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Cultura, poema de Nei Duclós no anoitecer com Eros

Cultura
poema de Nei Duclós



Calo quando te abraço
fecho a boca da palavra
falo se o descompasso
me joga além do teu colo

Meu calo é o teu pedaço
de coração sem consolo
mexendo mel confiscado
falso álibi do rolo

Não morro se não permites
não vivo sem teu convite
sou teu só se corro o risco

Nasci bruto e te mastigo
tens curvas, não civilizam
Há uma cultura, a delícia

Hoje nosso entardecer com Bardos e EvasAlmas, traz um poema de Nei Duclós, e seguimos o Projeto Anáguas, um tempo de poemar com Eros.

…iMundem-se, alaguem-se com Poemas de Amor, aqui e em, Outubro, blog de Nei Duclós, lago em quem nos espelhamos para seguir o canto, porque parafraseando este bardo, amamos sem tirar nem por… e seguimos!

Quase nada no anoitecer com Eros…

QUASE NADA
poema de Nei Duclós



Continuo sem saber quase nada de ti.
Falta muito. Qual teu cheiro?
Quando suspira, saem borboletas do cabelo?
Gosta que beijem os dedos? Adora sorvete?

Aperta os olhinhos quando fica brava?
Põe a mão na cintura quando olha assim
meio de lado e gosta?
Quando dizem eu te amo fica vermelha?

Caminha olhando para frente? Sonha planícies desertas?
Monta em cavalo branco?
Aceita flor de tarde, às três e quarenta?
Deixa que lhe toquem de leve?

Falta muito. Sente falta quando não escrevo?
É indiferente se digo besteira?
Me esquece quando medita no bosque?
Vê o mar e se lembra?

Falta tudo. Tua presença.
E o coração ofertado
num bolso de seda.
Pega, é teu, açucena.

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Hoje no entardecer com Eros, Brilho de Nei Duclós

Brilho
poema de Nei Duclós



Não tenho bens, pastora, do teu agrado
como dinheiro, nobreza ou propriedade
tudo o que ganhei voltou, foi repartido
entre o grito e o joio, a jóia e o granito

Hoje vivo só, longe do gado e trigo
e do ponto exato do esplendor da carne
amanheço com flor, durmo com nuvens
lavro a saudade com espíritos de barro

Minha única herança faz sentido
acervo do que sinto não se dilapida
ao contrário, cresce como um bicho

É você esse brilho trêmulo na paisagem
alma extrema que ao arder, me chama
na borda do abismo que limita a cama

Hoje nosso entardecer com Bardos e EvasAlmas, traz Brilho, um poema de Nei Duclós e seguimos o Projeto Anáguas, um tempo de poemar com Eros.

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Hoje no entardecer com Eros, Chama…

Chama
poema de Nei Duclós



Não quero mais o verso, amor
que ele machuca, melhor o soco.
É mais direto. Ou a indiferença.
Dessa doença encomendei a cura

Basta um desencontro, o adeus
para voltarmos ao normal da criatura
Não sentir para que haja compostura
e ninguém sofra além do já forjado

Tenho cajado, pastora, na montanha
apascento o gado e ordenho a Lua
não preciso de ti, memória de uma tarde

Sou a solidão do mal que se acostuma
ao crime de ficar avesso à vida humana
nego minha carne e choro por tua chama

Hoje nosso entardecer com Bardos e EvasAlmas, traz um poema de Nei Duclós e seguimos o Projeto Anáguas, um tempo de poemar com Eros.

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Hoje no anoitecer com Eros, Palácio

Palácio
poema de Nei Duclós



Ofereço um soneto, mesmo sabendo
que nenhum está à altura do teu rosto
faço por gosto, não por merecimento
mulher que da beleza fez seu gesto

Dizem que o excesso do meu verbo
submisso ao jogo da homenagem
é só viagem pelas tentações do poço
que atrai a sede para a água do agrado

Mas é legítima a origem deste ofício
lá na forja onde rabiscam teu encanto
curva saliente que enobrece o sonho

És a grandeza da criação que não regressa
à barbárie da semente ainda em repouso
floresces como um jardim sobre o palácio

Hoje nosso entardecer com Bardos e EvasAlmas, traz um poema de Nei Duclós que nos inspira a seguir cantando o Amor.

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