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dizer

DIZER

Se disserem para se diferenciar
ao tocar as flores, recomende
ao aviso,
cautela:

flores se fazem
descompromissadas
e ao toque
despetalam

vidas inacabadas
o talo permanece
com os pés dentro d’água.

(Pedro Du Bois, inédito)

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paixão

Lua - Tarsila do Amaral

Apaixonei-me pela luz e a persegui
em beira mares, tive com a areia
atritos indesejáveis: a luz
e os pés molhados; perdi
a batalha, meu refúgio é o escuro
vão da escada, onde guardo
tralhas desconsideradas: rabisco
a poeira com palavras versejadas:
poderia anotar os dias.

(Pedro Du Bois, inédito)

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* tela: A Lua de tarsila do Amaral

FLOR

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A flor
colhida
no frescor
da manhã

amanhece
em vaso d’água
afogada
sem razão
e dor

a flor oferecida
fenece
em desencontro.


(Pedro Du Bois, inédito)

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restrições

RESTRIÇÕES

Restrito: peça invadida
em móveis: cadeiras
dispostas
em volta
da mesa
posta: a disposição
da fome, o engulho
da comida requentada
no esbulho; cortinas
encerradas na artificialidade
das luzes decompõem
a imagem; o armário
alto de copos e pratos;

o vidro quebrado no canto
inferior direito: a restrição.

(Pedro Du Bois, inédito)

amor

AMOR

Ao amor, como ao pássaro, ao caminhar
junto às águas, ao prender os cabelos
da mulher com gestos de amizade,
cabe sensações de arrebatamento

estar em algum lugar e encontrar
o sentido de estar presente: não a necessidade
que se utiliza de artimanhas
para nos manter vivos, não a lealdade
que nos conduz à unicidade dos caminhos

não a felicidade que é predisposta
ao encurvamento: o arrebatamento
de não haver sentido quando a vida
se resume em estarmos juntos.

(Pedro Du Bois, inédito)