maio 21st, 2010 in Interiores | No Comments »
6- A SEDUÇÃO MALIGNA E OS SENTIMENTOS DO ANALISTA
por Luiza Moura

Podemos pensar que tanto o abusador como o abusado são parcialmente bem sucedidos nos arranjos psíquicos reativos ao trauma original.
Enquanto o primeiro, na medida em que reencena compulsivamente a situação traumática arcaica, pode se colocar agora no papel ativo, e assim “exorcizar” temporariamente os seus sentimentos de desintegração (Winnicott, 1962); o segundo, devido a sua comprometida capacidade de avaliação e de ter experiências, não reconhece o agressor em potencial e assim mantém viva sua crença na possibilidade de ser salvo (através do amor incondicional, da beleza e juventude eternas, do dinheiro fácil, fama, orientação e/ou informações valiosas).
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maio 14th, 2010 in Interiores | No Comments »
5- O “EFEITO ISCA” ILUSTRADO EM CONTOS INFANTIS
por Luiza Moura

Existe um momento específico em que se processa um engate entre o abusado e o abusador. O momento em que a vítima é tocada e subseqüentemente invadida pelo agressor, que iniciou uma ação hipnótica sobre aquele que passará a agir sob transe (Ferenczi, 1932).
A experiência clínica mostra muito bem a força desta ação, que eu proponho chamar de “efeito-isca”. Não é incomum pacientes que vêm aparentemente desenvolvendo uma certa capacidade de avaliação (geral, ou sobre alguma pessoa ou circunstância específica) e nos surpreendem, após um intervalo de um dia, fim de semana ou férias, ressurgindo totalmente envolvidos e seduzidos, ou já sofrendo pela ação do agressor.
O toque cirúrgico do “sedutor maligno” é algo preciso e intrigante, e vale a pena tentar ilustrá-lo. Recorro a trechos de contos infantis, onde justamente por um caráter educativo, as “seduções malignas” e os “efeitos-iscas” são enfatizados. Todas as cenas se dão mediante uma vulnerabilidade dos personagens apresentada previamente.
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maio 7th, 2010 in Interiores | No Comments »
4- A VÍTIMA RECORRENTE E A COMPULSÃO À REPETIÇÃO
por Luiza Moura

Tanto os conceitos de Bollas de “enlodamento da pantalha” (“A Estrutura da Maldade, 1992a) e “busca de simplificação” (“O Estado de Mente Fascista”, 1992b), como o conceito de Ferenczi de “identificação com o agressor” (“Confusão de Língua entre os Adultos e a Criança”, 1932), são guias fundamentais para pensarmos a compulsão à repetição.
E, neste momento, proponho nos focalizarmos na tendência recorrente da vítima.
Para as vítimas em potencial, as experiências desastrosas não se somam, não se constituem numa cadeia simbólica, elas estarão pairando como elementos estranhos ao “eu”, desconectados, pobres de sentido, apenas ladeando os desconfortos inomináveis que já assombram desde muito antes.
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abril 30th, 2010 in Interiores | No Comments »
3- AS PERSONAGENS DA SEDUÇÃO MALIGNA
por Luiza Moura

As pessoas mais marcadas por ganhos secundários, aproximar-se-ão de um funcionamento egossintônico, do tipo anti-social e perverso, o que, praticamente, inviabilizará sua chegada aos nossos consultórios.
Nelas, uma parcela ínfima e frágil do “eu” se mantém hermeticamente encapsulada e, podemos dizer: coisificada. Recebendo a função de atuar como um sensível “radar” em busca da vítima em potencial.
Para aqueles que se configuram como as possíveis vítimas justamente a capacidade perceptiva (“radar”) está comprometida, e os ganhos secundários não foram suficientes para constituir uma estrutura anti-social ou perversa, a camada protetora do tipo “falso-self” (Winnicott, 1960) é falha e não impede o sofrimento autêntico.
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abril 23rd, 2010 in Interiores | No Comments »
2- A SEDUÇÃO MALIGNA E OS TRAUMAS ORIGINAIS
por Luiza Moura

A base para o estabelecimento da compulsão à repetição com implicações mórbidas está nos primeiros contatos entre a criança e um mundo adulto não acolhedor.
E, neste sentido, a futura vítima e o futuro agressor tiveram experiências semelhantes. Refiro-me a vivências traumáticas arcaicas, que levaram a arranjos defensivos catastróficos.
Para Bollas (1992a), as ações traumatogênicas de adultos agressores geram o “enlodamento” do que ele chama de “pantalha em branco generadora” (1992a). Este autor faz uma relação entre este seu conceito de “pantalha em branco” com a concepção de uma inocência básica inerente à infância. Neste sentido, o “enlodamento da pantalha” consiste em uma invasão real traumática que leva a uma perda prematura da inocência da criança.
Eu entendo que esta “pantalha”, ou este espaço de inocência preservada, é potencialmente um lugar de recolhimento interno, onde a ilusão originária se manteria viva, e, a partir de onde, nasceria a confiança no próprio potencial criativo.

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