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A Corrosiva Ordem Silenciosa, uma reflexão em Interiores Vidráguas

A Corrosiva Ordem Silenciosa
por Paulo Quoos Conte*



Quais valores construímos silenciosamente para dar sustentação a ordem em uma sociedade?
Três fatos em terras brasileiras no mesmo período de tempo:
- A novela promotora e alimentadora de grande parte da consciência nacional apresenta uma mãe surtada em pleno desespero, frente à descoberta do filho que busca a sustentação de uma vida de consumo através da venda de seu corpo, traduzindo digo “se prostituindo” como “garoto de programa” ou “michê”.
– Em Porto Alegre, um garoto de programa é espancado por seus colegas, outros garotos de programa, é expulso da sauna por cobrar de um cliente um preço inferior ao estipulado pela casa, na venda de seus prazeres.
-Inaugura-se no mesmo e democrático Brasil o maior templo dedicado a Deus em São Paulo.

São apenas algumas das vertentes que produzem correntes de águas que formam o grande rio por onde navega a (in)consciência de um povo aberto, hospitaleiro e acolhedor.

Toda atitude humana se compões de dois mundos; O mundo das ideias, do imaginário, do simbólico que dão à sustentação e tornam legítimas nossas ações e possibilitam nossa interferência no mundo da realidade, do concreto e das ações (Habermas). Existe uma conexão direta, necessária entre esses mundos, o imaginário bem como diz a palavra, nos explica como imaginamos ou acreditamos que o mundo funciona, e assim, baseados nessas ideias, procuramos as ferramentas adequadas para resolver os desafios no mundo da realidade concreta que se nos impõe, e assim nossas ações são coordenadas pela convicção que nossas escolhas são sempre as melhores.

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Intercâmbio existencial em Interiores Vidráguas

INTERCÂMBIO EXISTENCIAL
por Loiri Cortese





“Sua vida é a sua vida que lhe foi dada por Deus.”


Mesmo com base nessa assertiva, fomos criados para estarmos juntos em vivência e convivência com outras pessoas, a cada dia, cada qual sendo o que é, compreendendo e aceitando as diferenças alheias.


Se olharmos para nós mesmos com atenção, veremos, com clareza, como somos feitos: todos os nossos sentidos buscam fora de nós, incessantemente, desejos, sonhos, vontades e experiências que se complementam junto a outras pessoas, buscando, principalmente àquelas que mais se adequam ao perfil de cada um de nós.


Portanto, para estarmos ligados a nós mesmos, devemos, também, estar ligados aos outros. E, com esse intercâmbio existencial, é que seremos mais completos, felizes e realizados como criaturas humanas, porque sabemos e temos o dever de olhar ao próximo com os olhos do coração, desfrutando por igual da alegria que tal intercâmbio nos proporcionará.

“Nossa vida só faz sentido na medida que trouxer sentido à vida dos outros.” (Albert Einstein)


Gracias pelo texto e por estares junto todas segundas-feiras em nosso Interiores Vidráguas, Loiri. Boa semana!!

As cinderelas de hoje, em Interiores Vidráguas

AS CINDERELAS DE HOJE
por Loiri Cortese



Já foram-se os tempos dos sonhos de reis e rainhas e das cinderelas de rara beleza e encanto, de coração singelo, de dotes serviçais, à espera de um amor arrebatador de um príncipe encantado que as conquistasse e a conduzisse até um suntuoso palácio, na garupa de um cavalo branco alazão!


Cinderelas dos contos de fadas, protegidas por suas fadas-madrinhas, sonhadoras palacianas com direito a uma vida recheada de magia, alegrias, bem-estar e suntuosidade, com direito às valsas nos salões nobres, espartilhos e sapatinhos de cristal, onde seriam felizes para sempre!


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Democracia, violência e participação, reflexões em Interiores Vidráguas

Democracia, violência e participação
por Marilena Chauí



I.

Estamos acostumados a aceitar a definição liberal da democracia como regime da lei e da ordem para a garantia das liberdades individuais. Visto que o pensamento e a prática liberais identificam liberdade e competição, essa definição da democracia significa, em primeiro lugar, que a liberdade se reduz à competição econômica da chamada “livre iniciativa” e à competição política entre partidos que disputam eleições; em segundo, que há uma redução da lei à potência judiciária para limitar o poder político, defendendo a sociedade contra a tirania, pois a lei garante os governos escolhidos pela vontade da maioria; em terceiro, que há uma identificação entre a ordem e a potência dos poderes executivo e judiciário para conter os conflitos sociais, impedindo sua explicitação e desenvolvimento por meio da repressão; e, em quarto lugar, que, embora a democracia apareça justificada como “valor” ou como “bem”, é encarada, de fato, pelo critério da eficácia, medida, no plano legislativo, pela ação dos representantes, entendidos como políticos profissionais, e, no plano do poder executivo, pela atividade de uma elite de técnicos competentes aos quais cabe a direção do Estado.

A democracia é, assim, reduzida a um regime político eficaz, baseado na ideia de cidadania organizada em partidos políticos, e se manifesta no processo eleitoral de escolha dos representantes, na rotatividade dos governantes e nas soluções técnicas para os problemas econômicos e sociais.

Ora, há, na prática democrática e nas ideias democráticas, uma profundidade e uma verdade muito maiores e superiores do que o liberalismo percebe e deixa perceber.

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Um carta ao imaginário.. InVentar mais do que preciso é vital!!

Psiu! havia deixado de escrever ao amigo imaginário.

No entanto, tantos fluxos de viver me dizem que só escrever ao diário não me basta, este já está viciado, então volto…se conseguirem passar adiante do primeiro parágrafo me avisem, porque sei que ouvido alheio não é latrina… mas voltei ao Interiores Vidráguas, onde toda semana postarei minhas cartas ao amigo das obras do tempo.

Uma carta ao amigo imaginário
por Carmen Silvia Presotto



Querida amigo, eras para ser imaginário, portanto qualquer coincidência já não é mero acaso… Escrever.
Escrever se tem escrito. Há jornais, há livros, há muitas letras para serem trabalhadas, há projetos. No entanto, o grande desejo está em ser lida, escutado e quem me lerá, quem poderá me responder, e quem será o destino destas palavras, para que delas me venham algo mais do que sons e imagens?

Quem as deixará penetrar além das setas? Quem, através delas, enviará cartas em respostas que me façam crer que eu(nós) exista, existamos?

Coisas nada comuns, porém, também nem tão complexas. Apenas momentos de um viver, de um respirar, de um estar junto além da própria pele, além da própria sombra.

Conspirar!

E tu sabes querido amigo(s), que estar na multidão me agrada, porém estar com uma multidão em mim é sol em dor – talvez um pouco trágico – mas o tempo de hoje nos pede encontros e desencontros e como lidar com Isso? Eu sei, eu sei… e por tanto saberes é que pulso por uma palavra e que ela me seja mais que vento, inVento, me seja carne, sangue azul, tinta que demarque qualquer rastro, existência.

se desejar, desejarem, leia(m) toda a carta, lendo até aqui já está bom(rs)

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