fevereiro 26th, 2010 in Poemas, Versos que Conversam | 2 Comments »
DIZER
Se disserem para se diferenciar
ao tocar as flores, recomende
ao aviso,
cautela:
flores se fazem
descompromissadas
e ao toque
despetalam
vidas inacabadas
o talo permanece
com os pés dentro d’água.
(Pedro Du Bois, inédito)
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fevereiro 19th, 2010 in Poemas, Versos que Conversam | 1 Comment »

Apaixonei-me pela luz e a persegui
em beira mares, tive com a areia
atritos indesejáveis: a luz
e os pés molhados; perdi
a batalha, meu refúgio é o escuro
vão da escada, onde guardo
tralhas desconsideradas: rabisco
a poeira com palavras versejadas:
poderia anotar os dias.
(Pedro Du Bois, inédito)
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* tela: A Lua de tarsila do Amaral
fevereiro 5th, 2010 in Poemas, Versos que Conversam | 1 Comment »

A flor
colhida
no frescor
da manhã
amanhece
em vaso d’água
afogada
sem razão
e dor
a flor oferecida
fenece
em desencontro.
(Pedro Du Bois, inédito)
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janeiro 28th, 2010 in Poemas, Versos que Conversam | 1 Comment »
RESTRIÇÕES
Restrito: peça invadida
em móveis: cadeiras
dispostas
em volta
da mesa
posta: a disposição
da fome, o engulho
da comida requentada
no esbulho; cortinas
encerradas na artificialidade
das luzes decompõem
a imagem; o armário
alto de copos e pratos;
o vidro quebrado no canto
inferior direito: a restrição.
(Pedro Du Bois, inédito)
janeiro 20th, 2010 in Poemas, Versos que Conversam | 1 Comment »
AMOR
Ao amor, como ao pássaro, ao caminhar
junto às águas, ao prender os cabelos
da mulher com gestos de amizade,
cabe sensações de arrebatamento
estar em algum lugar e encontrar
o sentido de estar presente: não a necessidade
que se utiliza de artimanhas
para nos manter vivos, não a lealdade
que nos conduz à unicidade dos caminhos
não a felicidade que é predisposta
ao encurvamento: o arrebatamento
de não haver sentido quando a vida
se resume em estarmos juntos.
(Pedro Du Bois, inédito)