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Vidráguas em Prosa e Verso em Goiânia

Hey, Vidráguas, ontem, dia 5/10/2011, presente no evento Goiânia em Prosa e Verso, onde 183 obras literárias tiveram sua estréia. Cora Coralina deve estar sorrindo aos versos que hoje ganham ruas, vidas e corações…


Hosamis e eu, felizes com tanta poesia no ar e em rumo ao Projeto PontuAção em Vidráguas.

E para dizer do momento trago dois poemas, dos livros que têm uma bela edição, dos poetas Ivan Bueno e Jamesson Buarque, amigos de blogues,leituras e trocas poéticas…


Eu, Yani e Aline corujas pelo amigo

Silêncio

E agora que te beijo
Encontro minha boca
E agora que minhas mãos
Encontram teus seios

Silêncio

Só um som arfante
Das respirações compartilhadas
A conversa que agora se faz
Tátil, visual, ofegante, corporal

Silêncio

Não há palavras
Para descrever o momento
Não há tradução possível
Para esta linguagem

Silêncio

Ivan Bueno, p.80,Empirismo Vernacular, Editora PUC Goiás

E Rosa abaixo registrando os dois momentos




Jamesson e eu, chamando chuva(rs)…

O último poema à rosa dizia
Pouco de afago e amor
Pois tecia os dedos pelas ventrelinhas
E no amontoado das gramíneas
De onde o hálito repete o aroma das axilas/
De perfumado impossível pomo
Eles desciam friccionando as falanges
Entre as entras da colina
Por cima de onde as gramíneas se ouriçavam
E orvalho
Até preencher lá dentro e mais embaixo
O vale da chuva e mais chuva
Em goles galgos e colibri e galo
Entre gritos porque domada à corola a crina
De saltar da úvula entre os lábios
O mesmo gemido da vulva ao fremeto sino
Semelhando sílabas em língua de sibila
Quiçá no idioma de Safo
Tomada por Flebas de talo o caule
Diante de Afrodite montada em Dionísio
Preenchida pela eólica língua de Átis

E foi assim que se invetou o final de tarde

Jamesson Buarque, Pluviário Perpétuo, Editora PUC Goiás

Vamos ler Poesia em Brasília? Sarau de Poesia Vidráguas.

Sarau de Poesia Volátil

No próximo dia 15 de janeiro, faremos um sarau de lançamento do Poesia Volátil em Brasília. O evento terá ainda a participação e apresentação do livro Postigos com Carmen Silvia Presotto e os poetas convidados Ivan Bueno e Aline Faria Morais.



Apareçam, tragam seus poemas, juntos seremos mais e melhores.
Data: 15 de janeiro de 2011, às 17:30.

Local: Livraria Cultura CasaPark Shopping em Brasília-DF
mais detalhes no site Poesia Volátil, acompanhem.
http://www.poesiavolatil.com.br/

em estado, poema do Empirismo Vocabular em Vidráguas



Em estado de espanto
Espanco meu espírito em susto
Agarro-me em teus seios
E sugo o leite de teu amor e desejo

Em estado de pranto
Encanto meu espírito de pureza bela
Olhas-me com tanta destreza
E te beijo como quem se alimenta: és ela

E tu, em estado de sedenta
Tocas-me com sutileza precisa
Agarras-te em minh’alma
Damos mãos, seguimos com calma

E em estado de glória
Colamos anseios e vontades duas
Catalisamos tempo perdido
E vivemos dois num como mil anos em um

Poema e Fotografia de Ivan Bueno

Leiam mais poemas no blog do autor:
http://www.eng-ivanbueno.blogspot.com/

Pêndulos de Cronos ( uma poesia a quatro mãos)

É, Poeta, quando os versos conVersam as palavras se realinham… Um beijo grande Ivan e obrigada por mais esta troca poética. Leiam aqui e no Empirismo Vernacular:
http://www.eng-ivanbueno.blogspot.com/

Pêndulo-relógio gigante (ce)

Pêndulos de Cronos


Sincrônicas mentes
Entre palavras
Deslizam
No ponto zero da leitura

De um lado,
Olhos
Do outro,
Dedos
Momentos, encontros
Amor de poesia

Palavras
Sincrônicos dedos
Que vêm, vazam, voam
Versam do zero ao cem

De um lado,
Dedos
Do outro lado,
Olhos
Enlaces
De poesias de amor

Sincrônicas mentes
Não mentem
Ratificam
Palavra que vai e vem e vai…

De um lado,
Lado,
Do outro lado,
Lado também
Dedos e olhos,
Uma só coisa

Sincronicidades
Cidades e vidas
Dedos, idéias, esbarrões
Lá e cá é tudo terra e céu

Pecador e pecadora
Do falar
Tecer e ler
Pêndulos de Cronos.

Ivan Buneo & Carmen Silvia Presotto

homenagem a Fernando Pessoa no empirismo vernacular

PESSOA POÉTICA (homenagem a Fernando Pessoa)
por Ivan Bueno

Fernando Pessoa (estilizado)

Fertilidade poética e imaginativa,
Enveredou-se pela escrita sendo um em diversos.
Retornando múltiplos a um em versos,
Nunca deixou de lado a tratativa com o rigor à forma.
Andou trôpego, mas a apontar verdades,
Notando mais que a mediana visão mundana afora.
Dom da escrita em criação: tonalidades,
O mestre da poesia portuguesa, sem exceção o fora.

Porte de pessoa garbosa tinha ele, pois,
E era, de per si, Ricardo, Álvaro ou mesmo Alberto,
Sem, no entanto, deixar de ser só pessoa.
Simulou a multiplicidade em heterônimos, aberto.
Oscilou pelas ruas de Lisboa e da África,
Atingiu o mundo: “drama de gente”, poesia, Pessoa.

* EM 13 de junho de 1888 nascia em Lisboa, Portugal, um dos maiores poetas da língua portuguesa (com a disputa acirrada com Camões), há 122 anos atrás. Viveu na África do Sul com a mãe, na infância, onde aprendeu Inglês e compôs poemas neste idioma, depois tendo retornado a Portugal. A expressão “drama de gente” era usada por ele próprio para se autodenominar.