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	<title>Vidráguas &#187; Fernando Pessoa</title>
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		<title>Vidráguas aos 122 de Fernando Pessoa!</title>
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		<pubDate>Sun, 13 Jun 2010 19:29:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carmen</dc:creator>
				<category><![CDATA[Eventos]]></category>
		<category><![CDATA[Videos]]></category>
		<category><![CDATA[Fernando Pessoa]]></category>
		<category><![CDATA[Maria Bethania]]></category>

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		<title>pessoas, pessoa</title>
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		<pubDate>Sat, 30 Jan 2010 13:33:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carmen</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Versos que Conversam]]></category>
		<category><![CDATA[Fernando Pessoa]]></category>
		<category><![CDATA[Paulo Neves]]></category>

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		<description><![CDATA[Pessoa

No fingimento de teus versos
descobri que a língua podia
sentir-me fora de mim.
Eu também quis ser toda gente
e em toda parte traduzir-me.
Sou o outro que fui outrora?
Em meus versos, mais compacto,
o teu sentimento ainda soa.

Poema Pessoa, p. 13 do livro: Viagem, espera de Paulo Neves, Companhia das Letras- 2006  
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pessoa<br />
<br />
No fingimento de teus versos<br />
descobri que a língua podia<br />
sentir-me fora de mim.<br />
Eu também quis ser toda gente<br />
e em toda parte traduzir-me.<br />
Sou o outro que fui outrora?<br />
Em meus versos, mais compacto,<br />
o teu sentimento ainda soa.<br />
<br />
Poema <em>Pessoa,</em> p. 13 do livro: <em>Viagem, espera</em> de Paulo Neves, Companhia das Letras- 2006  </p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>pensando a Poesia com Fernando Pessoa</title>
		<link>http://vidraguas.com.br/wordpress/2010/01/29/pensando-a-poesia-com-fernando-pessoa/</link>
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		<pubDate>Fri, 29 Jan 2010 02:16:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carmen</dc:creator>
				<category><![CDATA[Receitas de Poetas]]></category>
		<category><![CDATA[Versos que Conversam]]></category>
		<category><![CDATA[conversando sobre literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Fernando Pessoa]]></category>
		<category><![CDATA[pensando com]]></category>
		<category><![CDATA[Teresa Rita Lopes]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;&#8230; o poeta é um fingidor
finge tão completamente
que chega a fingir que é dor
a dor que deveras sente&#8230;&#8221;



&#8220;&#8230;A palavra contém dois elementos – esse elemento presentação e o elemento ritmo. Na literatura em prosa, o ritmo é uma consequência e um elemento subordinado. Na poesia inverte-se essa situação, e o ritmo passa a ser o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;&#8230; <em>o poeta é um fingidor<br />
finge tão completamente<br />
que chega a fingir que é dor<br />
a dor que deveras sente</em>&#8230;&#8221;<br />
<br />
<img src="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/fernando-pessoa.jpg" alt="fernando-pessoa" title="fernando-pessoa" width="312" height="448" class="alignnone size-full wp-image-4627" /><br />
<br />
&#8220;&#8230;A palavra contém dois elementos – esse elemento presentação e o elemento ritmo. Na literatura em prosa, o ritmo é uma consequência e um elemento subordinado. Na poesia inverte-se essa situação, e o ritmo passa a ser o elemento predominante. Assim, num sentido, que é o de que aqui nos servimos, a poesia se opõe à literatura. A poesia parte da emoção, a prosa da inteligência. Por isso não é permitido ser confuso em prosa, a não ser que essa prosa seja poesia. Em poesia a clareza não é necessária, desde que o ritmo o seja.<br />
<br /> <br />
O ritmo e o sentido – um poema é uma obra literária em que o sentido se determina através do ritmo. O ritmo pode determinar o sentido inteira ou parcialmente. Quando a determinação é inteira, é o ritmo que talha o sentido, quando é parcial, é no ritmo que o sentido se precisa ou precipita. Na tradução de um poema, portanto, o primeiro elemento a fixar é o ritmo.<br />
<br />
Três tipos de poetas – poetas de profundeza (pensamento), em que a base inspiracional é uma idéia, uma compreensão, interpretação das cousas; &#8211; poetas de construção, em que a base inspiracional é o assunto, isto é, uma cousa vista como um todo composto de detalhes; &#8211; poetas de intensidade, em que a base inspiracional é consoante o grau de sensação que uma cousa desperta.<br />
<br />
Poetas pensadores – são de três espécies: &#8211; aqueles em que o poeta e o personagem estão absolutamente fundidos (Anthero); &#8211; aqueles em que o pensamento e a expressão poética d’ ele se acham inteiramente separados, de modo que o pensamento é conscientemente posto em verso, ainda que sendo a natureza artística intensa, em magnífico verso (Goethe em parte); Hugo às vezes; os poetas do século 18; &#8211; aqueles em que o pensamento é pensado poeticamente, mas não realizado com perfeito (e artístico) afastamento; nem com fusão modeladora em perfeita arte, do pensamento (Bocage, Wordsworth, Pascoaes).<br />
<br />
<img src="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/pessoainedito.jpg" alt="pessoainedito" title="pessoainedito" width="336" height="448" class="alignnone size-full wp-image-4628" /><br />
<br />
leia todo o recorte<br />
<span id="more-4626"></span><br />
<br />
O ritmo e a onda – o movimento de qualquer composição literária é o da onda. Divide-se em 3, 4 ou 5 tempos esse movimento, consoante a maneira como se decomponha para a nossa análise. O movimento da ode consiste essencialmente em 3 tempos, e, como o da ode, o de toda poesia lírica. O movimento está tradicionalmente gravado na estrofe, antiestrofe e epodo da ode grega. O primeiro tempo corresponde à lenta subida da onda, ao chegar à praia; o segundo movimento corresponde àquele tempo em que a onda reflui sobre si própria, curvando-se; o terceiro tempo corresponde àquele gesto da vaga quando, findo o movimento anterior, se espraia e alonga pela areia. Assim, pois, as relações entre a estrofe e a antiestrofe são as seguintes: a antiestrofe procede da estrofe ou prolonga-a; e, ao mesmo tempo, opõe-se-lhe; assim como, ao fazê-lo, a faz culminar. As relações entre a antiestrofe e o epodo são análogas, posto que não iguais. O epodo ao mesmo tempo que prolonga a antiestrofe, liga, por cima d’ ela, com a estrofe; e, ao fazer isto, completa o movimento ideativo posto na estrofe, que a antiestrofe ao mesmo tempo prolongou e interrompeu. É o movimento tese-antitese-síntese da dialética platônica. Foi a grande descoberta dos gregos na arte esta da estruturação.<br />
<br /> <br />
Fica, desde já, compreendido porque é que o final dos poemas e das outras obras literárias da Grécia é calmo; porque o fim da onda, o seu espraiar-se está ao mesmo nível que o princípio, e o princípio tem de ser calmo, porque é o princípio. O fim regressa ao nível do princípio.<br />
O lirismo puro – conhece-se a poesia lírica pelo fato de ser quase desprezível a ideação ou o sentimento para existir uma boa poesia lírica. Assim o “Ai flores, ai flores do verde pino” ou o “levantou-se a velida” de D. Diniz, rei de Portugal, são poesias líricas maravilhosas conquanto contenham uma insignificante base ideativa ou mesmo emocional. É o lirismo puro. Claro está que, dentro deste lirismo, a poesia será tanto maior quanto mais idéia e emoção contém. O lirismo de Burns é parco ao lado do de Shelley&#8230;&#8221;<br />
<br />
Teresa Rita Lopes, <em>Pessoa inédito</em>,  Lisboa: Horizonte, 1993<br />
*(capit. 7: A palavra e a voz – sub-cap. 7.1 Sobre a arte literária &#8211; pag 382 a 388)<br />
A autora do livro traz como “sem data” os textos inéditos de Fernando Pessoa. </p>
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		<item>
		<title>apontamento, poema de Fernando Pessoa</title>
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		<pubDate>Mon, 03 Aug 2009 18:21:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carmen</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Versos que Conversam]]></category>
		<category><![CDATA[Fernando Pessoa]]></category>

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		<description><![CDATA[Apontamento

A minha alma partiu-se como um vaso vazio.
Caiu pela escada excessivamente abaixo.
Caiu das mãos da criada descuidada.
Caiu, fez-se em mais pedaços do que havia  louça no vaso.

Asneira? Impossível? Sei lá!
Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.
Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir.

Fiz barulho na queda como um vaso [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Apontamento<br />
<br />
A minha alma partiu-se como um vaso vazio.<br />
Caiu pela escada excessivamente abaixo.<br />
Caiu das mãos da criada descuidada.<br />
Caiu, fez-se em mais pedaços do que havia  louça no vaso.<br />
<br />
Asneira? Impossível? Sei lá!<br />
Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.<br />
Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir.<br />
<br />
Fiz barulho na queda como um vaso que se partia.<br />
Os deuses que há debruçam-se do parapeito da escada.<br />
E fitam os cacos que a criada deles fez em mim.<br />
<br />
Não se zanguem com ela.<br />
São tolerantes com ela.<br />
O que era eu um vaso vazio?<br />
<br />
Olham os cacos absurdamente conscientes,<br />
Mas conscientes de si mesmos, não conscientes deles.<br />
<br />
Olham e sorriem.<br />
Sorriem tolerantes à criada involuntária.<br />
<br />
Alastra a grande escadaria atapetada de estrelas.<br />
Um caco brilha, virado do exterior lustroso, entre os astros.<br />
A minha obra? A minha alma principal? A minha vida?<br />
Um caco.<br />
E os deuses olham-o especialmente, pois não sabem por que ficou ali.<br />
<br />
<strong>Fernando Pessoa</strong>, pag. 119, <em>Antologia Poética</em>, EDIOURO.</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>isto</title>
		<link>http://vidraguas.com.br/wordpress/2009/03/22/isto/</link>
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		<pubDate>Sun, 22 Mar 2009 17:37:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ricardo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Foto do Dia]]></category>
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Fernando Pessoa]]></category>
		<category><![CDATA[Zhang Jingna]]></category>

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		<description><![CDATA[
Foto:Zhang Jingna, Ophelia.
ISTO
Dizem que finjo ou minto
Tudo que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.
Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.
Por isso escrevo em meio
Do que não está ao pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é.
Sentir? [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/ophelia.jpg" alt="ophelia" title="ophelia" width="333" height="500" class="alignnone size-full wp-image-2359" /><br />
Foto:<a href="http://zemotion.net/">Zhang Jingna</a>, Ophelia.</p>
<p>ISTO</p>
<p>Dizem que finjo ou minto<br />
Tudo que escrevo. Não.<br />
Eu simplesmente sinto<br />
Com a imaginação.<br />
Não uso o coração.</p>
<p>Tudo o que sonho ou passo,<br />
O que me falha ou finda,<br />
É como que um terraço<br />
Sobre outra coisa ainda.<br />
Essa coisa é que é linda.</p>
<p>Por isso escrevo em meio<br />
Do que não está ao pé,<br />
Livre do meu enleio,<br />
Sério do que não é.<br />
Sentir? Sinta quem lê!</p>
<p>Fernando Pessoa, Antologia Poética, Coleção Prestígio, EDIOURO</p>
]]></content:encoded>
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