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é hoje! lançamento de Chão de Brita

Editora Vidráguas tem o prazer de apresentar Chão de brita – contos anaeróbicos, livro de estreia do escritor Cássio Lamas Pires. O lançamento será hoje, conforme o convite acima.
Segundo o escritor Amilcar Bettega, que assina a orelha do livro, “É por meio de contrastes que se constrói o texto e o livro de Cássio Lamas Pires. O universo da subvenção, com personagens como Éverton, Antonela e Élton Maranhão transitando de um conto a outro, se ergue como um pano de fundo para o livro. Mas isso não impede que em meio à violência crua e por vezes exacerbada de boa parte destes contos surjam textos de uma leveza extrema e de grande sensibilidade como Sorvete de chocolate, ou de introspecção como A dança dos pássaros, ou simplesmente diferentes como os enigmáticos O jantar e Contar pessoas, ou ainda o divertido e quase melancólico Herói da várzea.
Neste livro, como sempre acontece (ou deveria acontecer) na literatura, a experiência da leitura não deixa incólume. Ela não pode ser passiva. O livro de Cássio Lamas Pires é uma coletânea de textos que convocam e provocam o leitor, exigem-no, chamando-o para dentro, para trilhar um caminho onde os passos nunca são totalmente firmes, onde é difícil se aprumar, e onde há sempre algo reverberando. Como um ruído de fundo, como se fosse o som das pedras nos mastigando os pés enquanto caminhamos sobre um chão de brita.”
Para quem não puder ir ao lançamento, o livro estará disponível nas livrarias Cultura, Bamboletras e Palavraria (em Porto Alegre).
e o prêmio da Noite da Literatura, vai para A Parede no Escuro
NOITE DA LITERATURA
Açorianos premia melhores livros do ano
Concurso que incentiva os principais segmentos culturais celebrou ontem destaques literários

Primeiro romance do escritor Altair Martins, A Parede no Escuro, conquistou ontem o Prêmio Açorianos de Literatura 2009 na categoria Livro do Ano, premiado com R$ 10 mil. A mesma obra também levou o título de melhor narrativa longa.
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Formação Da Literatura Brasileira, 50 anos ensinando…

“A literatura é uma transfiguração da realidade”
Zero Hora – À distância de 50 anos, a Formação da Literatura Brasileira (FLB) lhe parece padecer de algum traço nacionalista, como se costuma dizer? Se o senhor escrevesse a obra hoje, faria diferente, especificamente na abordagem do nacional ou, ao contrário, na integração do não-nacional?
Antonio Candido – Começando pelo fim, lembre quanto ao “não-nacional” que eu refiro sempre os autores brasileiros aos inspiradores ou afins europeus, porque a nossa é uma literatura que pertence organicamente ao quadro das literaturas ocidentais. Muitas vezes, o que escrevemos parece, aos outros, diferente do que nos parece. O fato de a FLB estudar o nacionalismo crítico não quer dizer que se enquadre nele. O que penso a respeito pode ser lido num trecho da introdução: “(…) o nacionalismo crítico, herdado dos românticos, pressupõe também, como ficou dito, que o valor da obra dependia do seu caráter representativo. Dum ponto de vista histórico, é evidente que o conteúdo brasileiro foi algo positivo, mesmo como fator de eficácia estética, dando pontos de apoio à imaginação e músculos à forma. Deve-se, pois, considerá-lo subsídio da avaliação, nos momentos estudados, lembrando que, após ter sido recurso ideológico, numa fase de construção e autodefinição, é atualmente inviável como critério, constituindo um calamitoso erro de visão”. Terei incorrido neste erro? Levar em conta a ocorrência nas obras de elementos característicos do país, tanto humanos quanto naturais, é necessário num trabalho de história literária, mas nem é exclusividade do nacionalismo crítico, nem basta para caracterizá-lo. O nacionalismo crítico propriamente dito tem entre os seus pressupostos a noção de que o conteúdo temático local determina o valor das obras. Isso não estava nas minhas intenções, mas é possível que tenha se infiltrado. Seja como for, continuo aceitando os pontos de vista da FLB, que, no entanto, é um livro de outro tempo. Portanto, desgastado. Parafraseando Carlos Drummond de Andrade num dos seus mais belos poemas, sinto que sobre ele o tempo abateu a sua mão pesada. Sobretudo levando em conta que, no último meio século, constituiu-se e amadureceu, de Norte a Sul, a crítica universitária, investigadora e retificadora por natureza. Quando escrevi a FLB, a partir de 1945, ela estava começando.
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