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fadiga

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L’caracol et l’Ange, Salvador Dalí

Fadiga
Um pouco bem cansada
de só dia:
luz calor e dengue,
pulso sem veia,
piche fumegante,
chiclete, café e redondilhas.

Se eu cerrar os olhos,
se os abrir na mesma hora
a hora lesma se move,
eu mesma a mesma
dentro da casca que me cobre.

Sol derrete enigmas,
moleiras,
mamonas,
certezas.

Ando mesmo cansada
do sol de todo dia,
claridade intensa me comove
dissolve, fadiga.

Poema de Fernanda Marra

Leia mais poemas no blog da autora: http://mareseressacas.blogspot.com/

inóspito

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O deserto não está em mim.
Estou repleta, povoada.
O deserto são os outros,
sua sede que nunca sacia,
seu calor que não arrefece.
Minha sangria inestancável
só não sabe se desitrata, se alivia,
ou se jorra imprestável
aos que perecem em busca de oásis.

Fernanda Ribeiro Marra

Leia outros poemas da autora em seu blog: http://www.mareseressacas.blogspot.com