setembro 30th, 2009 in Foto do Dia, Poemas, Versos que Conversam | No Comments »
Gestos

Foto: Ricardo Hegenbart, momentos, Bloomsburry 2009.
A mão que parte o pão
a mão que semeia
a mão que o recebe
- como seria belo tudo isso não fossem
os intermediários!
Poema:Mario Quintana, A Vaca e o Hipogrifo, Coleção Folha Grandes Escritores Brasileiros.
agosto 13th, 2009 in Foto do Dia, Notícias, Poemas | 1 Comment »
Paz
Os caminhos estão descansando.

Foto de Vidráguas, ganhadora do concurso Postcards from the Park 2009 – Categoria Adulto Southwark Park , Londres – 2009.
Poema de Mario Quintana, p.216, A Vaca e o Hipogrifo, Coleção Folha – Grandes Escritores Brasileiros.
agosto 2nd, 2009 in Eventos, Poemas, Versos que Conversam | No Comments »
Impossível escolha
a Mario Quintana
Ora bolas, como dizia o poeta…
Se escolhesse o dia de minha morte
seria um ensolarado domingo de outono.
Alegre, morno, brando, aninhado a folhas de plátanos
douradas, atapetando o chão que me abrigaria.
Se escolhesse o dia de minha morte
seria um esvoaçante cobertor sem dor por partir.
Um dia em que os pássaros e as borboletas
brincassem no céu.
Um dia em que o sol vibrasse por novos horizontes.
Um dia feito piquenique com toalha xadrez
cesto de vime e cálices de vinho.
Um dia em que o findar não encontrasse a noite.
Um eterno dia…
Se escolhesse o dia de minha morte
seria um dia trocado.
Um dia impossível de escolhas.
Talvez um Domingo chuvoso, abafado.
Ou uma Sexta-Feira que me acordasse no Domingo.
Cristo!
Quem sabe não morro…
Ora bolas!
Carmen Silvia Presotto, pag.50, Dobras do Tempo.
julho 20th, 2009 in Eventos, Foto do Dia, Poemas, Versos que Conversam | No Comments »

AH, SIM, A VELHA POESIA…
Poesia a minha velha amiga…
eu entrego-lhe tudo
a que os outros não dão importância nenhuma…
a saber:
o silêncio dos velhos corredores
uma esquina
uma lua
(porque há muitas, muitas luas…)
O primeiro olhar daquela primeira namorada
que ainda ilumina, ó alma
como uma tênue luz de lamparina,
a tua câmera de horrores.
E os grilos?
Não estão ouvindo, lá fora, os grilos?
Sim, os grilos…
Os grilos são os poetas mortos.
Entrego-lhe grilos aos milhões um lápis verde um retrato
amarelecido um velho ovo de costura os teus pecados
as reivindicações as explicações – menos
o dar de ombros e os risos contidos
mas
todas as lágrimas que o orgulho estancou na fonte
as explosões de cólera
o ranger de dentes
as alegrias agudas até o grito
a dança dos ossos…
Pois bem
às vezes
de tudo quanto lhe entrego, a Poesia faz uma coisa que
parece que nada tem a ver com os ingredientes mas que
tem por isso mesmo um sabor total: eternamente esse
gosto de nunca e de sempre.
Mario Quintana, A Vaca e o Hipogrifo, pg.200 e 201, Coleção Folha- Grandes Escritores Brasileiros
junho 15th, 2009 in Poemas, Versos que Conversam | No Comments »
Jardim Interior
Todos os jardins deviam ser fechados,
com altos muros de um cinza pálido,
onde uma fonte
pudesse cantar
sozinha
entre o vermelho dos cravos.
O que mata um jardim não é mesmo
alguma ausência
nem o abandono…
O que mata um jardim é esse olhar vazio
de quem por eles passa indiferente.
Mario Quintana, Rua dos Cataventos & Outros Poemas, pag.132,Editora L&PM POCKET.