a minha, a tua,
eu poderia dizê-la em duas
ou três palavras ou mesmo
numa
corpo
sem falar das amplas
horas iluminadas,
das exceções, das depressões
das missões,
dos canteiros destroçados feito a boca
que disse a esperança
fogo
sem adjetivar a pele
que rodeia a carne
os últimos verões que vivemos
a camisa de hidrogênio
com que a morte copula
(ou a ti, março, rasgado
no esqueleto dos santos)
Poderia escrever na pedra
meu nome
gullar
mas eu não sou uma data nem
uma trave no quadrante solar
Eu escrevo
facho
nos lábios da poeira
lepra
vertigem
cana
qualquer palavra que disfarça
e mostra o corpo esmerilado do tempo
Durante um encontro com a poeta e atriz Elisa Lucinda, na Casa Poema, no Rio de Janeiro, o poeta Ferreira Gullar, nos concedeu uma descontraída entrevista, onde falou, entre outras coisas sobre arte, e a sua arte específica , a poesia, que passou por mudanças notáveis ao longo do anos. “Porque você vai descobrindo outras coisas, indagando outras coisas, e isso se reflete no modo de fazer poesia.”
Uma das vozes mais importantes da arte brasileira, Ferreira Gullar é um exemplo de vigor intelectual – é crítico de arte, poeta, tradutor, biógrafo, memorialista e ensaísta. Aos 79 anos, numa trajetória que atravessa momentos decisivos da formação da nossa cultura, Gullar ainda permite se espantar com o dia-a-dia. A gênese da obra do poeta está nas surpresas que a vida reserva.
Amanhã mais “Arte sem explicação” nas ruas.
É! Dez quadros de Ferreira Gullar, vestidos em Serigrafias editadas pela Papel Assinado, ganham a rua e, certamente, será arte, será arte…
O lançamento será na Realidade Galeria e Arte, em Ipanema.
Enquanto isso,leiamos o Poeta:
… Meu corpo
que deitado na cama vejo
como um objeto no espaço
que mede 1,70 m
e que sou eu: essa coisa deitada
barriga pernas e pés
com cinco dedos cada um ( por que
não seis?)
joelhos e tonozelos
para mover-se
sentar-se
levantar-se
Alquimia do ferro
(…)É que há no mundo
de Xico Stockinger
um outro mundo
a conhecer:
com seus clarões
faíscas soldas
temperatura
de alta magia
que faz nascer
feros guerreiros
nunca sonhados
mas que, soldados,
ali nos surgem
iluminados
pela ferrugem.
Este fragmento está em A Matéria Encantada – Xico Stockinger por Achutti, Livro que reúne imagens do artista em seu ateliê e de suas esculturas, prefaciado por poema do Poeta Ferreira Gullar.
Chama Viva, segue Xico em nossos corações e Vidráguas à Arte que em Livro se refaz Eterna!!!
Leiam e saibam mais mais no artigo A Perda, por Eduardo Veras, Segundo Caderno, Jornal ZH de 14 de abril de 2009.