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Palavras ( mal) ditas, uma crônica de Tânia Du Bois…

PALAVRAS (mal) DITAS
por Tânia Du Bois




Um mundo pontuado por informações instantâneas me faz pensar na articulação intelectual e oratória, e me remete ao valor da palavra (mal)dita das histórias narradas pela televisão. Pulando os canais de TV entre um jornal e outro, ouço descrições absurdas, como nessas frases: “Morreu o maior escritor português vivo”; “… vai ajudar a divulgação internacional, lá fora”; “Movimentos, balanços movimentados”; “Os médicos interessados devem ter registro médico”; “A bola saiu para fora”; “A notícia saiu no jornal local daqui”.

Palavras ditas! Palavras escritas! Palavras (mal)ditas! Como “A hora dos maus dizeres…”, de Nilma Gonçalves Lacerda.

O ato de escrever nem sempre comporta respostas. Muitas organizações têm por fonte de inspiração a mensagem que expressa forma de ação. A humanidade se singulariza em constante mudança na busca do contato verdadeiro com algo que a faça sentir-se realizada e completa. O importante é entender em profundidade algumas ideias e não chafurdar em erros.

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“O tempo pede palavras de luz” … crônica poética em Vidráguas

O Tempo de Iluminadas Palavras
por Tânia Du Bois


Fotografia de Luana Neres – Goiânia 2011

“Na manhã iluminada de lembranças refila a cor do sentimento…” (Carlos Vogt)


O tempo pede palavras de luz. O amor, a dúvida, a dor e a luz estão presentes no sentimento sobre a vida e a condição humana. Criamos a ilusão da luz por uma questão organizacional e vivemos em função do tempo.

“As luzes acesas / as portas abertas / as janelas acesas /todas as coisas acesas. // Bem aceso o viver.” (Álvaro Pacheco)


A luz atravessa o tempo e, ainda assim, permanece dentro de nós com real importância. O objetivo fundamental é preencher o vazio com a luz que encontramos na arte literária, como em Lindolf Bell: “Seja o poema/ o homem devorado pela luz…”; em Gilberto Mendonça Telles: “… E deve haver os sentidos latentes/ que vão dando luz/ às coisas ausentes.”; em Jorge Tufic: “… mas é o imenso/ que de mim/ se ilumina.”; e em Luiz de Miranda: “A vida traz a luz/ sem a penúria de perder/ o azul/ na avidez do corpo.”

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o valor da palavras



O valor da palavra

Dou-te minha palavra
que uma imagem vale
quantas palavras
puder expressar.

Devolvo-te em palavras
expressas em números
desses que podem ter
qualquer valor
(caso me engane)
que nada vale mais
que o próprio valor.

Ora, se o valor em si
está expresso
naquilo que o contém
palavra e imagem
equivalem-se.

A despeito da lógica
convenhamos:
existe algo melhor
que trocar certas palavras?

Pode-se contestar
que o valor intrínseco
do que se troca
não é igual.
o que vale dizer:
dá-se lucro ou tem-se prejuízo.

Para finalizar reafirmo
no mais perfeito e são juízo:
o que se dá, multiplica-se
o que se retém, se esvai
se a imagem não é perfeita
o remendo com palavras se faz.

Poema de Abel Sidney

Leiam mais poemas no blog do autor:
http://abelsidney.blogspot.com/

a nudez é sempre humana…

A nudez é sempre humana,a palavra também
por Adriana Bandeira



Chamo Leituras freudianas a possibilidade de pensarmos a psicanálise como parte de nossas vidas. Depois da descoberta de Freud nunca mais foi possível separar alguns conceitos, percepções e mesmo saberes que cada um carrega de forma peculiar. Podemos pensar que estes conceitos servem somente para alguns e que, certamente, metade da população não sabe nada sobre psicanálise. Isso seria verdade se estivéssemos diferenciados por alguma rede não humana, uma capa protetora capaz de barrar a transmissão de saberes através da linguagem. Quando falamos que psicanálise é para quem pode pagar, não estamos lembrando que o pagamento de muitos diz respeito aos sacrifícios do corpo nos efeitos colaterais dos remédios, distribuídos gratuitamente; muitas vezes está num diagnóstico pseudo-psicanalítico que imprime numa criança o termo: hiperativo; nos excessos de uma visão deturpada de infância que faz com que as crianças possam tudo porque Freud falou isto ou aquilo. São os conceitos usados de forma inescrupulosa.

Leiam todo o artigo aqui ou no blog da autora:

http://indecentespalavras.blogspot.com/

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palavras do interTextual, aqui e lá

literal mente
por Marcio Nicolau

leiam aqui e lá:
http://www.espacointertextual.blogspot.com/



“(…) Só o poeta é que tem de lidar com a ingrata linguagem alheia…
A impura linguagem dos homens” (Mário Quintana).

Nítida ou não, toda impressão dada constitui um dado. A fala impressa, diverso lado, o pensamento, cuidado, peça adaptável desmonta e a princípio dificilmente remonta. Num dado contexto vasto sentido, difícil o texto, subtexto a mente aponta.

Toda via é possível ler. Transferidas, todavia, expostas, sob outra luz são lidas pesadas projeções às pensadas palavras postas. Salvas em tintas fortes e em caixa alta saltam a vista e o que está claro se mostra. Por pouco tempo hoje, entrementes, a salvo, entrelinhas amarradas estão em caixas de entrada e saída, e-mails, meio soltos, dados recados inteiros que partem rumo adverso a diversas rotas.
No passado, cunhadas de próprio punho cartas eram cuidadosamente remetidas às caixas postais ou metidas pulsando ainda por debaixo da porta e depois de lidas as falas, impulso: guardadas mensagens eram escritas de volta. Na pressa rascunhadas agora, mensagens portam vagas verdades às pressas impressas e vagam, não voltam, para sempre jogadas, dispostas.

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