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Pessoa

No fingimento de teus versos
descobri que a língua podia
sentir-me fora de mim.
Eu também quis ser toda gente
e em toda parte traduzir-me.
Sou o outro que fui outrora?
Em meus versos, mais compacto,
o teu sentimento ainda soa.

Poema Pessoa, p. 13 do livro: Viagem, espera de Paulo Neves, Companhia das Letras- 2006

a concha vazia, poema inédito de Paulo Neves

A concha vazia

Refugo do mar jogado na areia.
Vento em rodopio nas suas volutas.
Refúgio do mar, canto de sereia
que o tempo esculpiu. A forma da escuta.

Poema de Paulo Neves, lido e copiado do Jornal ZH de sábado (19/12/2009), Caderno Cultura.

Paulo Neves é autor do livro Viagem, espera, editado pela Companhia das Letras.

341290g

E vale acompanhar sua entrevista, aqui ou no Caderno Cultura- Jornal ZH de 19/11/2009, sobre o ofício do poeta

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