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Ave Fauna, um livro, um canto de amor à natureza

aranha

A aranha
nasce
do ventre das pedras.

A ARANHA

A aranha
tem mil artimanhas.

A aranha trafega
com passo de sombra.

A aranha tem modos
de fêmea que se requebra.

Luiz Coronel, Ave Fauna – Um canto de amor à natureza, 4ª edição, editora Mecenas

Poesia ao dia das crianças

O dia da inauguração do mundo

O mundo estava pronto
ao findar do sexto dia.
Água e terra, lado a lado
na mais perfeita harmonia.

Então uma pedra falou
com sua voz um tanto aguda:
“eu gostaria de andar”!
E Deus fez a tartaruga.

E depois uma montanha
com sua voz trovejante
pediu para ser bicho,
e Deus criou o elefante.

E a lua que se refletia
em águas claras, pacatas
disse que queria nadar
e se fez peixe de prata.

E quando a folhinha verde
expressou os sonhos seus
de saltitar entre os galhos
se tornou um louva-a-deus.

E as nuvens que cobriam
de branco o céu inteiro
resolveram se transformar
num rebanho de cordeiros.

E o sol, com pinta de rei,
quis também sua mutação:
por ter uma juba dourada
Deus fez do sol um leão.

E no seu galho uma flor
com vozinha de opereta
pediu que queria voar.
E Deus fez a borboleta.

E a estrela brilhante
vendo a onda se elevar
pediu para descer às águas
e hoje é “estrela-do-mar”.

E um anjo que estava perto
(até nem me lembro o nome),
gritou que queria ser Deus.
De castigo virou homem.

Luiz Coronel
III Patrono da Feira do livro infantil do Jardim Botânico

ao dia dos pais, sempre Poesia…

Dia dos Pais


Feliz és tu
que não precisas fechar os olhos
para encontrar teu pai.


Ele abre o jornal
quando abres a porta.


Teu pequeno Atlas
tem o mundo em suas mãos.


Deixa de lado
a lufada dos fatos
e vêm ao teu encontro.


Abraço de mãe
é travesseiro.
E árvore o pai.


A gente sempre fica
com algumas palavras
trancadas na garganta.


O pai não quer arroubos
nem proclamas.


A roupa do pai tem
tantos bolsos.
É neles que guarda
pequenas humilhações
e desditas.


Mas em seu olhar brilha
um grande sonho.
Um mundo melhor para seu filho.


Às vezes dá vontade
de dizer ao pai
que nós também pisamos o barro,
sujamos a alma e os sapatos.
Mãe é teto.
Pai é viga.


Há resíduos de nossa infância
em todos os cantos.
Até no cheirinho de água de barba
que vem com seu abraço.


Ele cantava
no chuveiro.


Deixas sob o travesseiro
uma caixa de CDs.


A noite avança,
toca o telefone.
O pai agradece. Ao fundo,
ainda ouves, o som enternecido
de um bolero.


No escuro avalias
o filho que és.


Carece ser mais companheiro,
jantar, ir ao cinema.


Dormes e sonhas
com teu pai.


Chove na manhã de inverno.
E como é bom vir da escola
em seu colo,
os pingos d’agua cantando
sobre o guarda-chuva.


Luiz Coronel

um poema que é um convite a embalar à Cidade aos olhos de todos, Elis Regina!

Uma canção para Elis
por Luiz Coronel

Elis, tua canção
sempre me diz:
importa ser verdadeiro
muito mais que ser feliz.

Havia pássaros e sinos
em tua voz cristalina.
Bravos gestos de guerreira,
frágil corpo de menina.

Ainda te escuto nas ruas
pelas tardes de neblina.
A tua voz continua
oh, minha estrela sulina.

Oh, madrinha dos aflitos,
oh, bizarra bailarina,
agora brilhas mais longe
mas tua voz me ilumina.

Veludo, pétala e faca
a tua voz não termina.
Cantar é abrir viveiros
oh, minha estrela sulina.

elis-regina
Vidráguas a mais Cultura nas Praças, Poeta!, obrigada pela lembrança carinhosa e parabéns por mais este feito Cultural, onde a Canção ecoa…
E
Caros Amigos, para brindar este encontro poético-cultural um convite:

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