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Novelo Poético Vidráguas, encaiXes de uma fotografia com poema de Ferreira Gullar

Hoje o Novelo Poético é com fotografia de Rodrigo Rios de Lucas e o poema Uma fotografia aérea de Ferreira Gullar…

E seguimos nossos experimentalismos poéticos toda sextas-feira em Vidráguas em redes sociais, e gracias Vanessa Vieira pela colagem e auxílio nesta edição.



UMA FOTOGRAFIA AÉREA

Eu devo ter ouvido no meu quarto
um barulho cortar outros barulhos
no alarido da época
rolando
por cima do telhado
eu
devo ter ouvido
(sem ouvir)
o ronco do motor enquanto lia
e ouvia
a conversa da família na varanda
dentro daquela tarde
que era clara
e para sempre perdida
que era clara
e para sempre
em meu corpo
a clamar
(entre zunidos)
de serras entre gritos
na rua
entre latidos
de cães
no balcão da quitanda
no açúcar já-noite das laranjas
no sol fechado
e podre
àquela hora
dos legumes que ficaram sem vender
no sistema de cheiros e negócios
do nosso Mercado Velho
– o ronco do avião)

eu devo ter ouvido
seu barulho atolou-se no tijuco
da Camboa na febre
do Alagado resvalou
nas platibandas sujas
nas paredes de louça
penetrou no quarto entre redes
fedendo a gente
entre retratos
nos espelhos
onde a tarde dançava iluminada
Seu barulho
era também a tarde ( um avião) que passava
ali
como eu
passava à margem do Bacanga
em São Luís do Maranhão
no norte
do Brasil
sob as nuvens

eu devo ter ouvido
ou mesmo visto
o avião como um pássaro
branco
romper o céu
veloz voando sobre as cores da ilha
num relance passar
no ângulo da janela
como um fato qualquer
eu devo ter ouvido este avião
que às três e dez de uma tarde
há trinta anos
fotografou nossa cidade

Leia todo o NoVelo Poético Vidráguas

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E o JABUTI 2011, vai também para Ferreira Gullar, olha a Poesia aí…

Ferreira Gullar e Laurentino Gomes vencem o Prêmio Jabuti 2011.

E, sim Poeta um prêmio mostra um reconhecimento, é justo:


O Duplo

Foi-se formando
ao meu lado
um outro
que é mais Gullar do que eu

que se apossou do que vi
do que fiz
do que era meu

e pelo país flutua
livre da morte
e do morto

pelas ruas da cidade
vejo-o passar
com meu rosto

mas sem o peso
do corpo
que sou eu
culpado e pouco

Ferreira Gullar, p.38, Em alguma parte alguma, JOSÉ OLYMPIO

Mais Notícias Sobre O JABUTI – 2011
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traduzir-se em quadrinhos, Projeto PontuAção



Para ler, cliquem na imagem

Hoje na Arte de Luiza Maciel Nogueira temos Gullar em poesia em quadrinhos e logo traremos mais novidades do Projeto PontuAção que logo estará estreando em Escolas com a coordenação de Hosamis Pádua e a parceria de Vidráguas Cultural, acompanhem.

Ferreira Gullar não basta ler, tem que compartilhar…

Redescoberta de Oswald de Andrade
por FERREIRA GULLAR



Creio que foi em 1953 que eu, ao entrar na livraria da editora José Olympio, então na rua do Ouvidor, deparei-me, sobre um balcão, com vários exemplares do livro “Serafim Ponte Grande”, de Oswald de Andrade, a preço de liquidação.

Eu, que o conhecia de nome de uns raros poemas, comprei um exemplar e, naquele mesmo dia, o li dando gargalhadas. É certo que sempre tive simpatia pelos irreverentes, talvez porque da irreverência resulte uma ruptura com a mesmice.

Essa releitura foi para mim uma revelação. Oswald ainda estava vivo, mas quase ninguém tomava conhecimento de sua literatura. Agora ele acaba de ser homenageado pela Flip.

Leiam toda a Crônica aqui ou no Jornal Folha de São Paulo, na Ilustrada de domingo, 17/7/2011

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homenagem a Ferreira Gullar

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Poema para Ferreira Gullar

Gullar: força de vida
iluminação constante
escrita viva que
do seu jeito
nos leva adiante.
Gullar: coração amigo
e claramente pulsante
onde enfim
nos ama
e nunca é
o de antes.

Sérvio Lima

Leiam mais poemas no blog do autor:
http://3030servio.blogspot.com/