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A cidade como metáfora com outros por Sandrio Cândido

Uma cidade dentro de nós
por Sandrio Cândido*



Fotografia Cartier Bresson

Automóveis, pedestres, jardins de arame, edifícios, camelôs, lojas e confeitarias. Aos olhos mineiros são Paulo assemelha-se a uma enorme floresta de pedras bem dispostas uma sobre a outra. O grande problema é quando esta floresta também faz as pessoas se petrificarem em seu próprio espaço, esquecendo de construir-se com o outro, a partir das relações humanas. Não as relações de interesse, mas uma relação que se abra ao outro acolhendo com aquilo que ele é.

Não é a cidade a culpada. Uso-a apenas como metáfora. Uma selva de pedras pode se erguer dentro de cada um de nós. Podemos construir muros que impedem que os outros cheguem até nós e também cega o nosso olhar para o outro. Mergulhamos em uma indiferença que não pode ser chamada de solidão, um solipsimo sem limites. Deixando-nos guiar apenas para os nossos fins, mas o mundo é um imenso tecido, feito por vários fios onde cada um tem a suma importância no final.

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Duras penas… poema de Carmen Lúcia Lima Sarmento em Vidráguas

Duras penas



Feito Pedra á duras penas
Teu siLêncio ecoa em meu pranto
Hoje sou lascas
Sou limo que escorrega
Desenganos jogados ao vento

Vento te quero brisa
Me faz canto
Me faz cascata
Ecoa e esconde o meu pranto.

Poema de Carmen Lúcia Lima Sarmento
Fotografia: Henri Cartier-Bresson

Psiu! Carmen Lúcia escreve todas as sextas aqui em Vidráguas e também está junto a mim, Ricardo e Rodrigo, na administração do Grupo Vidráguas no Facebook, onde conVersamos, poemamos e traçamos experimentalismos poéticos, dia-a-dia… gracias, companheiras, companheiros e seguimos!!

domesticar poema de Pedro Du Bois

DOMESTICAR



Amanso o cão
recolho seus caninos
abano o seu rabo:

a fera
é bicho
de estimação
em barateado
contexto

domesticada fera
tomba ao passado: comida exposta
em descanso.

Poema de Pedro Du Bois
Fotografia de Cartier Bresson

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http://pedrodubois.blogspot.com

verdades e olhares em Vidráguas



Verdades e olhares

Verdade seja dita: nunca vi nada igual!
E mesmo, se por hipótese
eu tivesse visto algo semelhante anteriormente,
certamente eu não teria a mesma impressão
do que tive ao vê-la neste instante…

O que eu vi?
nem se esforcem por saber,
por mais curiosos vocês estejam,
pois nada ouso dizer!

Muitos não acreditariam
mesmo se eu a descrevesse
com todas as cores e letras.

Portanto, eu me encerro em silêncio,
mas ainda, convincente, reafirmo
que é verdade tudo quanto vi…

Poema de Abel Sidney

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http://abelsidney.blogspot.com/

Saiba mais
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no final do dia…



FINAL

No final do dia
aproximado ao cansaço
trazido dos ofícios
não estou
presente. Ausentado ao tempo
não traduzido, esmaecido
nos alvoreceres da noite

amanhecido em finais
de tardes recompostas

minha ausência despercebida
em minúcias: a estrada
bloqueando a entrada.

Poema:Pedro Du Bois
Fotografia:Henri Cartier-Bresson

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http://pedrodubois.blogspot.com