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	<title>Vidráguas &#187; ferreira gullar</title>
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		<title>Novelo Poético Vidráguas, encaiXes de uma fotografia com poema de Ferreira Gullar</title>
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		<pubDate>Fri, 02 Dec 2011 19:45:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carmen</dc:creator>
				<category><![CDATA[De verso em verso...um novelo poético.]]></category>
		<category><![CDATA[Foto do Dia]]></category>
		<category><![CDATA[Receitas Vidráguas]]></category>
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		<description><![CDATA[Hoje o Novelo Poético é com fotografia de Rodrigo Rios de Lucas e o poema Uma fotografia aérea de Ferreira Gullar&#8230; E seguimos nossos experimentalismos poéticos toda sextas-feira em Vidráguas em redes sociais, e gracias Vanessa Vieira pela colagem e auxílio nesta edição. UMA FOTOGRAFIA AÉREA Eu devo ter ouvido no meu quarto um barulho [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje o <a href="http://vidraguas.com.br/wordpress/2011/11/18/novelo-poetico-vidraguas-uma-mulher-espera-por-mim-lendo-whitman-em-nossos-experimentalismos-poeticos/">Novelo Poético</a> é com fotografia de <a href="https://www.facebook.com/riosdelucas">Rodrigo Rios de Lucas </a>e o poema Uma fotografia aérea de Ferreira Gullar&#8230;<br />
<br />
E seguimos nossos <a href="http://vidraguas.com.br/wordpress/2011/11/11/a-flor-aquatica-novelo-poetico-vidraguas-com-alberto-de-moraes/">experimentalismos poéticos</a> toda sextas-feira em <a href="https://www.facebook.com/groups/169339666456388/">Vidráguas</a> em redes sociais, e gracias <a href="https://www.facebook.com/profile.php?id=100001373960958">Vanessa Vieira</a> pela colagem e auxílio nesta edição.<br />
<br />
<a href="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/314629_241776752549732_100001522282677_712484_325029834_n.jpg" rel="lightbox[13092]"><img src="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/314629_241776752549732_100001522282677_712484_325029834_n-200x300.jpg" alt="" title="314629_241776752549732_100001522282677_712484_325029834_n" width="200" height="300" class="alignnone size-medium wp-image-13094" /></a><br />
<br />
UMA FOTOGRAFIA AÉREA<br />
<br />
Eu devo ter ouvido no meu quarto<br />
um barulho cortar outros barulhos<br />
no alarido da época<br />
rolando<br />
por cima do telhado<br />
eu<br />
devo ter ouvido<br />
(sem ouvir)<br />
o ronco do motor enquanto lia<br />
e ouvia<br />
a conversa da família na varanda<br />
dentro daquela tarde<br />
que era clara<br />
e para sempre perdida<br />
que era clara<br />
e para sempre<br />
em meu corpo<br />
a clamar<br />
(entre zunidos)<br />
de serras entre gritos<br />
na rua<br />
entre latidos<br />
de cães<br />
no balcão da quitanda<br />
no açúcar já-noite das laranjas<br />
no sol fechado<br />
e podre<br />
àquela hora<br />
dos legumes que ficaram sem vender<br />
no sistema de cheiros e negócios<br />
do nosso Mercado Velho<br />
– o ronco do avião)<br />
<br />
eu devo ter ouvido<br />
seu barulho atolou-se no tijuco<br />
da Camboa na febre<br />
do Alagado resvalou<br />
nas platibandas sujas<br />
nas paredes de louça<br />
penetrou no quarto entre redes<br />
fedendo a gente<br />
entre retratos<br />
nos espelhos<br />
onde a tarde dançava iluminada<br />
Seu barulho<br />
era também a tarde ( um avião) que passava<br />
ali<br />
como eu<br />
passava à margem do Bacanga<br />
em São Luís do Maranhão<br />
no norte<br />
do Brasil<br />
sob as nuvens<br />
<br />
eu devo ter ouvido<br />
ou mesmo visto<br />
o avião como um pássaro<br />
branco<br />
romper o céu<br />
veloz voando sobre as cores da ilha<br />
num relance passar<br />
no ângulo da janela<br />
como um fato qualquer<br />
eu devo ter ouvido este avião<br />
que às três e dez de uma tarde<br />
há trinta anos<br />
fotografou nossa cidade<br />
<br />
Leia todo o NoVelo Poético Vidráguas<br />
<br />
<span id="more-13092"></span><br />
<br />
meu rosto agora<br />
sobrevoa<br />
sem barulho<br />
esta fotografia aérea<br />
Aqui está<br />
num papel<br />
a cidade que houve<br />
(e não me ouve)<br />
com suas águas e seus mangues<br />
aqui está<br />
(no papel)<br />
uma tarde que houve<br />
com suas ruas e casas<br />
uma tarde<br />
com seus espelhos<br />
e vozes ( voadas<br />
na poeira)<br />
uma tarde que houve numa cidade<br />
aqui está<br />
no papel que ( se quisermos) podemos rasgar<br />
<br />
Poema de Ferreira Gullar –Dentro da Noite Veloz ( 1962-1975)<br />
<br /> <br />
O argumento foi ler duas artes que con√ersam, uma fotografia e um poema, recortes do imaginário que simbolicamente podem co-existir&#8230;<br />
uma fotografia pode radiografar a alma e um poema também, então de que alma falamos, qual é a textura da poesia?<br />
<br />
hey, foto &#038; grafias, como seguir?<br />
<br />
há momentos que nos escapam das mãos, no entanto o tempo tecido existiu, ele está na janela, está na poesia, está numa fotografias&#8230;<br />
está numa poesia, está numa música, está numa con√ersa e isso é Arte&#8230;<br />
<br />
onde está a Poesia antes de estar no papel, no livro, na folha em branco?<br />
onde está a fotografia antes de estar no álbum?<br />
de estar na memória de todos?<br />
onde está o olhar antes de estar na poesia e na fotografia?<br />
resumindo !!! no coração&#8230;..<br />
<br />
Que é a essência da vida&#8230; Não é Rodrigo&#8230;?<br />
é&#8230; parece fácil, mas e onde está o coração?(rs)&#8230;<br />
e chegamos a Vida&#8230; e chegamos a fonte, ao eterno paradoxo. Sim Vanessa Vieira<br />
<br />
Descobri que fotografar é escrever com luz&#8230; As fotos também são poemas&#8230; Que beleza poder guardar uma imagem que nos é cara através dessa bela escrita&#8230;. Mas digo também que para isso há que se ter ouvidos e olhos abertos&#8230; Assim guardaremos bem os &#8216;barulhos de nossos&#8217; QUARTOS&#8230;<br />
E chegamos a Traduzir-se na voz de Adriana Calcanhoto<br />
<br />
é começo de todas as poesias, fotografias, versos &#038; contos&#8230; a caixa estava sempre guardada em um outro mundo&#8230; mundo de desejo de está próximo num coração num batimento de reconstrução que com ajuda da memória podemos entanto transformar a simbologia perante um pedaço de papel com ponta de tinta a recriar movimentos vividos&#8230;num simples fechar de olhos. beijos &#038; abraços &#038; adorei essa fotografia tão simbólica.<br />
<br />
memória e movimento/ sombra e luz/ tempo e espaço/ imaginário e simbólico&#8230; Poesia!<br />
claro/oscuro<br />
<br />
Poesia límpida&#8230; Com ranhuras que só lhe fazem mais belas!!!! imaginem a beleza de um quarto cheio de marcas voltadas à construção da vida!!!!!<br />
Simbólico espaço de tempo que refaz a memória com poesia me refaço &#038; revigoro o que foi levado só em matéria física porque o sonho continua a sonhar. beijos. beijos &#8230;.<br />
Isso Rodrigo.. Traduza-se&#8230;. Mostre que a poesia É&#8230;.<br />
Retratos Da Vida (Bolero) ( Les Uns et les autres) trailer<br />
lembrei deste filme&#8230;<br />
Bolero, Ravel &#8211; Retratos da Vida &#8211; Les Uns et les Autres<br />
<br />
e assim&#8230; vivendo atrás do tempo e logo adiantando o tempo para andar junto e embalar com sopro de luz a iluminar a grama verde por onde passei e deixei apenas&#8230;.a tinta com papel a desenhar &#8230; os caminhos que passo com os pés molhados com passos e compassos a calcular os movimentos dos pedaços de abraços que ficaram para os fatos de sombra dos passados.! beijos..!! complexo mais quem saberá ler entenderá. bay bay. Caririaçu &#8211; Jardim Molhado do Sertão http://www.youtube.com/watch?v=ufJYrOK6q-8<br />
<br />
fotografia/ poesia/ memória&#8230;iconografias&#8230;paisagens poéticas!!<br />
e para que pé se tenho asas para voar/ para que pés se tenho versos para viajar/ se tenho imaginação para radiografar&#8230;<br />
memória da pele/ na foto esmaecida/ lembranças doridas de felizes momentos/ em preto e branco<br />
<br />
o trabalho debruça-se sobre o gérmen da expressão,permitem explorarmos as trajetórias, os estilos particulares e as regiões limítrofes desta produção artística. Nestas gerações de artistas, examinamos ainda, as lutas travadas no interior da cabeça do poeta! beijos.<br />
<br />
Tanto tempo e meus olhos ainda vêem a cor cinza que se espalha pelas ruas, o barulho dos passos a passar por mim, uma visão dos sonhos perdidos nas esquinas e nas entradas dos metrôs, o relógio marcando os minutos que passam em segundos&#8230;<br />
<br />
Ravel&#8230; Uma grande poesia&#8230; Um quarto que fala através das pausas das notas musicais. Nem me atrevo a ouvir se não desmonto&#8230;<br />
rsrsb hoje to que to em!! vamos acho que vai nascer palavras &#8230;brotar minha cabeça doí para se desenvolver&#8230;bem um cházinho cai bem.<br />
<br />
é&#8230;se não fosse o preto esta tela monocromática não produziria os negativos.. a vida como ela é&#8230; Retratos branco no preto&#8230; sem nada a colorir, tudo seria fotografias e ençaixo a contra-capa de encai≈es e logo volto&#8230;<br />
<br />
cardiografias/ poemas registrados/ no pulsar das horas&#8230;cardiogramas poéticos e ..<br />
o tempo que se desfaz<br />
na memória que se refaz<br />
olhos fitos na eternidade<br />
de uma revelação<br />
imagem imortalizada<br />
<br />
Será o rio a passar ou eu a passar pelo rio, já não sei, me perco na beleza e no frio<br />
te entranhas/ te envolves/ te diz do canto a pauta e sim há poesia&#8230;<br />
<br />
Grande e bela imagem&#8230;<br />
Preto ou branco,<br />
Azul ou Amarela<br />
Negativo, sépia&#8230;<br />
<br />
Ela sempre retrata vida!<br />
<br />
e da imagem refeita a doce lembrança vivida, navego nas palavras que resgato de um pensar já há muito adormecido<br />
photoPoema, photografias de Londres aqui&#8230; na caixa a capa, no coração o papel tibrado, o viver marcado, o sentimento atento&#8230;<br />
<br />
no negativo a lembrança<br />
preservada e intacta<br />
imagem oculta<br />
<br />
SERÁ REVELADA?<br />
<br />
foto esmaecida/ contornos indefinidos/um momento obscuro/ assim revelado/ numa foto qualquer esquecido<br />
<br />
Um dia quem sabe&#8230;<br />
as imagens falam por si&#8230;<br />
ai dos que estão por perto<br />
quando elas se revelam&#8230;.<br />
<br />
Esqueçamos o passado,rasgaremos as fotografias,assim restará a esperança de ficarmos melhores e sem nostalgias<br />
vício de parar tempo. gosto por prender mundo&#8230; eis que a fotografia toma conta.<br />
a poesia também&#8230; pega num estalo. click. e já se está dominado.<br />
<br />
‎&#8230;momentos de vida colados na imagem revelada, luz delineada num espaço de tempo imortal, modelando uma poesia no ar&#8230;<br />
o passado se faz hoje, agora, jovem lembrança de um céu, de um rio, de um presente colorido<br />
‎&#8230;no álbum folheado as imagens dançam, trançando palavras e versos em rimas, num lindo bailado festivo&#8230;<br />
<br />
essa pemanência nas fotos,esse ficar e ir em nós é assim como a rima um detalhe ,uma vida que sempre estará em tudo<br />
ah e as cores, iluminando o olhar de tantos poetas que, passam sua visão para a tela, fazem os sonhos criarem vida<br />
<br />
‎&#8230;na lente o olho, o olho na imagem, a imagem no coração, no coração a poesia&#8230;<br />
‎&#8230;o preto &#038; branco se fez cor e leveza, na pose, nos versos, no tempo&#8230;<br />
‎&#8230;existe um mapa traçado por kandinsky/ sem tiros no retrato/ cem tiros no portrait/enola gay sobre londres/o piloto em gesta/em gesto anGullar bombardeia a colcha/ a deixa em retalhos&#8230;<br />
‎&#8230;ficção de um momento de vida esquecida, revivida, tecida de lembranças e esperanças&#8230;<br />
‎&#8230;poesia do estável&#8230;<br />
‎&#8230;o &#8220;clic&#8221; é o êxatase que explode, fixa e emoldura a imagem, pintando de cores &#038; sabores a ânsia do ver&#8230;<br />
<br />
Gullar é o maior poeta brasileiro em atividade<br />
<br />
Na fotografia ouve-se a voz muda, vê-se o barulho escondido na luz, as memórias enterradas nos perfis, o imaginário emergindo versos&#8230;<br />
<br />
uma imagem faz uma revolução, e nos faz seguir caminhantes&#8230; acões, verbos, movimento&#8230;<br />
Movimentos em ações faz seguir a imagem em evolução que transparece num tok.<br />
sim, num click tudo se transforma&#8230; beijos Rodrigo Rios de Lucas e parafraseando Vinicius de Moraes&#8230; é uma caixa muita encantada, ninguém podia meter a mão e que ela volte(rs)&#8230;beijos.<br />
<br />
Olha só&#8230;Lembro também de Vinícius Carmen Lucia Lima Sarmento&#8230; Aquilo que ouso não é o que quero&#8230; Eu quero o repouso do que não espero&#8230; Quantas transformações fazemos sem perceber&#8230; Sem querer&#8230; Que quereres teremos realmente?Que movimentos estamos fazendo&#8230;?<br />
<br />
O novelo foi lindo. Quando será publicado???<br />
ainda está acontecendo e sexta-feira estará&#8230;este é o dia dos De9(a)fiadores novelaram por aqui, Ianê Mello.<br />
<br />
ah, sim&#8230; então continua até findar a noite&#8230;<br />
Jovem Pan: Repórter JP vive um dia de Beatles na Abbey Road<br />
uma rua, uma história, imagens, recordações, notas&#8230;Poesia!!<br />
ufa, achei&#8230; agora segunda colagem&#8230; e depois seguir com a fiação de hoje&#8230; beijos e até mais.<br />
<br />
Ah e hoje sabemos, Gullar ganhou o Jabuti&#8230; Em Alguma parte Alguma&#8230;a Poesia chegando.. eba!!<br />
<br />
Participaram deste Novelo Poético:<br />
Carmen Silvia Presotto, Rodrigo Rios de Lucas, Loiri Zancanella Cortese., Ianê Mello, Vanessa Vieira, Julio Saraiva, Chag Adrian, Carmen Lucia Lima Sarmento, Adriane Lima, Paula Quinaud<br />
<br />
e como teatro é platéia, nos sopra Nelson Rodrgues, emendamos… poesia é apoio, escuta e no face curtições, e harmonia…então nos cliques de leitura e apoio… além dos autores citados acima,Juliana Botelho, Isabel Aguiar, Janet Zimermann, Geu Colicchio, José Sá, Clelia Cordeiro.<br />
<br />
Um beijo a todos e seguimos!!</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>E o JABUTI 2011, vai também para Ferreira Gullar, olha a Poesia aí&#8230;</title>
		<link>http://vidraguas.com.br/wordpress/2011/12/02/e-o-jabuti-2011-vai-tambem-para-ferreira-gullar-olha-a-poesia-ai/</link>
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		<pubDate>Fri, 02 Dec 2011 18:41:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carmen</dc:creator>
				<category><![CDATA[conversando sobre literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Eventos]]></category>
		<category><![CDATA[Foto do Dia]]></category>
		<category><![CDATA[Receitas de Poetas]]></category>
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		<category><![CDATA[carmen vidráguas]]></category>
		<category><![CDATA[Em alguma parte alguma]]></category>
		<category><![CDATA[ferreira gullar]]></category>
		<category><![CDATA[prêmio jabuti 2011]]></category>
		<category><![CDATA[Vidráguas]]></category>

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		<description><![CDATA[Ferreira Gullar e Laurentino Gomes vencem o Prêmio Jabuti 2011. E, sim Poeta um prêmio mostra um reconhecimento, é justo: O Duplo Foi-se formando ao meu lado um outro que é mais Gullar do que eu que se apossou do que vi do que fiz do que era meu e pelo país flutua livre da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ferreira Gullar e Laurentino Gomes vencem o Prêmio Jabuti 2011.<br />
<br />
E, sim Poeta um prêmio mostra um reconhecimento, é justo:<br />
<br />
<a href="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/em-alguma-parte-alguma1.jpg" rel="lightbox[13088]"><img src="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/em-alguma-parte-alguma1-195x300.jpg" alt="" title="em-alguma-parte-alguma1" width="195" height="300" class="alignnone size-medium wp-image-13089" /></a><br />
O Duplo<br />
<br />
Foi-se formando<br />
ao meu lado<br />
um outro<br />
que é mais Gullar do que eu<br />
<br />
que se apossou do que vi<br />
do que fiz<br />
do que era meu<br />
<br />
e pelo país flutua<br />
livre da morte<br />
e do morto<br />
<br />
pelas ruas da cidade<br />
vejo-o passar<br />
com meu rosto<br />
<br />
mas sem o peso<br />
do corpo<br />
que sou eu<br />
culpado e pouco<br />
<br />
Ferreira Gullar, p.38, <em>Em alguma parte alguma</em>, JOSÉ OLYMPIO<br />
<br />
Mais Notícias Sobre O JABUTI &#8211; 2011<br />
<span id="more-13088"></span><br />
<br />
<a href="http://www.cbl.org.br/jabuti/">http://www.cbl.org.br/jabuti/</a><br />
<br />
<a href="http://www.publico.pt/Cultura/obras-de-ferreira-gullar-e-laurentino-gomes-sao-os-livros-do-ano-do-jabuti--1523533">http://www.publico.pt/Cultura/obras-de-ferreira-gullar-e-laurentino-gomes-sao-os-livros-do-ano-do-jabuti&#8211;1523533</a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://vidraguas.com.br/wordpress/2011/12/02/e-o-jabuti-2011-vai-tambem-para-ferreira-gullar-olha-a-poesia-ai/feed/</wfw:commentRss>
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		</item>
		<item>
		<title>traduzir-se em quadrinhos, Projeto PontuAção</title>
		<link>http://vidraguas.com.br/wordpress/2011/07/20/traduzir-se-em-quadrinhos-projeto-pontuacao/</link>
		<comments>http://vidraguas.com.br/wordpress/2011/07/20/traduzir-se-em-quadrinhos-projeto-pontuacao/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 20 Jul 2011 13:46:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carmen</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Pontuação - Letras em Quadrinhos]]></category>
		<category><![CDATA[Versos que Conversam]]></category>
		<category><![CDATA[carmen silvia presotto; carmen]]></category>
		<category><![CDATA[carmen vidráguas]]></category>
		<category><![CDATA[ferreira gullar]]></category>
		<category><![CDATA[Hosamis Pádua]]></category>
		<category><![CDATA[Luiza Maciel Nogueira]]></category>
		<category><![CDATA[poesia em quadrinhos]]></category>
		<category><![CDATA[poesia nas escolas]]></category>
		<category><![CDATA[Projeto Pontuação]]></category>
		<category><![CDATA[traduzir-se]]></category>

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		<description><![CDATA[Para ler, cliquem na imagem Hoje na Arte de Luiza Maciel Nogueira temos Gullar em poesia em quadrinhos e logo traremos mais novidades do Projeto PontuAção que logo estará estreando em Escolas com a coordenação de Hosamis Pádua e a parceria de Vidráguas Cultural, acompanhem.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/Gullarquadrinhos.jpg" rel="lightbox[11214]"><img src="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/Gullarquadrinhos-210x300.jpg" alt="" title="Gullarquadrinhos" width="448" height="336" class="alignnone size-medium wp-image-11215" /></a><br />
<br />
Para ler, cliquem na imagem<br />
<br />
Hoje na Arte de Luiza Maciel Nogueira temos Gullar em poesia em quadrinhos e logo traremos mais novidades do Projeto PontuAção que logo estará estreando em Escolas com a coordenação de Hosamis Pádua e a parceria de Vidráguas Cultural, acompanhem.<br /></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Ferreira Gullar não basta ler, tem que compartilhar&#8230;</title>
		<link>http://vidraguas.com.br/wordpress/2011/07/18/ferreira-gullar-nao-basta-ler-tem-que-compartilhar/</link>
		<comments>http://vidraguas.com.br/wordpress/2011/07/18/ferreira-gullar-nao-basta-ler-tem-que-compartilhar/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 18 Jul 2011 22:35:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carmen</dc:creator>
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		<category><![CDATA[ferreira gullar]]></category>
		<category><![CDATA[ferreira gullar; poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Oswald de Andrade]]></category>
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		<description><![CDATA[Redescoberta de Oswald de Andrade por FERREIRA GULLAR Creio que foi em 1953 que eu, ao entrar na livraria da editora José Olympio, então na rua do Ouvidor, deparei-me, sobre um balcão, com vários exemplares do livro &#8220;Serafim Ponte Grande&#8221;, de Oswald de Andrade, a preço de liquidação. Eu, que o conhecia de nome de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Redescoberta de Oswald de Andrade<br />
por FERREIRA GULLAR<br />
<br />
<a href="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/FERREIRA-GULLAR-SABATICO.jpg" rel="lightbox[11196]"><img src="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/FERREIRA-GULLAR-SABATICO-300x175.jpg" alt="" title="FERREIRA GULLAR " width="448" height="336" class="alignnone size-medium wp-image-11197" /></a><br />
<br />
Creio que foi em 1953 que eu, ao entrar na livraria da editora José Olympio, então na rua do Ouvidor, deparei-me, sobre um balcão, com vários exemplares do livro &#8220;Serafim Ponte Grande&#8221;, de Oswald de Andrade, a preço de liquidação.<br />
<br />
Eu, que o conhecia de nome de uns raros poemas, comprei um exemplar e, naquele mesmo dia, o li dando gargalhadas. É certo que sempre tive simpatia pelos irreverentes, talvez porque da irreverência resulte uma ruptura com a mesmice.<br />
<br />
Essa releitura foi para mim uma revelação. Oswald ainda estava vivo, mas quase ninguém tomava conhecimento de sua literatura. Agora ele acaba de ser homenageado pela Flip.<br />
<br />
Leiam toda a Crônica aqui ou no Jornal Folha de São Paulo, na Ilustrada de domingo, 17/7/2011<br />
<br />
<span id="more-11196"></span><br />
<br />
Naquela semana mesmo, na casa de Mário Pedrosa, falei de Oswald, da boa surpresa que tive ao lê-lo. Mário sorria satisfeito, admirador que era da literatura de Oswald e de seu espírito irreverente.<br />
<br />
Contou-me algumas histórias engraçadas que sabia dele. Pegou da estante um exemplar de &#8220;Pau Brasil&#8221;. Era a primeira edição, com a bandeira brasileira desenhada na capa. &#8220;Você vai gostar&#8221;, disse-me ele, ao me entregar o livro. E na verdade o li com prazer e surpresa, encantado com a maneira jovem que ele tinha de dizer as coisas.<br />
<br />
Além do humor, o que percebi de melhor em sua literatura foi o frescor da linguagem, diferente da de outros poetas brasileiros modernos, mesmo os que vieram depois dele:<br />
<br />
&#8220;Para dizerem milho dizem mio/Para melhor dizem mió/ Para pior pió/ Para telha dizem teia/ Para telhado dizem teiado/ E vão fazendo telhados&#8221;.<br />
<br />
Falei do livro com Oliveira Bastos, então jovem crítico literário, que também decidiu voltar-se para Oswald de Andrade. E se tornou seu amigo. Naquele mesmo ano, estava eu em casa de Amelinha, minha namorada na época, no dia em que completava 23 anos de idade, quando toca a campainha da porta e surge um homem grande, de olhos verdes enormes, em mangas de camisa. Não acreditei no que via: ali estava Oswald de Andrade, que me abraçou e disse que vinha me cumprimentar pelo meu aniversário.<br />
<br />
Com ele, rindo de meu espanto, entrou Bastos, que tramara tudo e lhe tinha levado uma cópia de &#8220;A Luta Corporal&#8221;, ainda inédito. Isso ouvi do próprio Oswald, que afirmou, exagerado como era: &#8220;Com você, renasce a poesia brasileira&#8221;.<br />
<br />
E, como se não bastasse, acrescentou que ia dar um curso de literatura brasileira na Itália e a última aula seria sobre minha poesia. Melhor presente de aniversário não podia haver. Ele me deu então um livro com suas peças &#8220;A Morta&#8221; e &#8220;O Rei da Vela&#8221;, editado já havia algum tempo, que guardo comigo até hoje.<br />
<br />
O Réveillon daquele ano passamos os três &#8211; Bastos, Amelinha e eu &#8211; na sua casa em São Paulo, em companhia dele e Maria Antonieta d´Alkmin, sua mulher e musa. Já estava doente e trazia uma pequena medalha de Nossa Senhora, presa à blusa do pijama. Mas ele não é ateu?, perguntei a mim mesmo, achando graça. Em outubro daquele ano, morreria. Escrevi, então, um poema, que terminava assim: &#8220;Fez sol o dia todo em Ipanema. / Oswald de Andrade ajudou o crepúsculo, hoje, dia 24 de outubro de 1954&#8243;.<br />
<br />
Naquele ano, eu havia publicado &#8220;A Luta Corporal&#8221;, em cujos poemas finais desintegrava a linguagem, o que chamou a atenção de três jovens poetas paulistas &#8211; Augusto, Haroldo de Campos e Décio Pignatari -, que me procuraram.<br />
<br />
Augusto veio encontrar-me, no Rio, quando conversamos sobre as questões que ele levantou acerca da poesia brasileira. Foi num almoço na Spaghettilândia, na Cinelândia.<br />
<br />
Falou-me do propósito do grupo deles de renovar a poesia brasileira e foi por essa razão que me procuraram, já que meu livro rompia com &#8220;a poesia sentada&#8221;, na expressão deles. E então citou os poetas brasileiros que, no seu entender, representavam um caminho para a renovação: Mário, Drummond, Cabral. Oswald de Andrade estava fora.<br />
<br />
Estranhei e ele então respondeu que não se podia levá-lo a sério, por considerá-lo um irresponsável. Respondi que, irresponsável ou não, sua poesia era inovadora, sua linguagem tinha um gosto de folha verde. Ele ficou de relê-lo e da releitura que fizeram resultou a redescoberta de Oswald de Andrade. Por tudo isso, fiquei feliz ao vê-lo homenageado agora pela Flip 2011.<br /></p>
]]></content:encoded>
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		<title>homenagem a Ferreira Gullar</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Sep 2010 19:57:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carmen</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Versos que Conversam]]></category>
		<category><![CDATA[ferreira gullar]]></category>
		<category><![CDATA[ferreira gullar; poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Sérvio Lima]]></category>

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		<description><![CDATA[Poema para Ferreira Gullar Gullar: força de vida iluminação constante escrita viva que do seu jeito nos leva adiante. Gullar: coração amigo e claramente pulsante onde enfim nos ama e nunca é o de antes. Sérvio Lima Leiam mais poemas no blog do autor: http://3030servio.blogspot.com/]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/images.jpg" rel="lightbox[6995]"><img src="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/images.jpg" alt="images" title="images" width="188" height="269" class="alignnone size-full wp-image-6997" /></a><br />
<br />
Poema para Ferreira Gullar<br />
<br />
Gullar: força de vida<br />
iluminação constante<br />
escrita viva que<br />
do seu jeito<br />
nos leva adiante.<br />
Gullar: coração amigo<br />
e claramente pulsante<br />
onde enfim<br />
nos ama<br />
e nunca é<br />
o de antes.<br />
<br />
Sérvio Lima<br />
<br />
Leiam mais poemas no blog do autor:<br />
<a href="http://3030servio.blogspot.com/">http://3030servio.blogspot.com/</a></p>
]]></content:encoded>
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		<title>estações, Vidráguas aos 80 anos de Gullar</title>
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		<pubDate>Fri, 10 Sep 2010 16:06:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carmen</dc:creator>
				<category><![CDATA[Lançamentos]]></category>
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Versos que Conversam]]></category>
		<category><![CDATA[carmen silvia presotto; carmen]]></category>
		<category><![CDATA[estações]]></category>
		<category><![CDATA[ferreira gullar]]></category>
		<category><![CDATA[ferreira gullar;poesia;livro]]></category>

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		<description><![CDATA[Estações a Gullar Quatro estações em minhas mãos giros de folhas retocam a face do tempo lágrima musical pássaro de Vênus me visto de tua leveza, caímos arco-íris&#8230; Carmen Silvia Presotto *Poema inédito do livro Postigos, editora Vidráguas, com lançamento em novembro-2010.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/jasmim_lampejo.JPG" rel="lightbox[6920]"><img src="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/jasmim_lampejo.JPG" alt="jasmim_lampejo" title="jasmim_lampejo" width="448" height="336" class="alignnone size-full wp-image-6921" /></a><br />
<br />
Estações<br />
     a Gullar<br />
<br />
Quatro estações<br />
<br />
em minhas mãos<br />
giros de folhas<br />
retocam a face do tempo<br />
<br />
lágrima musical<br />
pássaro de Vênus<br />
me visto de tua leveza,<br />
caímos arco-íris&#8230;<br />
<br />
Carmen Silvia Presotto<br />
<br />
*Poema inédito do livro <em>Postigos</em>, editora Vidráguas, com lançamento em novembro-2010.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>pensando a Poesia de Gullar com Régis Bonvicino</title>
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		<pubDate>Fri, 10 Sep 2010 03:12:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carmen</dc:creator>
				<category><![CDATA[conversando sobre literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Lançamentos]]></category>
		<category><![CDATA[ferreira gullar]]></category>
		<category><![CDATA[ferreira gullar;poesia;livro]]></category>
		<category><![CDATA[pensando com]]></category>
		<category><![CDATA[Régis Bonvicino]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma leitura de Em alguma parte alguma, de Ferreira Gullar por Régis Bonvicino O novo livro de Ferreira Gullar traz 58 poemas, que se organizam como memória, não da vida, mas de suas leituras de certa poesia brasileira, sobretudo a dos anos 1950 para trás, vazadas de biografia que se lê, aqui e ali, nos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma leitura de <em>Em alguma parte alguma</em>, de Ferreira Gullar<br />
por Régis Bonvicino<br />
<br />
<a href="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/8992e28d-11d8-4856-ad4e-efd297d6d2b7.jpg" rel="lightbox[6914]"><img src="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/8992e28d-11d8-4856-ad4e-efd297d6d2b7.jpg" alt="8992e28d-11d8-4856-ad4e-efd297d6d2b7" title="8992e28d-11d8-4856-ad4e-efd297d6d2b7" width="135" height="206" class="alignnone size-full wp-image-6915" /></a><br />
<br />
O novo livro de Ferreira Gullar traz 58 poemas, que se organizam como memória, não da vida, mas de suas leituras de certa poesia brasileira, sobretudo a dos anos 1950 para trás, vazadas de biografia que se lê, aqui e ali, nos textos. Essa memória de leituras se dispõe por meio de colagens de trechos reimaginados de poemas de Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo Neto, do próprio Gullar, de traços típicos do concretismo e de anotações soltas, à la modernismo lato sensu. Há um serialismo livre, que desdobra poemas e temas, sem se caracterizar como dodecafônico (Arnold Schoenberg) ou integral (Pierre Boulez), ou seja, sem intenção de obra acabada, ao contrário, por exemplo, de Educação pela pedra (1966), de Cabral. Há, nas peças, uma aparente recusa do discurso literário, que, entretanto, se resolve literariamente em um discurso literário, “poético”. Os textos se estruturam em orações subordinadas coloquiais, mas eruditas, pontuadas por vocábulos de alto calão. Compõem-se, ao que me parece, a partir da fala, de um autor culto, transposta para o papel.<br />
<br />
O recurso da parataxe é utilizado ocasionalmente. O poema “Fica o não dito por dito”, que inaugura o volume, condensa os traços característicos que acabo de enumerar. Começa por reavivar o Drummond de “Poesia” (Alguma poesia, 1930), de “Consideração do poema” e “Procura de poesia” (Rosa do povo, 1945). Gullar: “o poema/ antes de escrito/ não é em mim/ mais que um aflito/ silêncio/ ante a página em branco”. Drummond de “Poesia”: “Gastei uma hora pensando num verso/ que a pena não quer escrever./ No entanto, ele está cá dentro/ inquieto, vivo/ ele está cá dentro/ e não quer sair&#8230;”. Drummond de “Procura de poesia”: “&#8230; O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia&#8230;”.<br />
<br />
Leia todo ensaio aqui ou em Sibila Poesia e Cultura<br />
<a href="http://www.sibila.com.br/">http://www.sibila.com.br/</a><br />
<br />
<span id="more-6914"></span><br />
<br />
Adiante, no mesmo texto, Gullar escreve: “&#8230; mas dizer o quê?/ dizer/ olor de fruta/ cheiro de jasmim?/ mas/ como dizê-lo/ se a fala não tem cheiro?/ por isso é que/ dizê-lo/ é não dizê-lo/ embora o diga de algum modo/ pois não calo&#8230;”. Cabral de “Psicologia da composição” (1946-1947): “&#8230; São minerais/ as flores e as plantas,/ as frutas, os bichos/ quando em estado de palavra” ou “Enquanto na ordem/ de um outro pomar/ a atenção destila/ palavras maduras”. Ou o Cabral de “Antiode” (1946-1947): “&#8230; Flor é a palavra/ flor, verso inscrito/ no verso, como as manhãs no tempo&#8230;” ou “&#8230; Poesia, te escrevo/ agora: fezes, as fezes vivas que és&#8230;”. Em “Fica o não dito por dito”, de Gullar, há ecos ainda de sons de “O artista inconfessável” (1975), do mesmo João Cabral. Gullar: “&#8230; então ele disse/ o que disse/ sem saber o que dizia?/ então ele o sabia sem sabê-lo?/ então só soube ao dizê-lo?/ ou porque se já o soubesse/ não o diria?&#8230;”. Cabral: “&#8230; Fazer o que seja é inútil./ Não fazer nada é inútil./ Mas entre fazer e não fazer/ mais vale o inútil do fazer./ Mas não, fazer para esquecer/ que é inútil: nunca o esquecer/ Mas fazer o inútil sabendo/ que é inútil, e bem sabendo&#8230;”. O que é dúvida, especulação errática da gênese de linguagem, em Gullar, constitui-se reflexão precisa  em Cabral. Nesse mesmo poema gullariano, irrompem, como em todos, rompantes prosaicos: “&#8230; é que só o que não se sabe é poesia&#8230;”.<br />
<br />
É louvável que proponha tal programa, o de uma poesia não dedutível, de invenção, entretanto, a fatura, como procuro demonstrar, salvo melhor juízo (e devo ser minoria da minoria), se faz por meio de “apropriações” reimaginadas de poemas alheios, o que instaura o paradoxo. Seria esse o dilema de uma tendência majoritária da poesia brasileira? Gullar encarna, com isso, o papel de intérprete desse tempo? Afirmei que a parataxe, resolvida através de paronomásias típicas do concretismo, apenas pontua orações subordinadas em seus textos. Exemplos: “a borra/ a sobra/ a escória/ a incúria/ o não saber&#8230;” (“Desordem”) ou “ o osso/ o fóssil” (“Reflexão sobre o osso de minha perna”), este a relembrar o José Paulo Paes, de “Ode à minha perna esquerda”, involuntariamente. “Desordem” ressoa, igualmente,  o Cabral já transcrito, ao lado de procedimentos concretistas: “sim, este osso/ a mais dura parte de mim/ dura mais do que tudo que ouço/ e penso/ mais do que tudo o que invento/ e minto/ este osso/ dito perônio/ é, sim/ a parte mais mineral/ e obscura&#8230;”.<br />
<br />
Fora do esquema?<br />
O paradoxo que apontei acima retorna em “Offprice”, no qual Gullar assevera: “Que a sorte me livre do mercado/ e que me deixe/ continuar fazendo (sem saber)/ fora do esquema/ meu poema/ inesperado&#8230;”. Se existe um único poeta vivo brasileiro no mercado, em sentido possível, ele é exatamente Gullar, colunista de um grande jornal, amigo da família Sarney, frequentador do jet set da FLIP, autor editado pela Nova Aguillar, Prêmio Camões, aspirante ao Prêmio Nobel etc. Transcrevo a metade final da peça, que acentua as contradições: “e que eu possa/ cada mais desaprender/ de pensar o pensado/ e assim poder/ reinventar o certo pelo errado”. Talvez não seja uma contradição, mas o ato de ratificar o desejo de não reler a poesia brasileira, como o faz, mas de reinventá-la.<br />
<br />
O livro é extenso e não posso me deter em todos os poemas. Há versos fortes como “deflorou-me as narinas” (“Novo adendo ao poema desordem”). Há poemas bem realizados como “O que se foi”: “O que se foi se foi/ Se algo ainda perdura/ é só a amarga marca/ na paisagem escura”, metrificado, quase todo, em seis sílabas. Há, entretanto, cacofonias como “e outro pergunta:/ eu sou meu osso/ ou sou somente a mente?&#8230;”. A dicção não é homogênea, como se quisesse produzir um antiestilo: “A poesia é, de fato, o fruto/ de um silêncio que sou eu, sóis vós/ por isso mesmo que baixar a voz&#8230;”.<br />
<br />
Quando trata do tema morte (o “tema” literário por excelência), recorre de novo a Drummond: “Os mortos acomodam-se a meu lado/ como numa fotografia”. O sujo, tema que abriu o caminho do sucesso a Gullar junto aos críticos, em oposição a outros poetas (eles também são cultura, “suja”, mas cultura, nessa pobre cultura brasileira), reaparece na série “Bananas podres”, de um modo – permito-me – sentimental: “&#8230; e num alarido/ aquelas pobres frutas/  − com prazo vencido –/ vão aos soluços/ perder-se na desordem”. A pieguice (que muitos consideram poesia e é de se respeitar essa opinião) reaparece em “a morte não tem falta de nada/ não tem nada/ é nada/ a paz do nada”. A maior parte dos poemas de Gullar de Em alguma parte alguma é abstratizante: sua oração subordinada coloquial se resolve, muitas vezes, em metáforas inalcançáveis: “estamos dentro de um dentro/ que não tem fora/ e que não tem fora porque/ o dentro é tudo que há”. A voz de Cabral ressurge, como a de Drummond, seguidamente: “&#8230; isto é/ uma pera/ pintada/ não cheira” (“Figura-fundo”). É a flor que é a palavra flor. O tom elevado, combinado com o coloquialismo, se lê, por exemplo, em: “&#8230; Lá fora estende-se o presente rumoroso/ a crescer com o tráfego urbano e o pulsar do coração/ O passado sou eu” (“Volta a Santiago do Chile”). Se poesia é dissenso e se não há mais uma poesia brasileira, orgânica, pulsante, mas somente existem alguns poetas, talvez Gullar tenha, com toda a dignidade, razão.<br />
<br />
Não porque, sejamos francos, “copie” – nesse “álbum de colagens” – tantos temas e tratos dos “monstros sagrados” Cabral e Drummond, visando, à evidência, exibir-se ao leitor como “o maior poeta brasileiro em atividade”. Afinal, Gullar, em que pese toda a enorme irregularidade de sua obra, que comporta de Luta corporal, passando pelo Poema sujo, a momentos baixos como “Ode a Tancredo Neves”, tem, ou teve, uma dicção própria ele também, notadamente nos dois primeiros aqui elencados. Entre a morta poesia viva de agora e a viva poesia morta de outrora, é para ela que se volta. Mas por que, então, não retorna ao próprio Gullar, entre os muitos que há? Talvez porque o diálogo com os mortos seja hoje a única forma lucrativa de se escapar da “lógica” do risco, inerente à própria poesia.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>pensando a Poesia de Gullar com Luís Antônio Giron</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Sep 2010 03:10:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carmen</dc:creator>
				<category><![CDATA[conversando sobre literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Versos que Conversam]]></category>
		<category><![CDATA[ferreira gullar]]></category>
		<category><![CDATA[Luís Antônio Giron]]></category>
		<category><![CDATA[pensando com]]></category>

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		<description><![CDATA[Poesia para quê? por Luís Antônio Giron Ferreira Gullar, o poeta maior, completa 80 anos. Pena que ninguém leia mais poesia A poesia talvez seja a manifestação mais excêntrica da linguagem. Esqueçamos por ora do espírito humano ou da figura do poeta, mera abstração que as teorias de estruturalistas sobre a “morte do sujeito” enterraram [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Poesia para quê?<br />
por Luís Antônio Giron<br />
<br />
Ferreira Gullar, o poeta maior, completa 80 anos. Pena que ninguém leia mais poesia<br />
<br />
<a href="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/6717629_7mmWG.jpeg" rel="lightbox[6805]"><img src="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/6717629_7mmWG.jpeg" alt="6717629_7mmWG" title="6717629_7mmWG" width="300" height="400" class="alignnone size-full wp-image-6806" /></a><br />
<br />
A poesia talvez seja a manifestação mais excêntrica da linguagem. Esqueçamos por ora do espírito humano ou da figura do poeta, mera abstração que as teorias de estruturalistas sobre a “morte do sujeito” enterraram nos anos 60. Suponhamos, mal seguindo Michel Foucault, Jacques Lacan e Derrida, que a poesia não passe de um prurido mórbido do código verbal, recalque da “phoné” ancestral, um signo incômodo. Ou, como ensinou o linguista Roman Jacobson, uma reles sobreposição do eixo do significante sobre o do significado. Completa inutilidade. A que vem ela então? A que vem o poeta? Cada escritor tem pronta a sua resposta. Vou tentar dar a minha.<br />
<br />
Leia todo o ensaio crítico aqui ou na Revista Época de onde colei esta leitura:http://revistaepoca.globo.com/<br />
<span id="more-6805"></span><br />
<br />
Estas reflexões me ocorrem na ocasião dos 80 anos do poeta Ferreira Gullar, que pode ajudar na busca de minha decifração. Ele nasceu José Ribamar Ferreira em São Luís do Maranhão, em 10 de setembro de 1930. Desde 1949 vem publicando volumes de poesia. São 21, o último deles recém-lançado. Intitula-se Em alguma parte alguma (José Olympio, 144 páginas, R$ 30,00). É o primeiro livro em 12 anos. O anterior, Muitas vozes, saiu no século passado. Segundo Gullar, sua poesia é filha da perplexidade, nasce de um olhar indagador lançado à matéria, ao universo, à existência. São coleções de espantos. Recolhê-los demanda pelo jeito tempo. São 59 em Algum lugar algum, divididos em quatro seções, enumeradas em algarismos romanos, que podem ser descritas assim: a vida, o universo, a arte e a memória. Suas novas surpresas acontecem sob a estranha luz do século XXI. Um século no qual o poeta ingressou pisando em ovos, talvez com receio de mostrar seus pecados líricos.<br />
<br />
Antes de ler os poemas, é preciso ter em mente que Gullar é um escritor que não se limita à arte poética. Passeou por outros gêneros. Escreveu peças de teatro de sucesso, como Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come, em parceria com Oduvaldo Vianna Filho, de 1966. Fez crônicas, biografou a psiquiatra Nise da Silveira, cometeu duas obras de ficção (Gamação, de 1996, e Cidades inventadas, de 1997). Artista plástico amador, não resistiu a praticar uma das modalidades de texto mais desafiadoras: a crítica. Tornou-se um dos grandes críticos de arte e cultura do Brasil, isso desde 1959, quando publicou Teoria do não-objeto. Um de seus ensaios mais importantes é Vanguarda e subdesenvolvimento, lançado em 1969. São doze volumes de ensaística no total. Em resumo, Gullar não pode ser considerado um poeta espontâneo. Como vários poetas de sua geração, mergulhou na polêmica artística, brigou com os artistas e poetas concretos, denunciou as vanguardas e refletiu profundamente sobre arte e poesia. Seu espanto é banhado em racionalidade.<br />
<br />
Aos poucos se tornou figura pública. Em 1961, fundou com Carlos Lyra os Centros Populares de Cultura, como forma de resistir à banalização da cultura de massa e, em seguida, à ditadura. Perseguido (o relato de seus meses como fugitivo do exército está em suas memórias, Rabo de foguete, publicadas em 1998), foi forçado a se exilar do Brasil em 1971, instalou-se no Chile. Com a queda do presidente socialista Salvador Allende, mudou-se para Buenos Aires. E foi lá que escreveu em 1975 sua obra prima, Poema sujo. Trata-se da nova canção do exílio (a antiga, fora composta por um conterrâneo seu, Gonçalves Dias), construída sobre a saudade da terra natal e a revolta com a ditadura brasileira, que praticava censura, repressão, tortura e assassinato com um descaramento que só fazia aumentar a perplexidade dos intelectuais. Poema sujo é uma poderosa meditação sobre ser brasileiro. O poeta Vinicius de Moraes conheceu o poema da boca de Gullar em Buenos Aires e tratou de divulgá-lo informalmente no Brasil. “É o mais importante poema escrito em qualquer língua nas últimas décadas”, disse Vinicius. Ele próprio gravou o poema e distribuiu-o em fita cassete para os amigos. Poema sujo foi a fita pirata mais ouvida no Brasil naquele tempo, até porque o poema estava censurado. De volta ao Brasil em 1978, Gullar conseguiu levar uma vida “normal” e publicar suas obras.<br />
<br />
No século XXI, veio a consagração. Em 2002 e 2004, foi cogitado para o Prêmio Nobel de Literatura – e é sem dúvida o candidato mais forte do Brasil. Em 2010, ganhou o prêmio Camões, dado aos grandes escritores de língua portuguesa. Hoje ele responde pelo título de poeta maior do Brasil, papel assumido antes por João Cabral de Mello Neto, Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Olavo Bilac, Castro Alves, Gonçalves Dias. Eu colocaria a seu lado outros polemistas do verso, como Augusto de Campos, Décio Pignatari, Mario Chamie e Manoel de Barros, autores que chegam aos 80 anos mais ativos e críticos do que nunca, brigando entre si, como se arte e poesia fossem as coisas mais importantes do mundo. Mas não tenho restrições se o título ficar para Gullar apenas. Seu papel de militante de esquerda lhe dá um verniz mais cintilante do que o dos colegas céticos em relação ao socialismo. E Gullar também não se rende ao monumentalismo. Tem 80 anos, mas fala e age como um jovem desbocado e irreverente. Na última Festa Literária Internacional de Paraty, ele se tornou a maior estrela, declamando seus poemas e falando diretamente aos jovens. Gullar é jovem, é pop.<br />
<br />
Em Algum lugar algum, ele faz versos a seu gato, às bananas podres e às fofocas da São Luís de sua juventude, aos mortos queridos, ao universo, ao caos e até ao fêmur que em certa ocasião ele fraturou. São poemas diagramados na página, com os versos se espalhando de forma irregular, como fazia seu mestre, o poeta francês Stéphane Mallarmé. Como Mallarmé, Gullar reflete sobre seu exercício verbal, no poema “Fica o não dito por dito”:<br />
<br />
“O poema<br />
antes de escrito<br />
antes de ser<br />
é a possibilidade<br />
do que não foi dito<br />
do que está<br />
por dizer<br />
e que<br />
por não ter sido dito<br />
não tem ser<br />
não é<br />
senão<br />
possibilidade de dizer<br />
mas<br />
dizer o quê?<br />
dizer<br />
olor de fruta<br />
cheiro de jasmim?<br />
mas<br />
como dizê-lo<br />
se a fala não tem cheiro?<br />
(&#8230;)<br />
<br />
assim,<br />
o poeta inventa<br />
o que dizer<br />
e que só<br />
ao dizê-lo<br />
vai saber<br />
o que<br />
precisava dizer<br />
ou poderia<br />
pelo que o acaso dite<br />
e a vida<br />
provisoriamente<br />
permite”.<br />
<br />
A poesia é a forma pura da improvisação, do dizer o que ainda não foi dito porque realmente não foi dito nem pensado, mas que, ao ser dito, torna-se uma inscrição definitiva. É o homem que se inventa para livrar-se da ideia da finitude. A poesia inscreve o homem na História, esculpe um sentimento, uma sensação, uma cisma que vibra mesmo quando o corpo do poeta não estiver mais aqui. Quando o leitor tentar abraçar o poeta “e os braços se diluem no abraço”. O poeta e seu gato: “Num dia qualquer/ não existirá mais/ nenhum de nós dois/ para ouvir/ nesta sala/ a chuva que eventualmente caia/ sobre as calçadas da rua Duvivier”. Quando o leitor não encontrar mais o poeta, ele recomenda: “pensa que resta alguma coisa de mim/ por aqui/ Não te custará nada imaginar/ que estou sorrindo ainda naquela nesga/ azul celeste/ pouco antes de dissipar-me para sempre”.<br />
<br />
Gullar está vivo, e declamando para que a gente ouça, destilando ouro com sua verve irrefreável. Está dizendo com todas as palavras e palavrões coisas que nos interessam, nos trazem surpresa e elevação. Mas ninguém está nem aí. Pena que ninguém mais leia poesia, ou não lê tanto ou com tanta devoção como no passado. Soaria como uma jeremiada arrolar os motivos para a fuga de público: o avanço tecnológico, a dispersão provocada pelo excesso de entretenimento e informação, a queda do nível de escolaridade do brasileiro, o pragmatismo do mundo globalizado. Seja lá o que for, imagino que os poetas gostem do isolamento em relação aos ruídos de um mundo que enlouquece e não liga mais para a literatura. Eles têm prazer em contemplar a vida de um ângulo enviesado, como se a amassem e ao mesmo tempo a criticassem.<br />
<br />
A poesia dispensa aparelhos, dispensa leitores. Ela surge e cresce no silêncio. Não serve para nada senão ensinar a viver, contemplar as coisas com paixão, a uma certa distância dos excessos. Ensina a sentir a pulsação de um espírito que talvez não seja mais que uma palavra dita, sentida, lembrada. É a ferramenta da subversão da ordem, da quebra de hábitos. Poesia é anticonsumo em um mundo cada vez controlado e submetido a esforços repetitivos. É o arcano da liberdade.<br />
<br />
*Luís Antônio Giron, Editor da seção Mente Aberta de ÉPOCA, escreve sobre os principais fatos do universo da literatura, do cinema e da TV.<br />
Revista Época, 31 de agosto de 2010.</p>
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		<title>pensando a Poesia com Gullar na Flip</title>
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		<pubDate>Sun, 08 Aug 2010 21:10:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carmen</dc:creator>
				<category><![CDATA[conversando sobre literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Eventos]]></category>
		<category><![CDATA[Receitas de Poetas]]></category>
		<category><![CDATA[Versos que Conversam]]></category>
		<category><![CDATA[ferreira gullar]]></category>
		<category><![CDATA[ferreira gullar; poesia]]></category>
		<category><![CDATA[FLIP]]></category>
		<category><![CDATA[pensando com]]></category>

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		<description><![CDATA[Ferreira Gullar critica evento literário de São Paulo Foto: Isaac Ismar/Especial para Terra por Isaac Ismar Paraty &#8211; Rio de Janeiro Conhecido pelos poemas e franqueza, o poeta maranhense Ferreira Gullar criticou a Bienal do Livro de São Paulo durante a 8ª Festa Literária Internacional de Paraty, na noite deste sábado (7). De acordo com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ferreira Gullar critica evento literário de São Paulo<br />
Foto: Isaac Ismar/Especial para Terra<br />
<br />
 <a href="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/cid_003801cb37018fe86c200201010a@mauro.jpg" rel="lightbox[6553]"><img src="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/cid_003801cb37018fe86c200201010a@mauro.jpg" alt="!cid_003801cb3701$8fe86c20$0201010a@mauro" title="!cid_003801cb3701$8fe86c20$0201010a@mauro" width="448" height="336" class="alignnone size-full wp-image-6554" /></a><br />
<br />
por Isaac Ismar<br />
Paraty &#8211; Rio de Janeiro<br />
<br /> <br />
Conhecido pelos poemas e franqueza, o poeta maranhense Ferreira Gullar criticou a Bienal do Livro de São Paulo durante a 8ª Festa Literária Internacional de Paraty, na noite deste sábado (7).<br />
<br /> <br />
De acordo com ele, o evento literário paulistano aceita obras sem qualidades para serem apresentadas no evento.<br />
 <br />
&#8220;A Bienal do Livro de São Paulo é de vanguarda, qualquer loucura que uma pessoa manda pra lá é aceita e exposta&#8221;, debochou o poeta, que foi aplaudido pela plateia da Flip por essa declaração.<br />
<br /> <br />
Leia toda a notícia aqui ou no site:</p>
<p>http://diversao.terra.com.br/</p>
<p><span id="more-6553"></span><br />
<br />
Amante das artes plásticas, Ferreira Gullar disse que pensa mais na pintura do que na poesia.<br />
<br /> <br />
&#8220;A poesia é mais complexa. Sou um amante das artes plásticas. Posso dizer que hoje vou fazer um artigo para o jornal, mas um poema, não. É algo que nasce de situações do cotidiano, não chega a ser um milagre. Um galo cantando no quintal pode despertar o poeta. Não tem explicação&#8221;, afirmou.<br />
<br /> <br />
Nascido em 1930 na capital do Maranhão, ele vive no Rio de Janeiro desde 1951, onde foi presidente de uma das divisões da União Nacional dos Estudantes (UNE) e se filiou ao Partido Comunista. No Golpe Militar de 1954, precisou deixar o Brasil para não ser perseguido pelos militares e se exilou em países da América do Sul como Argentina e Chile.<br />
<br /> <br />
&#8220;Quando fui para Brasília e conheci os operários que construíram a cidade, comecei a refletir sobre os problemas do País e me engajei na luta política. Queria ajudar a mudar o Brasil. Mas veio o golpe de 54 e provou que eu estava errado. Não é fácil mudar o País. Isso também foi um exemplo pra mim na literatura. Se é para não mudar nada, é preferível fazer boa poesia. Uma má poesia não vai mudar nada&#8221;,<br />
<br /> <br />
Em Buenos Aires, ainda durante o exílio, ele escreveu o seu poema mais famoso, Poema Sujo.<br />
<br /> <br />
&#8220;Escrevi este poema de maio a outubro. Num determinado momento, a inspiração acabou. Até que um dia fiz os últimos versos. Minha esposa foi até lá e gostou do poema. Depois de muita insistência do Vinícius de Morais, li o poema. Ele se emocionou, o que não era muito difícil de acontecer. O Vinícius gravou o poema e trouxe para o Brasil, onde foi publicado em uma noite de autógrafos sem o autor&#8221;, divertiu-se Ferreira Gullar.<br />
<br /> <br />
Nos momentos finais da palestra, ele agradeceu à plateia pelo carinho.<br />
<br /> <br />
&#8220;É bom escrever poesia. Ninguém te obriga a fazer. É mentira quando o poeta diz que sofre ao fazer poemas&#8221;, voltou a brincar.<br />
Aplaudido de pé por cerca de um minuto pelos seus fãs, Ferreira Gullar encerrou com uma simpática declaração:<br />
&#8220;Fico feliz em saber que a poesia ainda tem o poder de comover as pessoas&#8221;, disse.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>poema homenagem a Gullar</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Aug 2010 03:22:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carmen</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Versos que Conversam]]></category>
		<category><![CDATA[ferreira gullar]]></category>
		<category><![CDATA[ferreira gullar; poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Sérvio Lima]]></category>
		<category><![CDATA[Tranças Poética Vidráguas]]></category>

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		<description><![CDATA[Gullar: força de vida iluminação constante escrita viva que do seu jeito nos leva adiante. Gullar: coração amigo e claramente pulsante onde enfim nos ama e nunca é o de antes. Poema de Sérvio Lima, Poeta Baiano. Nascido e criado na Cidade de Juazeiro Ba. Créditos da imagem: http://maranharte.blogspot.com/ *Bem-Vindo a Vidráguas Sérvio, obrigada pela [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/gullar.jpg" rel="lightbox[6484]"><img src="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/gullar.jpg" alt="gullar" title="gullar" width="448" height="336" class="alignnone size-full wp-image-6485" /></a><br />
<br />
Gullar: força de vida<br />
iluminação constante<br />
<br />
escrita viva que<br />
do seu jeito<br />
<br />
nos leva adiante.<br />
<br />
Gullar: coração amigo<br />
e claramente pulsante<br />
<br />
onde enfim<br />
nos ama<br />
<br />
e nunca é<br />
o de antes.<br />
<br />
Poema de Sérvio Lima, Poeta Baiano. Nascido e criado na Cidade de Juazeiro Ba.<br />
<br />
Créditos da imagem:<br />
 <a href="http://maranharte.blogspot.com/">http://maranharte.blogspot.com/</a><br />
<br />
*Bem-Vindo a Vidráguas Sérvio, obrigada pela companhia.</p>
]]></content:encoded>
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