais sobre o autor e seus poemas:</p>
<p>http://saldalingua.wordpress.com/</p>
<p>
<span id="more-4000"></span><br />
<br />
Eugénio de Andrade nasceu na Póvoa da Atalaia, no Fundão.<br />
Ao longo da sua vida viveu em Lisboa, em Coimbra, onde terminou o liceu, e no Porto onde viveu durante largos anos.</p>
<p>Eugénio de Andrade é considerado um dos maiores poetas portugueses contemporâneos, encontrando-se a sua obra traduzida em várias línguas.<br />
<br />
Suas obras:<br />
<br />
As Mãos e os Frutos,1948);<br />
Os Amantes sem Dinheiro,1950;<br />
As Palavras Interditas,1951;<br />
Até Amanhã,1956;<br />
Coração do Dia, 1958;<br />
Mar de Setembro, 1961;<br />
Ostinato Rigore, 1964;<br />
Antologia Breve, 1972;<br />
Véspera de Água, 1973;<br />
Limiar dos Pássaros,1976;<br />
Memória de Outro Rio, 1978;<br />
Rosto Precário, 1979;<br />
Matéria Solar, 1980;<br />
Branco no Branco, 1984;<br />
Aquela Nuvem e Outras, 1986;<br />
Vertentes do Olhar, 1987;<br />
O Outro Nome da Terra, 1988;<br />
Poesia e Prosa, 1940-1989;<br />
Rente ao Dizer, 1992;<br />
À Sombra da Memória, 1993;<br />
Ofício de Paciência, 1994;<br />
Trocar de Rosa / Poemas e Fragmentos de Safo, 1995;<br />
O Sal da Língua,1995</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>obscuro domínio, um poema de Eugénio de Andrade</title>
		<link>http://vidraguas.com.br/wordpress/2009/09/02/obscuro-dominio-um-poema-de-eugenio-de-andrade/</link>
		<comments>http://vidraguas.com.br/wordpress/2009/09/02/obscuro-dominio-um-poema-de-eugenio-de-andrade/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 02 Sep 2009 13:56:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carmen</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Versos que Conversam]]></category>
		<category><![CDATA[Eugénio de Andrade]]></category>

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		<description><![CDATA[Amar-te assim desvelado entre barro fresco e ardor. Sorver entre lábios fendidos o ardor da luz orvalhada. Deslizar pela vertente da garganta, ser música onde o silêncio flui e se concentra. Irreprimível queimadura ou vertigem desdobrada beijo a beijo, brancura dilacerada. Penetrar na doçura da areia ou do lume, na luz queimada da pupila mais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/450px-Botticelli_Venus.jpg" alt="450px-Botticelli_Venus" title="450px-Botticelli_Venus" width="448" height="281" class="alignnone size-full wp-image-3787" /><br />
<br />
Amar-te assim desvelado<br />
entre barro fresco e ardor.<br />
Sorver entre lábios fendidos<br />
o ardor da luz orvalhada.<br />
<br /> <br />
Deslizar pela vertente<br />
da garganta, ser música<br />
onde o silêncio flui<br />
e se concentra.<br />
<br /> <br />
Irreprimível queimadura<br />
ou vertigem desdobrada<br />
beijo a beijo,<br />
brancura dilacerada.<br />
<br /> <br />
Penetrar na doçura da areia<br />
ou do lume,<br />
na luz queimada<br />
da pupila mais azul,<br />
<br /> <br />
no oiro anoitecido<br />
entre pétalas cerradas,<br />
no alto e navegável<br />
golfo do desejo,<br />
<br /> <br />
onde o furor habita<br />
crispado de agulhas,<br />
onde faça sangrar<br />
as tuas águas nuas.<br />
<br />
<strong>Eugénio de Andrade</strong>, Obscuro Domínio (1972) e Poesia.<br />
<br />
Fonte:http://saldalingua.wordpress.com/</p>
]]></content:encoded>
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		<title>coda, um poema de Eugénio de Andrade</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Jun 2009 20:14:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carmen</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Receitas de Poetas]]></category>
		<category><![CDATA[Versos que Conversam]]></category>
		<category><![CDATA[Eugénio de Andrade]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando o ser da luz for o ser da palavra, no seu centro arder e subir com a chama (ou baixar à agua), então estarei em casa. Eugénio de Andrade Leia mais poemas do autor: http://saldalingua.wordpress.com/]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando o ser da luz for<br />
o ser da palavra,<br />
no seu centro arder<br />
e subir com a chama<br />
(ou baixar à agua),<br />
então estarei em casa.<br />
<br />
<strong>Eugénio de Andrade</strong><br />
<span id="more-3177"></span><br />
Leia mais poemas do autor:</p>
<p>http://saldalingua.wordpress.com/</p>
]]></content:encoded>
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		<title>o sal da língua</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Mar 2009 00:34:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ricardo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Foto do Dia]]></category>
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Eugénio de Andrade]]></category>
		<category><![CDATA[Kiem Tang]]></category>

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		<description><![CDATA[Foto: Kiem Tang, ••• Persistent. O sal da língua Escuta, escuta: tenho ainda uma coisa a dizer. Não é importante, eu sei, não vai salvar o mundo, não mudará a vida de ninguém &#8211; mas quem é hoje capaz de salvar o mundo ou apenas mudar o sentido da vida de alguém? Escuta-me, não te [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-2386" title="persistente" src="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/persistente.jpg" alt="persistente" width="450" height="450" /><br />
Foto: <a href="http://www.flickr.com/photos/society_works/">Kiem Tang</a>, ••• Persistent.</p>
<p><strong>O sal da língua<br />
</strong><br />
Escuta, escuta: tenho ainda<br />
uma coisa a dizer.<br />
Não é importante, eu sei, não vai<br />
salvar o mundo, não mudará<br />
a vida de ninguém &#8211; mas quem<br />
é hoje capaz de salvar o mundo<br />
ou apenas mudar o sentido<br />
da vida de alguém?<br />
Escuta-me, não te demoro.<br />
É coisa pouca, como a chuvinha<br />
que vem vindo devagar.<br />
São três, quatro palavras, pouco<br />
mais. Palavras que te quero confiar,<br />
para que não se extinga o seu lume,<br />
o seu lume breve.<br />
Palavras que muito amei,que talvez ame ainda.<br />
Elas são a casa, o sal da língua.</p>
<p>Eugénio de Andrade – Poeta Português</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Corpo habitado</title>
		<link>http://vidraguas.com.br/wordpress/2009/03/16/corpo-habitado/</link>
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		<pubDate>Tue, 17 Mar 2009 00:56:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ricardo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Foto do Dia]]></category>
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Bill Durgin]]></category>
		<category><![CDATA[Eugénio de Andrade]]></category>

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		<description><![CDATA[Foto: Bill Durgin, Figurations. Corpo habitado Eugénio de Andrade Corpo num horizonte de água, corpo aberto à lenta embriaguez dos dedos, corpo defendido pelo fulgor das maçãs, rendido de colina em colina, corpo amorosamente humedecido pelo sol dócil da língua. Corpo com gosto a erva rasa de secreto jardim, corpo onde entro em casa, corpo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-2297" title="durgin3" src="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/durgin3.jpg" alt="durgin3" width="449" height="354" /><br />
Foto: <a href="http://billdurgin.com/">Bill Durgin</a>, Figurations. </p>
<p><strong>Corpo habitado<br />
</strong>Eugénio de Andrade</p>
<p>Corpo num horizonte de água,<br />
corpo aberto<br />
à lenta embriaguez dos dedos,<br />
corpo defendido<br />
pelo fulgor das maçãs,<br />
rendido de colina em colina,<br />
corpo amorosamente humedecido<br />
pelo sol dócil da língua.</p>
<p>Corpo com gosto a erva rasa<br />
de secreto jardim,<br />
corpo onde entro em casa,<br />
corpo onde me deito<br />
para sugar o silêncio,<br />
ouvir<br />
o rumor das espigas,<br />
respirar<br />
a doçura escuríssima das silvas.</p>
<p>Corpo de mil bocas,<br />
e todas fulvas de alegria,<br />
todas para sorver,<br />
todas para morder até que um grito<br />
irrompa das entranhas,<br />
e suba às torres,<br />
e suplique um punhal.<br />
Corpo para entregar às lágrimas.<br />
Corpo para morrer.</p>
<p>Corpo para beber até ao fim –<br />
meu oceano breve<br />
e branco,<br />
minha secreta embarcação,<br />
meu vento favorável,<br />
minha vária, sempre incerta<br />
navegação.</p>
<p>Fonte: Silva, A. C. &amp; Bueno, A., orgs. 1999. Antologia da poesia portuguesa contemporânea. RJ, Lacerda Editores. Poema</p>
]]></content:encoded>
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