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Cecília Meireles, poesia em Vidráguas…

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Cada palavra uma folha
no lugar certo.

Uma flor de vez em quando
no ramo aberto.

Um pássaro parecia
pousado e perto.

Mas não: que ia e vinha o verso
pelo universo.

Cecília Meireles, p.259, em Antologia Poética, Editora Nova Fronteira.

A Flor Aquática, Novelo Poético Vidráguas com Alberto de Moraes

A Flor Aquática, tela de Alberto de Moraes,foi a inspiração e mote, para tecermos o Nosso Novelo Poético, jogo e exercício poético que viemos tecendo no grupo Vidráguas no facebook.

Onde, juntos vamos tecendo um texto, dando textura ao tempo do encontro onde conVersamos e lemos e respeitamos o tempo de cada um que por ali aparecer… e seguimos, de verso em verso já somos um Novelo, um Grupo, gracias a todos por participarem. E Gracias Loiri por me mandar o enredo para eu editar.



No mistério do sem-fim
equilibra-se um planeta.

E, no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro;
no canteiro uma violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,

entre o planeta e o sem-fim,
a asa de uma borboleta
Cecília Meireles


Leiam todo o Novelo Poético Vidráguas

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FLOR

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A flor
colhida
no frescor
da manhã

amanhece
em vaso d’água
afogada
sem razão
e dor

a flor oferecida
fenece
em desencontro.


(Pedro Du Bois, inédito)

Leia mais poemas do autor em seu blog:http://www.pedrodubois.blogspot.com/

é primavera no StudioClio, Ave, Flor

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O livro de arte Ave, Flor, prefaciado por Armindo Trevisan, reúne poemas selecionados de Cleonice Bourscheid e ilustrações da artista botânica Anelise Scherer sobre flores da flora brasileira.

saiba mais acessando o site:
www.studioclio.com.br

entre duas cidades, Vidráguas na semana de Porto Alegre

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Foto: Ricardo Hegenbart, Detalhe do Centro de Porto Alegre.

Entre duas cidades, nome de uma flor. Pétala indígena enraizada à memória, recorte e nome de rio que banham minhas antigas margens. Sarandi, uma cidade, um tempo de pés descalços, onde os ventos da meninice ainda correm embalados pela voz de muitos recreios.
E intitulado o lugar. Prendo o tempo em minhas mãos e me dirijo ao velho pórtico da cidade.

Entremos!
Lá, na cidade de minha infância, tudo o que for do pé pode ser devorado… bergamotas, jabuticaba, pitanga, ariticum… um vertical mercado hortifrutigrangeiro que envasava nossas veias e tardes de inverno com enormes saladas de frutas ao natural. No verão, havia os sorvetes no Café Central e os famosos beijos frios de D. Vênus. Isto muito antes do esquibon… De lá, também vinham os famosos cigarros mentolados, um desafio ao desejo de imitar os maiores. É! Teve um tempo em que fumar era rito de passagem.

Bem… perdido o momento, colho com meus olhos o pó vermelho da estrada e atravesso a avenida principal para lembrar dos dias em que tudo era barro na rua Expedicionário que nos levava a longas esperas ao redor do fogão à lenha para vestir as congas ainda moles pelo calor da secadora improvisada.

Rio, quando, anos mais tarde, em férias na cidade revejo minhas filhas assustadas com o zunido estranhos dos bichos ao vivo, saídos dos livros diretamente para suas retinas. E rio mais ainda de suas perguntas que me seduziram na crença de entender que bergamota nasce em árvore. Que pomar é uma linda salada de fruta ao relento. Horta, um salpicão multiColorido. Que galinha, porco, cavalo, muito antes de serem refabulados, existiam no cotidiano das crianças. Que o leite, antes das caixinhas, nasciam em tetas de vaca e cabras e que até falar também somos um pouco bicho, olhares tristes a espera de um afago, de uma serventia…

Eh! … melhor retomar a rosa dos ventos… Entremos na praça municipal. Nela, toco o balanço. Sinto a roda próxima do escorregador. Furo o bolo de areia. Escuto a sineta de recolher. Termina o recreio. Em fila tipo gado, começa a inspeção. Uniforme, ok! Distintivo, ok! Livros, Ok! Temas, Ok! OK, Ok, Ok… e aos não Okeis, custariam folhas obsessivas de cópias tipo: devo fazer o tema todos os dias… não devo fazer isso ou aquilo e seguíamos a carga que nos impunham.

Imaginem, receber as notas em caderneta na missa de Domingo!? Só podíamos nos engasgar com a hóstia quando alguém não era chamado, já não bastava o olhar dos professores, adiante estavam os pais balançando os pés e mais adiante ainda uma mão inquisidora junto a todos os olhares. God!!!
Com o tempo surgia os campeonatos de vôlei. As reuniões dançantes, muito movimentadas com o chegar das férias, pelos que regressavam da Capital. Porém, entre tanto provincianismo, era sabido que depois de um nível escolar, deixaríamos o verde olhar para colher outros tempos.

O caminho era a Capital. Portanto, nascer no interior é pedir para nascer, culturalmente, duas vezes. Por que, chega um momento que se tem que escolher outra cidade. Esquecer de alguns cacoetes linguísticos, deixar de ser guri, esticar os carpins até as margens de outro sítio.
E o que era visita à Capital, tornou-se hábito. E a cidade que fora meu tapete, inverteu-se, em meu imaginário o rio passou a ser o Guaíba. As margens aumentaram. As flores se multiplicaram. As frutas ganharam a geladeira. Porém, vieram os recantos dos filmes, os espaços dos livros, o caminhar em muitos parques, o encontro com vários grupos e sarandienses e porto-alegrenses hoje se mesclam em minha memória.

Hoje minha cidade também é um Porto, um dique, um tempo de pés molhados por vários cafés, espaços e o lugar onde minha carne se enraíza junto a outros cantos que alegremente cantam: sou de porto alegre e tchau!

E como todo gaúcho, me digo fronteiriça. Uma corpo em memórias, mestiça entre interior e portos alegres, hoje, sou tipo uma flor vermelho-índigo em busca dos jacarandás, uma gaúcha híbrida de amor por Porto Alegre…

Carmen Silvia Presotto