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em Vidráguas, enRedamos os versos com Paulo Leminski

Hoje, mais um poema enRedado, e seguimos rumo ao enredo XIX com o poeta Augusto de Campos, nosso próximo poeta lido e homenageado…



Para ler,cliquem na imagem ou leiam lá no blog de Luana Neres autora da arte de nossos trabalhos. E já passamos de 9.000 leituras e logo teremos o segundo webLivros, oba!!

Um beijo, bom domingo e boa semana a todos que nos leem!

pensando a Poesia com Paulo Leminski



duas folhas na sandália

o outono
também quer andar



SINTONIA PARA PRESSA E PRESSÁGIO


Escrevia no espaço.
Hoje, grafo no tempo,
na pele, na palma, na pétala,
luz do momento.
Sôo na dúvida que separa
o silêncio de quem grita
do escândalo que cala,
no tempo, distância, praça,
que a pausa, asa, leva
para ir do percalço ao espasmo.


Eis a voz, eis o deus, eis a fala,
eis que a luz se acendeu na casa
e não cabe mais na sala.

leia mais Leminski aqui ou no site de Antonio Miranda de onde recolho estes poemas

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pensando a Poesia com Paulo Leminski

” A Poesia hoje é o emprego da função poética..”



AVISO AOS NÁUFRAGOS

Esta página, por exemplo,
não nasceu para ser lida.
Nasceu para ser pálida,
um mero plágio da Ilíada,
alguma coisa que cala,
folha que volta pro galho
muito depois de caída.

Nasceu para ser praia,
quem sabe Andrômeda, Antártida,
Himalaia, sílaba sentida,
nasceu para ser última
a que não nasceu ainda.

Palavras trazidas de longe
pelas águas do Nilo,
um dia, esta página, papiro,
vai ter que ser traduzida,
para o símbolo, para o sânscrito,
para todos os dialetos da Índia,
vai ter que dizer bom-dia
ao que só se diz ao pé do ouvido,
vai ter que ser a brusca pedra
onde alguém deixou cair o vidro.
Não é assim que é a vida?

Leiam toda a postagem

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Dionísios Ares Afrodites

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DIONÍSIOS ARES AFRODITES

aos deuses mais cruéis
juventude eterna

eles nos dão de beber
na mesma taça
o vinho, o sangue e o esperma

Paulo Leminski, p.43, O ex-estranho, ILUMINURAS, coleção Catatau

deixe eu abrir a porta

PARA UMAS NOITES QUE ANDAM FAZENDO

deixe eu abrir a porta
quero ver se a noite vai bem

quem sabe a lua lua
ou nos sonhos crianças
sombras murmuram amém

deixa ver quem some antes
a nuvem estrela ou ninguém

Paulo Leminski, p.37, O ex-estranho, ILUMINURAS, coleção Catatau