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impossível escolha, ora bolas…

Impossível Escolha
a Mario Quintana

ora bolas, como dizia o poeta!

Ora bolas, como dizia o poeta…

Se escolhesse o dia de minha morte
seria um ensolarado domingo de outono.

Alegre, morno, brando, aninhado a folhas de plátanos
douradas, atapetando o chão que me abrigaria.

Se escolhesse o dia de minha morte
seria um esvoaçante cobertor sem dor por partir.

Um dia em que os pássaros e as borboletas
brincassem no céu.

Um dia em que o sol vibrasse por novos horizontes.
Um dia feito piquenique com toalha xadrez
cesto de vime e cálices de vinho.
Um dia em que o findar não encontrasse a noite.
Um eterno dia…

Se escolhesse o dia de minha morte
seria um dia trocado.

Um dia impossível de escolhas.
Talvez um Domingo chuvoso, abafado.
Ou uma Sexta-Feira que me acordasse no Domingo.
Cristo!
Quem sabe não morro…
Ora bolas!

Poema: Carmen Silvia Presotto, Dobras do tempo.
Fotografia: Ricardo Hegenbart, Outono em Londres.

Nos Passos de Mrs. Dalloway

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Em Londres, quando os plátanos largam suas folhas ao vento e dobram suas raízes ao tempo, outona… e neste desfolhar de momentos, trocamos as estações, lambuzados pelo morno hálito de um lindo sol literário: Clarissa Dalloway.

Clarissa Dalloway é a protagonista e o título do Romance de Virginia Woolf, publicado em 1925, que nos eventos de um único dia nos apresenta a história de uma Senhora da alta burguesia londrina, que por aqui nos chegou traduzido através das mãos de Mario Quintana, driblando o próprio e o nosso tempo com o compasso do relógio,.

E que relógio: O Big Ben!
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sublimações…

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Anais

Não me vejo nas coisas como elas são.

Quero ser um poeta tecido por carne
e livre de pontos.

Quero ser aquela nuvem atrás do pensamento.

Poema: Carmen Silvia Presotto, p. 47, Encaixes, Vidráguas.
Foto: Ricardo Hegenbart, outono em Londres- Green Park, 2009.

em Bloomsburry, neva e poemamos

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Faltaram as luvas roxas
ao fiel momento…

No entanto, sabemos:
que estátuas não falam,
apenas embalam os dedos a caminhar com a mente…

Em Bloomsburry neva,
e com Virginia Woolf, revivemos:
que olhar, caminhar, fotografar, escrever, é se imaginar por dentro…

e juntos poemamos, ora bolas!

Poema: Carmen Silvia Presotto
Foto: Ricardo Hegenbart

a porta

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THE DOOR



There is a door;
Every day a first door.
Through it a courtyard
Leads to arched gates
And forward to the road
Disappearing in forest.



Who will affirm the door?
Every day open the door?



Enshui, a Tea-master
Of de East explained:
We come before it
With breathless reverence
Bowing as before the King.
He wrapped the poem
In a sheath of silk
And put it in a box
Within a box,
Within a box…



The poem comes to me
As the day’s gift
A crystallization
Of its mystery.
See, the day is dead
But the poem lives.



J. Marinus


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A PORTA



Existe uma porta
todo o dia uma primeira porta.
Através dela um pátio
leva a portões arqueados
que diante a estrada desaparece em floresta.



Quem firmará a porta?
Cada dia abre uma porta?



Enshui
- Mestre do Chá -
do Oriente, explicou:
Nós, com uma reverência sem fôlego,
curvados ao Rei, chegamos diante ela.
Ele envolve o poema em seda
e o deposita numa caixa
dentro da caixa,
dentro da caixa…



O poema
- uma cristalização do seu mistério -
veio até a mim
feito um presente dos dias.
Veja, o dia está morto
mas o poema vive.



J. Marinus