De avental
ou salto bem alto
tomo as rédeas de mim
cavalgo em desalinho
conto as horas como quem conta pedrinhas coloridas
retiradas do fundo de um vulcão
que queima dentro das minhas artérias
delas eu faço parte
colorida faço arte
arte de viver mulher
de apaixonar apaixonadamente
amar,
amar como se fosse o fim
sofrer camuflando em cada sorriso
as lavas do meu vulcão que jorram
esperanças incertas
eu mulher
lanço um olhar sereno sob a vida
e vou
de avental
ou salto bem alto
contar histórias de mansinho
para o filho que quer dormir.
Nada merece mais a nossa gratidão que o ventre materno, seja ela simples dona de casa alagoana ou uma resignada do mosteiro de Argenteuil.
Decerto todos nós passamos pelo canal de parturição. Nós, vivos ou mortos, já viajamos nove meses na aeronave do ventre, dependentes da ternura materna até termos a consciência do oxigênio e da vida.
Nada seria interessante se não fosse o poder da concepção que elas carregam no ventre, seja ela secretária executiva de Natal ou trabalhadora de Orange.
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