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	<title>Vidráguas &#187; pensando com</title>
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		<title>pensando a Poesia com Paulo Leminski</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Jul 2011 14:45:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carmen</dc:creator>
				<category><![CDATA[mo(r)mentos - poemas enRedados]]></category>
		<category><![CDATA[Versos que Conversam]]></category>
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		<category><![CDATA[Paulo Leminski]]></category>
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		<description><![CDATA[duas folhas na sandália o outono também quer andar SINTONIA PARA PRESSA E PRESSÁGIO Escrevia no espaço. Hoje, grafo no tempo, na pele, na palma, na pétala, luz do momento. Sôo na dúvida que separa o silêncio de quem grita do escândalo que cala, no tempo, distância, praça, que a pausa, asa, leva para ir [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/paulo_leminski20102.jpg" rel="lightbox[11306]"><img src="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/paulo_leminski20102-300x200.jpg" alt="" title="paulo_leminski20102" width="300" height="200" class="alignnone size-medium wp-image-11307" /></a><br />
<br />
duas folhas na sandália<br />
<br />
o outono<br />
também quer andar<br />
<br />
<iframe width="425" height="349" src="http://www.youtube.com/embed/T-iCzSsOZy4" frameborder="0" allowfullscreen></iframe><br />
<br />
SINTONIA PARA PRESSA E PRESSÁGIO<br />
<br /> <br />
Escrevia no espaço.<br />
Hoje, grafo no tempo,<br />
na pele, na palma, na pétala,<br />
luz do momento.<br />
Sôo na dúvida que separa<br />
o silêncio de quem grita<br />
do escândalo que cala,<br />
no tempo, distância, praça,<br />
que a pausa, asa, leva<br />
para ir do percalço ao espasmo.<br />
<br /> <br />
Eis a voz, eis o deus, eis a fala,<br />
eis que a luz se acendeu na casa<br />
e não cabe mais na sala.<br />
<br />
leia mais Leminski aqui ou no site de <a href="http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/parana/paulo_lemiski.html">Antonio Miranda </a>de onde recolho estes poemas<br />
<br />
<span id="more-11306"></span><br />
 DIONISIOS ARES AFRODITE<br />
<br /> <br />
aos deuses mais cruéis<br />
           juventude eterna<br />
<br />
eles nos dão de beber<br />
           na mesma taça<br />
o vinho, o sangue e o esperma.<br />
<br />
AVISO AOS NÁUFRAGOS<br />
<br />
Esta página, por exemplo<br />
não nasceu para ser lida.<br />
Nasceu para ler pálida,<br />
um mero plágio da Ilíada,<br />
alguma coisa que cala,<br />
folha que volta pró galho,<br />
muito depois de caída.<br />
<br />
Nasceu para ser praia,<br />
quem sabe Andrômeda, Antártida,<br />
Himalaia, sílaba sentida,<br />
nasceu para ser última<br />
a que não nasceu ainda.<br />
<br />
Palavras trazidas de longe<br />
pelas águas do Nilo,<br />
um dia, esta página, papiro,<br />
vai ter que ser traduzida,<br />
para o símbolo, para o sânscrito,<br />
para todos os dialetos da Índia,<br />
vai ter que dizer bom dia<br />
ao que só se diz ao pé do ouvido,<br />
vai ter que ser a brusca pedra<br />
onde alguém deixou cair o vidro.<br />
Não é assim que é a vida?<br />
<br />
Furo a parede branca<br />
para que a lua entre<br />
e confira com a que,<br />
frouxa no meu sonho,<br />
é maior do que a noite<br />
<br />
das coisas<br />
que eu fiz a metro<br />
todos saberão<br />
quantos quilômetros<br />
são<br />
<br />
aquelas<br />
em centímetros<br />
sentimentos mínimos<br />
ímpetos infinitos<br />
não?<br />
<br />
Fonte destes poemas: Site de Poesia Antonio Miranda e Destino Poesia, organizacão Italo Moriconi, José Olympio.</p>
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		<title>A palavra inacabada em pensando a Poesia &#8230;</title>
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		<pubDate>Fri, 15 Jul 2011 04:47:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carmen</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Sandrio Cândido]]></category>
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		<description><![CDATA[A palavra inacabada por Sandrio Cândido Indizível é uma palavra que me fascina. Sempre me perguntei até onde vai o poder da palavra, tudo que existe pode ser dito? Só existe o que é dito? Pode a palavra conter toda a verdade do que pensamos e sentimento ao longo de nossa experiência? São questões que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A palavra inacabada<br />
por Sandrio Cândido<br />
<br /> <br />
<a href="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/palavra3.jpg" rel="lightbox[11128]"><img src="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/palavra3-300x217.jpg" alt="" title="palavra..Vidráguas" width="448" height="336" class="alignnone size-medium wp-image-11129" /></a><br />
<br />
Indizível é uma palavra que me fascina. Sempre me perguntei até onde vai o poder da palavra, tudo que existe pode ser dito? Só existe o que é dito? Pode a palavra conter toda a verdade do que pensamos e sentimento ao longo de nossa experiência?  São questões que me dominas quando inicio a escrita de algum poema, pois sei que a palavra está sempre a mercê da interpretação dentro do contexto no qual ela está sendo lida e por quem a lê. Será mesmo que tudo é linguagem?<br />
<br /> <br />
Em suas cartas a um jovem poeta Rilke diz: &#8221; As coisas em geral não são tão fáceis de aprender e dizer como normalmente nos querem levar a acreditar; a maioria dos acontecimentos é indizível,realiza-se em um espaço que nunca uma palavra penetrou.&#8221;¹  Hoje parece-me que tudo é linguagem para alguns grupos, a palavra ganhou um pedestal. A reflexão sobre a palavra chegou a um ponto em que muito tem a crença de que só existe o que é dizível. Porem nem tudo que é dizível existem e nem tudo que existe cabe em uma palavra. Um exemplo eu posso dizer uma casa voando, mas ela não existe- se existe é só no pensamento- mas na realidade nunca. Do mesmo modo há sentimentos que não conseguimos exprimir em sua totalidade, por mais que eu saiba o que é o amor, o tempo, a morte a vida, as palavras jamais conseguiram dizer o todo destas realidades.<br />
<br />
Leia toda a reflexão<br />
<span id="more-11128"></span><br />
<br /> <br />
 A palavra a meu ver é sempre inacabada. Carrega em si uma realidade, mas nunca o todo desta realidade. A palavra que abarca o todo fecha se dentro de si mesmo, destruindo assim a possibilidade de dialogo e de transcendência, e o homem é um ser que se constrói pelo dialogo. Jean Paul Sartre reconhecia que o homem é um ser de abertura, um ser que se abre a outra realidade. Mas para ele não há um objeto além, outros pensadores reconhecem a abertura e reconhecem o objeto. ² Por isto a palavra nunca contem toda a realidade do que se pensa e do que se quer dizer, a poesia está exatamente neste espaço não dito, o tempo da poesia é o tempo do que se queria dizer e não se consegue- usamos para designar isto a palavra entrelinhas- aquilo que está entre, ou seja o que não se consegue dizer. É por ser inacabado, indizível que as coisas permitem que haja possibilidades de se dizer a mesma sensação de varias formas- reconhecendo que aquela não é a única forma- dai nasce o dialogo, tão preciso para o fundamentalismo de nossas épocas, que não está apenas no meio religioso mas também no intelectual, artístico e cientifico.<br />
<br /> <br />
A palavra permanece em uma esfera que apenas capta um lado das coisas, o homem não necessita apenas da palavra para viver, esta complementa a sua busca. O homem precisa da imagem, da poesia, da mística, da psicologia, do sexo, da razão e do pensamento, da fisiologia entre outras. A palavra só tem valor ao meu entender se esta não tiver a pretensão horrível de dizer tudo, pois toda palavra é também uma forma de se dizer a palavra, será sempre uma metáfora, uma construção humana. A começar por este texto que sendo tecido por palavras não disse tudo, mas permanecem assim inacabados, aqueles que o lêem é que serão capazes de refletir e de continuar a tecê-lo em sua própria existência.<br />
<br />
1- Rilke Rainer Maria- cartas a um jovem poeta. Lepm Pocket.<br />
2- A transcendência humana é um assunto vasto, que não pretendia falar aqui. Vale lembrar que somos seres de abertura, que nos abrimos para algo além de nós- o absoluto ou o nada?- desde Sócrates a filosofia vem tratando disto. Recomendo a quem quiser iniciar na questão ler um pequeno livro Chamado Tempos de Transcendência do autor Leonardo Boff, depois tem as obras mais densas sobre o assunto. Mas este artigo não é sobre a transcendência, mas sobre o dizer da palavra. </p>
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		<title>pensando em Literatura com Pedro Salgueiro</title>
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		<pubDate>Wed, 29 Jun 2011 19:34:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carmen</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Psiu! Li este escrito lá no Literatura sem fronteiras, onde conheci Pedro Salgueiro, escrevi a ele e compartilho aqui com vocês está ótima reflexão, boa tarde e seguimos&#8230; Escritores por Pedro Salgueiro I &#8211; Esses viventes estranhos, metidos a querer saber de quase tudo, a ser “antenas da raça”. São seres falíveis, feito quaisquer unzinhos; [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Psiu! Li este escrito lá no <a href="http://literaturasemfronteiras.blogspot.com/">Literatura sem fronteiras</a>, onde conheci Pedro Salgueiro, escrevi a ele e compartilho aqui com vocês está ótima reflexão, boa tarde e seguimos&#8230;<br />
<br />
Escritores<br />
por Pedro Salgueiro<br />
<br />
<a href="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/escritor.jpg" rel="lightbox[10957]"><img src="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/escritor.jpg" alt="" title="escritor" width="404" height="336" class="alignnone size-full wp-image-10958" /></a><br />
<br />
I &#8211; Esses viventes estranhos, metidos a querer saber de quase tudo, a ser “antenas da raça”. São seres falíveis, feito quaisquer unzinhos; cheios de defeitos, pululam por aí emitindo opiniões sobre o planeta e arredores. Dariam uma enciclopédia em cem volumes todas as previsões, dicas e besteiras que proferiram pelos tempos afora.<br />
<br />
A mim me (sic) parece serem apenas pequenos seres inofensivos, cavilosos, vaidosos, mas inofensivos. Raros escrevem algum livro que mudam uma geração, poucos lançam palavras que se sustem no vento.<br />
<br />
Mas quão triste seria o mundo sem esses vermezinhos feitos de ira, vaidade e água.<br />
<br />
leia toda a crônica-ensaio<br />
<span id="more-10957"></span><br />
<br />
II – Me irrito profundamente quando escuto ou leio alguém reclamando da enorme quantidade de escritores e lançamentos de livros em nossa volúvel loirinha desmazelada pelo sol (esses mesmos jamais reclamam da enorme quantidade de políticos ladrões, marginais de toda sorte, péssimos profissionais e outras mazelas mais que inundam nossa vã sociedade).<br />
<br />
Se for escritor o reclamante, imagino logo que o sujeito quereria ser escritor sozinho e que se acha infinitivamente melhor do que os outros (o que não se confirma na maioria das vezes).<br />
<br />
Caso seja um jornalista o criticante, vejo com piores olhos ainda, visto serem os profissionais que mais deveriam valorizar a classe dos escritores (que todos, mesmos o fazedor de horóscopo, deveriam almejar ser; e não raro são os que mais inflacionam o mercado com obras dispensáveis e medíocres).<br />
<br />
III – Adoro lançamento e se pudesse iria a todos.<br />
<br />
E são raras as semanas em que não vou prestigiar um amigo, um desconhecido ou até antipatizante, com minha gordita presença em sua noite de autógrafos.<br />
<br />
Verdade que detesto discurso e apresentações, e a primeira coisa que observo num palestrante é a quantidade de páginas em suas mãos.<br />
<br />
O resto é só festa, reencontro de amigos, rebuliço de gente, corrida atrás dos quitutes e bebidas; de gente, em sua maioria, de bem (o que não se pode afirmar de muitas reuniões sociais, clubes granfinos e convenções de partidos).<br />
<br />
Portanto, amigos, escrevam bastante e tentem fazê-lo cada vez melhor; pois se seus escritos não ajudarem a tornar melhor o mundo, com certeza não o piorarão.<br />
<br />
*PEDRO SALGUEIRO — Nasceu no Ceará (Tamboril, 15 de novembro de 1964), tem editados os livros de contos O PESO DO MORTO (1ª edição, São Paulo: Ed. Giordano 1995; 2ª edição, Recife: Ed. Bagaço, 1997), O ESPANTALHO (Fortaleza: UFC/Programas Editoriais — Casa de José de Alencar, 1996), BRINCAR COM ARMAS (1ª edição, Rio de Janeiro: Ed. Topbooks, 2000; 2ª edição/On line, França: Éditions 00h00.com) e DOS VALORES DO INIMIGO (Fortaleza: Editora UFC, 2005/Coleção Literatura no Vestibular, nº. 5), além de FORTALEZA VOADORA (Fortaleza: Edição do Caos, 2006), de crônicas.<br />
<br /> <br />
Saibam mais do autor:<br />
<a href="http://www.revista.agulha.nom.br/psalgueiro.html">http://www.revista.agulha.nom.br/psalgueiro.html</a></p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>pensando a Poesia com @monicacompoesia</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Jun 2011 18:47:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carmen</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Escrever é mortal, poetas somos em ponto final. por @monicacompoesia Escrever não é a arte dos sonhadores, mas sim uma forma de inadministrar todas as incontroláveis dores e os sentimentos mais devoradores que ficam a fantasmagar pelos corações que de tanto versar não se sabem pensadores. Escrever é um dos atos mais desesperadores, uma mistura [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Escrever é mortal, poetas somos em ponto final.<br />
por @monicacompoesia<br />
<br />
<a href="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/poeta-somo-Vidráguas.jpg" rel="lightbox[10653]"><img src="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/poeta-somo-Vidráguas.jpg" alt="" title="poeta somo - Vidráguas" width="419" height="336" class="alignnone size-full wp-image-10654" /></a><br />
<br />
Escrever não é a arte dos sonhadores, mas sim uma forma de inadministrar todas as incontroláveis dores e os sentimentos mais devoradores que ficam a fantasmagar pelos corações que de tanto versar não se sabem pensadores.<br />
<br />
Escrever é um dos atos mais desesperadores, uma mistura alucinada de ódios e amores, uma necessidade antropofágica de entorpecimentos criativos e criadores, uma droga barata de doces efeitos devastadores na pele maldita em corpos de papel inquietos e provocadores da própria palavra silenciada diante dos seus olhos infiéis e inquisidores.<br />
<br />
Escrever é transformar em espinhosas flores as letras que se ferem quando têm sua anatomia inocentemente modificada por instintos transgressores que desabam mares intermitentes de descontrole pelas sangrentas mãos machucadas por desejos libertadores. Jardim onde dedos indecentes e agressores durante a árdua  batalha literária esfregam feridas urgentes de amores  literariamente forjadas como prova da luta feroz em silêncio cegamente travada por ousados temores.<br />
<br />
Escrever é o disparar sem nenhuma conseqüência racionalmente esperada com armas de carne poeticamente lapidada projéteis de vida em algum peito marginal que resiste de forma heroicamente acovardada a ter só uma única razão definida na alma. Escrever é mortal. Sobrevive a paixão visceral. Estado inconstantemente terminal. Entranha emoção. Dilacera por opção. Morre e vive. Em nós.<br />
<br />
Leiam toda a crônica ensaio por quem escreve e poema diariamente<br />
<br />
<span id="more-10653"></span><br />
<br />
Cabe ao poeta se desatar entre nós através da representação gráfica e inesperada lentamente imediata da solitária voz que ensurdece as confissões mais primárias, represadas e contaminadas por um medo inconsciente e feroz durante a relação diária individualmente coletiva fisicamente estabelecida entre pessoas friamente nelas mesmas esquecidas durante o pleno exercício de uma superficialidade consentida por uma sociedade absurdamente construída de ausências de si. Atroz. Restos de raso. Desertos. Miragens em um verso. Secretos. Mistérios. Revelados por seres incompletos. Estéticos. Sem senso. Proféticos. Além do belo em seu universo. Desconexos. Dentro de um padrão que espelhado não permite reflexos. Por defesa de seu mundo entreaberto. Despertam. Auto predadores de sabores métricos. Suas próprias presas. Mordem verbais a norma que não se obrigam. Escrevem porque precisam e duvidam.<br />
<br />
Se negam poetas e se portam como cruéis versadores, nobres sem estirpe, auto endeusados, amoralizados senhoras e senhores, donos de uma autoridade ditatorial que se esconde cheia de literários maus odores em falsas verdades apodrecidas dos que da arte se acham únicos sabedores e legítimos detentores. Hierarquizam mentalmente como se fossem grandes conhecedores o nível de prazer dos que consideram candidatos depois de seus ensinamentos imaculados a escritores. Relegam a último plano o desejo legítimo de todos serem sem medos repressores poéticos criadores. Desrespeitam os transgressores sem entender seu sentido. Vivem para descaracterizar o indefinido. Obrigam todos a eles darem ouvidos. Torturam com suas idéias os que se negam a isso. Liberdade para estes é suicídio.<br />
<br />
Em fins, recomeçamos. Escrevemos sem limites, destinos, métricas, teorias ou planos. Estamos. E não nos cabe mais que isso. Precisamos. E em virtude disso pelo direito a paz lutamos. Mesmo que o preço para tanta coragem seja o precipício cavado por seres que detestam a sinceridade com que nos expressamos.<br />
<br />
Não lamentamos. Seguimos vivos, humildes e humanos. Não nos negamos. A ferro e fogo escrevemos o que pensamos. Ousamos. Não toleramos os que tentam nos dizer quem ou o que somos. Contrariando quem pensa que nos maltrata democraticamente nos rebelamos. Poetas. Somos e ponto. Final.</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>pensando a Poesia com Thiago de Mello</title>
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		<pubDate>Sun, 19 Jun 2011 21:45:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carmen</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Poema perto do fim A morte é indolor. O que dói nela é o nada que a vida faz do amor. Sopro a flauta encantada e não dá nenhum som. Levo uma pena leve de não ter sido bom. E no coração, neve. leiam mais poemas aqui ou no Jornal de Poesia, de onde leio [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><iframe width="425" height="349" src="http://www.youtube.com/embed/XylbBRdiRdI" frameborder="0" allowfullscreen></iframe><br />
<br />
<strong>Poema perto do fim</strong><br />
<br />
A morte é indolor.<br />
O que dói nela é o nada<br />
que a vida faz do amor.<br />
Sopro a flauta encantada<br />
e não dá nenhum som.<br />
Levo uma pena leve<br />
de não ter sido bom.<br />
E no coração, neve.<br />
<br />
leiam mais poemas aqui ou no <a href="http://www.jornaldepoesia.jor.br/tmello01.html#fim">Jornal de Poesia</a>, de onde leio e recorto esta colagem.<br />
<br />
<span id="more-10626"></span><br />
<br />
<strong>Arte de amar</strong><br />
<br />
Não faço poemas como quem chora,<br />
nem faço versos como quem morre.<br />
Quem teve esse gosto foi o bardo Bandeira<br />
quando muito moço; achava que tinha<br />
os dias contados pela tísica<br />
e até se acanhava de namorar.<br />
Faço poemas como quem faz amor.<br />
É a mesma luta suave e desvairada<br />
enquanto a rosa orvalhada<br />
se vai entreabrindo devagar.<br />
A gente nem se dá conta, até acha bom,<br />
o imenso trabalho que amor dá para fazer.<br />
<br />
Perdão, amor não se faz.<br />
Quando muito, se desfaz.<br />
Fazer amor é um dizer<br />
(a metáfora é falaz)<br />
de quem pretende vestir<br />
com roupa austera a beleza<br />
do corpo da primavera.<br />
O verbo exato é foder.<br />
A palavra fica nua<br />
para todo mundo ver<br />
o corpo amante cantando<br />
a glória do seu poder.<br />
<br />
<strong>Os astros íntimos</strong><br />
<br />
Consulto a luz dos meus astros,<br />
cada qual de cada vez.<br />
Primeiro olho o do meu peito:<br />
um sol turvo é o meu defeito.<br />
A minha amada adormece<br />
desgostosa do que sou:<br />
a estrela da minha fronte<br />
de descuidos se apagou.<br />
<br />
Ela sonha mal do rumo<br />
que minha galáxia tomou.<br />
Não sabe que uma esmeralda<br />
se esconde na dor que dou.<br />
<br />
A cara consigo ver,<br />
sem tremor e sem temor,<br />
da treva engolindo a flor.<br />
Percorre a mata um espanto.<br />
<br />
A constelação que outrora<br />
ardente cruzava o campo<br />
da vida, hoje mal demora<br />
no fulgor de um pirilampo.<br />
<br />
Mas vale ver que perdura<br />
serena em seu resplendor,<br />
mesmo de luz esgarçada,<br />
a nebulosa do amor.<br />
<br />
Barreirinha, Ponta da Gaivota, 97<br />
<br />
<strong>Ninguém me habita</strong><br />
<br />
Ninguém me habita. A não ser<br />
o milagre da matéria<br />
que me faz capaz de amor,<br />
e o mistério da memória<br />
que urde o tempo em meus neurônios,<br />
para que eu, vivendo agora,<br />
possa me rever no outrora.<br />
Ninguém me habita. Sozinho<br />
resvalo pelos declives<br />
onde me esperam, me chamam<br />
(meu ser me diz se as atendo)<br />
feiúras que me fascinam,<br />
belezas que me endoidecem. </p>
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		<title>pensando a Poesia com Concha Rousia</title>
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		<pubDate>Sun, 12 Jun 2011 22:09:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carmen</dc:creator>
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		<description><![CDATA[SE OS CARVALHOS FALASSEM Se os carvalhos falassem não ficaria eu tão só e as minhas conversas deixariam de ser monólogos que me queimam na gorja Se os carvalhos falassem minha seria a dor da sua decota meu o medo ao incêndio e minha a capa de prata do seu tronco Se os carvalhos falassem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><iframe width="425" height="349" src="http://www.youtube.com/embed/-nL5bx9argg" frameborder="0" allowfullscreen></iframe><br />
<br />
SE OS CARVALHOS FALASSEM<br />
<br />
Se os carvalhos falassem<br />
não ficaria eu tão só<br />
e as minhas conversas deixariam de ser<br />
monólogos que me queimam na gorja<br />
<br />
Se os carvalhos falassem<br />
minha seria a dor da sua decota<br />
meu o medo ao incêndio<br />
e minha a capa de prata do seu tronco<br />
<br />
Se os carvalhos falassem<br />
meu seria o mundo dos pássaros<br />
meus os degoiros e fantasias<br />
minhas as pernas trepadoras de criança<br />
e suas as minhas carícias<br />
<br />
Se os carvalhos falassem<br />
seus os meus ouvidos<br />
minhas as suas queixas<br />
meus os seus ancestros e os druidas<br />
e as fadas do monte que há de herdar meu corpo<br />
<br />
Se os carvalhos falassem<br />
Escutaria eu não outra fala<br />
meu o refugio entre urzeiras e carpaços<br />
minhas a paz e a liberdade<br />
meu o meu destino<br />
e minha a minha pátria.<br />
<br />
Leiam toda a postagem<br />
<br />
<span id="more-10556"></span><br />
<br />
<strong>Fame</strong><br />
(para os filhos e filhas da Galiza)<br />
<br />
fame*<br />
na nossa boca fame<br />
fame de língua<br />
fame de palavras vivas<br />
assassinadas<br />
fazendo de nosso paladar um cemitério<br />
<br />
fame<br />
fame de justiça<br />
fame mesmo de fame<br />
porque hoje eu sinto é<br />
fame de esperança&#8230;<br />
<br />
fame* = fome<br />
<br />
<strong>Carta da Galiza ao Brasil</strong><br />
<br />
Meu bem-querido irmão:<br />
<br />
Antes de mais permite-me que me apresente, há tantas cousas erradas que te tem contado de mim, e eu quero, necessito mesmo, que tu me conheças como eu sou. O meu nome é Galiza, ocupo o Noroeste da península Ibérica, sou geograficamente, culturalmente e linguisticamente irmã de Portugal, que fica ao meu Sul, do outro lado do rio Minho; uma pequeninha parte de mim permaneceu sempre independente de qualquer estado até meados do século XIX, mas hoje sou um território totalmente dominado polo Estado Espanhol&#8230; Eu sou uma velha pátria que esqueceu já a sua idade; mas o que nunca vou esquecer, mesmo que ao mundo lhe custe perceber, é que em mim nasceu e se criou a nossa língua; esta que tu e eu falamos e que por vicissitudes da história se conhece internacionalmente apenas como ‘português’ mas que nós aqui também chamamos ‘galego’. Mas deixa-me continuar a te contar&#8230;<br />
<br />
Permite-me que te fale um bocadinho da minha longa história. Eu sou a velha terra chamada ‘Calaica’ Terra onde, como já te disse, nasceu e se criou esta nossa formosa língua; um dia eu fui grande&#8230; naqueles tempos foram os meus filhos os que emigrados povoaram a Bretanha, o Centro dos Alpes, e as ilhas Britânicas, consolidando durante milênios a laborada cultura Atlântica. Vai ser muito difícil para mim em poucas palavras resumir-te tantos azares, tantas batalhas, tantas façanhas e também tanta dor e tanto sangue derramado.<br />
<br />
Muitos foram os povos que quiseram governar-me, pola cobiça do Ouro, pola riqueza mineira que guardava a minha entranha; chegaram legados de Roma ávidos de conquista e saque, para abrir seu domínio, atravessando do Douro as margens, mas antes tiveram que ceifar 50.000 almas indomáveis, que a peito nu combatiam, porque cobrir o peito era para eles ação de cobardes. Do Latim trazido com as suas outras falas, misturou-se através dos séculos nossa céltica linguagem, para que abrolhasse na Idade Media a língua que agora, meu irmão em espírito, embeleces arrolando-a, com o amor e a exuberância das florestas incontornáveis.  Essa língua mesma nascida para amar e ser cantada criou uma das maiores culturas da Europa Medieval, polo caminho de Sant Iago difundida e admirada. Mas tarde, nas lutas dos reinos Ibéricos polo controlo da Hispânia, fui vencida e humilhada polos reis Católicos de Castela e seus ferozes aliados, para pronto, sem dar-me fôlego, à escuridão ser condenada. Atrás ficara o 1º Reino da Europa a liberar-se do Império romano, no século V, polo embate dos aguerridos suevos. Atrás ficaram as lutas entre Afonso Henriques, 1 º rei português, meu filho do Porto Calem, e seu primo Afonso VII, imperador de toda a Gallaecia.<br />
<br />
Minhas glórias foram vendidas pola arrogância e a astúcia dos homens, pola traição dos insensatos; meu nome da historia foi apagado. Mas o espírito só adormeceu, e centos de anos mais tarde, as vozes de Rosalia, Pondal, Curros Enriquez e muitos outros, alguns mártires em Carral, ergueram de novo esta chama que agora te entrego irmão na confiança, sabendo que farás bom uso dela, e elevarás no continente americano, como na África e Oceania, onde outros irmãos nos aclamam, a voz lírica deste novo mundo, lusofonia chamado, para que nunca mais a vida nascida das minhas entranhas seja por outros desprezada.<br />
<br />
Eis a minha história, irmão Brasil, ainda hoje continuam meus filhos, contra a ignorância lutando, pola dignidade deste recanto que foi berço da cultura que hoje tu com orgulho ao mundo amostras sem arrogância. Continuarão ainda cá tempos difíceis que pronto iremos superando com ajuda dos nossos irmãos que conhecem a nossa palavra, por que a palavra hoje é carne e mora vestida de raças, para os povos unir na nobreza da que foi criada.<br />
<br />
Como vês, querido irmão, a minha luta tem sido longa e sem tréguas, tenho de admitir que vou velha e por vezes me sinto cansada&#8230; Acho alívio em saber que tu herdaste a minha fala e que em ti nunca se apagará a minha chama; não é que eu recuse a luta, mas tenho que ser realista&#8230; o destino da nossa língua, língua em que eternamente viajará a minha alma, aqui na pátria mãe, ainda é incerto.<br />
<br />
Há um ano um grupo de intelectuais e artistas, professores, escritores, e defensores da nossa cultura, criaram a Academia Galega da Língua Portuguesa (AGLP). A ajuda da Academia das Ciências de Lisboa e da Academia Brasileira de Letras foi notável e imprescindível. A AGLP, a que sinto como a minha filha mais nova, tentará abrir os caminhos que rompam o cerco que nos sítia e nos abafa; do seu êxito depende em grande medida o meu futuro, é por isso que te peço a acolhas com agarimo e a ajudes no que puderes em nome da nossa eterna irmandade.<br />
<br />
A nossa língua atravessa uma das suas piores etapas de todos os tempos na terra berço, a terra mãe que com tanto amor a viu nascer, e a seus filhos e filhas de todo o mundo envia hoje a sua voz&#8230; Voz que vai na procura de ajuda que tanto necessito, ajuda que restaure a minha dignidade, peço não continuar a ser ignorada. Por isso te falo, querido irmão, por isso te falo&#8230;<br />
<br />
Recebe de mim a palavra que mais estimes, meu amado irmão Brasil<br />
Assinado: A Galiza<br />
(da Autoria do Clube dos Poetas Vivos: Artur A. Novelhe, Belém de Andrade, José Manuel Barbosa, e Concha Rousia)<br />
<br />
Saiba mais sobre Concha Rousia (poeta da Galiza):<br />
<br />
Autobiografia:<br />
<br />
Concha Rousia nasceu em 1962 numa pequena aldeia no Sul da Galiza, entre Ginzo da Límia e Montalegre, onde passou a sua infância. Deslocou-se posteriormente a Vigo, onde cursou estudos secundários na Universidas Laboral, um internato público para raparigas de famílias camponesas e operarias. Lá sofreu por primeira vez o choque de não poder utilizar com normalidade a sua lingua galego-portuguesa na sua própria terra, e iniciou uma militância cultural e política a favor dos dereitos linguísticos e de identidade da Galiza que continua até hoje. Após diversas peripécias vitais, cursou estudos de Psicologia na Universidade de Santiago de Compostela onde fez parte da equipa fundadora da revista cultural A Regueifa. Residiu posteriormente vários anos nos Estados Unidos, completando um mestrado em Terapia Familiar na Universidade de Maryland. Na actualidade partilha a sua actividade literária com a práctica da Psicologia Clínica perto da cidade compostelã. As Sete Fontes é o seu primeiro romance; anteriormente, deu a conhecer na rede alguns relatos curtos agrupados baixo o título &#8220;Lobos&#8221;. No ano 2004 ganhou o Certame de Narrativa Curta do Concelho de Marim, na Galiza, com o relato &#8220;Segredo de Confissão&#8221;.<br />
<br />
Obras:<br />
As Sete Fontes (romance)<br />
Mortos Vivos (poemas soltos)<br />
Verde (Reagir) (poemas soltos)<br />
<br />
Saiba mais, leia mais poemas no blog da autora<br />
<a href="http://republicadarousia.blogspot.com/">http://republicadarousia.blogspot.com/</a></p>
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		<title>&#8220;a arte e a cultura são necessidades humanas&#8230;&#8221;</title>
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		<pubDate>Fri, 10 Jun 2011 12:26:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carmen</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Reflexão sobre cultura e arte na pós-modernidade por Sandrio Cândido. A história é testemunha do legado de formas de expressão que o ser humano foi deixando registrado em todas as épocas, a estas formas de expressão, de vivenciar e de falar os fatos, de dizer o mundo através de símbolos e ritos, da escrita e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Reflexão sobre cultura e arte na pós-modernidade<br />
por Sandrio Cândido.<br />
<br />
<a href="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/modernidade-líquida-vidráguas.jpg" rel="lightbox[10521]"><img src="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/modernidade-líquida-vidráguas.jpg" alt="" title="modernidade líquida - vidráguas" width="298" height="448" class="alignnone size-full wp-image-10522" /></a><br />
<br />
A história é testemunha do legado de formas de expressão que o ser humano foi deixando registrado em todas as épocas, a estas formas de expressão, de vivenciar e de falar os fatos, de dizer o mundo através de símbolos e ritos, da escrita e pintura, da musica e dança, das artes, deu se o nome de cultura. Não existe povo sem cultura, a questão é se todos possuem uma cultura artística intelectual, a qual tento abordar neste texto, será que cultura intelectual-artística ainda sobrevive na pós- modernidade.<br />
<br /> <br />
Nas últimas décadas houve um crescimento da tecnociência, a técnica influenciou todos os campos de saberes humanos, da teologia a poesia tudo mudou com a tecnociência. As últimas gerações  deixaram um desafio à comunidade artística, ainda não superado, afinal qual seria o papel da arte em um mundo definido por Zigmunt  Baumam com &#8221; sociedade líquida&#8221;, um questão que exige de cada artista de um   repensar do próprio conceito de arte. Quando se fala em sociedade pós-moderna fala se em um tempo de incerteza, de vazio, um tempo de crises, mas toda crise é ao mesmo tempo um queda é um crescimento, um redescobrir do papel da arte.<br />
<br />
Leiam toda a crônica-ensaio<br />
<br />
<span id="more-10521"></span><br />
<br />
Uma das questões que mais se debate, é  a linguagem da arte e da cultura, afinal pontos de vista diferentes debates, se digladiam e se completam, principalmente porque os espaços artísticos deixaram de serem os antigos e hoje tornaram se espaços virtuais (poesia na blogosfera, arte cibernética) a rua (teatro de rua, grafite) entre outros. Os espaços virtuais tornaram se privilegiados principalmente pela poesia. Isto possibilita um diálogo enorme entre os criadores, a obra artística sofre uma influência enorme de fora  desde o pensamento até a sua concepção. A ortodoxia cultural já não possui espaço e as elites já não são as únicas a produzir arte, a Internet possibilita a democratização da criação artística e cultural. Estamos a caminho de sair da solidão criadora para uma coletividade cultural.<br />
<br /> <br />
Apesar da banalização do cotidiano nas redes sociais, é comum encontrar expressões culturais e artísticos ousados na Internet (exemplo o Vidráguas, almagama, revista contemporartes,  a blogosfera, a poesia da Lara Amaral, do Leonardo B, da Priscila rodê, entre outros, livre criar só criar) cabe a estes espaços não deixar que a linguagem se banalize, mas ao contrário influenciar o debate a critica, tão especializada nas elites, cabe a estes espaços elaborar um novo jeito de se pensar e fazer arte e cultura, voltado a nós pessoas deste século. Assim a arte não morrerá nos escombros da saudade passada, mas continuará nos meios virtuais, qual linguagem, não sei, mas os ousados que optarem por responder com a própria obra esta questão se eternizará.<br />
<br />
Eu particularmente não sou ortodoxista e nem pós moderno, acredito apenas que se somos pessoas do século XXI produzindo arte e cultura para o século XXI devemos usar uma linguagem contemporânea e fugir da nostalgia de acreditar que só no passado havia arte e cultura de qualidade. Se o legado de antes está nas bibliotecas, nos museus, creio que no futuro estarão aqui na Internet. Será que a poesia será como a música, ouvida no you-tube? Tudo é possível a quem ousa.<br />
<br />
O que faz a arte e a cultura  acontecer não é o meio social e nem a época, estes apenas influenciam, a arte e a cultura são necessidades humanas, usando uma palavra teológica, a necessidade de transcender, de responder ao anseio pelo belo, de comunicar-se com o mundo e consigo mesmo, comunicar-se com o seu interior, com o divino. Então enquanto houver um ser humano, mesmo em meio a liquidez a arte e cultura sobreviverão, em outras linguagens e espaços elas sempre serão redescobertas pelo ser humano como fonte de expressão e de vida.<br />
<br />
**Sandrio Cândido nasceu em minas gerais, estudou teatro em são paulo, atualmente Estuda filosofia, mora em Curitiba é seminarista do Instituto Missões Consolata e escreve para o Blog Aalmaearosa. </p>
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		<title>pensando a Poesia com Manuel Bandeira</title>
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		<pubDate>Mon, 06 Jun 2011 12:41:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carmen</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Seguimos enRedando os versos, nosso próximo poeta será Manuel Bandeira, acompanhem, leiam, participem&#8230; Neologismo Beijo pouco, falo menos ainda. Mas invento palavras Que traduzem a ternura mais funda E mais cotidiana. Inventei, por exemplo, o verbo teadorar. Intransitivo: Teadoro, Teodora. Leiam mais poemas de Manuel Bandeira Poética Estou farto do lirismo comedido Do lirismo bem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Seguimos enRedando os versos, nosso próximo poeta será Manuel Bandeira, acompanhem, leiam, participem&#8230;<br />
<br />
<iframe width="425" height="349" src="http://www.youtube.com/embed/acWHzVBs394" frameborder="0" allowfullscreen></iframe><br />
<br />
<strong>Neologismo</strong><br />
<br />
Beijo pouco, falo menos ainda.<br />
Mas invento palavras<br />
Que traduzem a ternura mais funda<br />
E mais cotidiana.<br />
Inventei, por exemplo, o verbo teadorar.<br />
Intransitivo:<br />
Teadoro, Teodora.<br />
<br />
<span id="more-10486"></span><br />
Leiam mais poemas de Manuel Bandeira<br />
<br />
<!--more--><br />
<br />
<strong>Poética</strong><br />
<br />
Estou farto do lirismo comedido<br />
Do lirismo bem comportado<br />
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente<br />
protocolo e manifestações de apreço ao Sr. diretor.<br />
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário<br />
o cunho vernáculo de um vocábulo.<br />
Abaixo os puristas<br />
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais<br />
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção<br />
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis<br />
Estou farto do lirismo namorador<br />
Político<br />
Raquítico<br />
Sifilítico<br />
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja<br />
fora de si mesmo<br />
De resto não é lirismo<br />
Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante<br />
exemplar com cem modelos de cartas e as diferentes<br />
maneiras de agradar às mulheres, etc<br />
Quero antes o lirismo dos loucos<br />
O lirismo dos bêbedos<br />
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos<br />
O lirismo dos clowns de Shakespeare<br />
<br />
— Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.<br />
<br />
Estes poemas belíssimos, de Manuel Bandeira — Estrela da Vida Inteira, Ed. Nova Fronteira, fone (021)286.78.22, Brasil — foram inspiração (e homenagem a ele) para Soares Feitosa, &#8220;in&#8221; Do Belo-Belo.<br />
<br />
<strong>O último poema</strong><br />
<br />
Assim eu quereria o meu último poema.<br />
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais<br />
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas<br />
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume<br />
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos<br />
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.<br />
<br />
<strong>Vou-me embora pra Pasárgada</strong><br />
<br />
Vou-me embora pra Pasárgada<br />
Lá sou amigo do rei<br />
Lá tenho a mulher que eu quero<br />
Na cama que escolherei<br />
Vou-me embora pra Pasárgada<br />
<br />
Vou-me embora pra Pasárgada<br />
Aqui eu não sou feliz<br />
Lá a existência é uma aventura<br />
De tal modo inconseqüente<br />
Que Joana a Louca de Espanha<br />
Rainha e falsa demente<br />
Vem a ser contraparente<br />
Da nora que eu nunca tive<br />
<br />
E como farei ginástica<br />
Andarei de bicicleta<br />
Montarei em burro brabo<br />
Subirei no pau-de-sebo<br />
Tomarei banhos de mar!<br />
E quando estiver cansado<br />
Deito na beira do rio<br />
Mando chamar a mãe-d&#8217;água<br />
Pra me contar as histórias<br />
Que no tempo de eu menino<br />
Rosa vinha me contar<br />
Vou-me embora pra Pasárgada<br />
<br />
Em Pasárgada tem tudo<br />
É outra civilização<br />
Tem um processo seguro<br />
De impedir a concepção<br />
Tem telefone automático<br />
Tem alcalóide à vontade<br />
Tem prostitutas bonitas<br />
Para a gente namorar<br />
<br />
E quando eu estiver mais triste<br />
Mas triste de não ter jeito<br />
Quando de noite me der<br />
Vontade de me matar<br />
— Lá sou amigo do rei —<br />
Terei a mulher que eu quero<br />
Na cama que escolherei<br />
Vou-me embora pra Pasárgada</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Em Vidráguas, pensando a Poesia com Sandrio Cândido</title>
		<link>http://vidraguas.com.br/wordpress/2011/05/20/em-vidraguas-pensando-a-poesiacom-sandrio-candido/</link>
		<comments>http://vidraguas.com.br/wordpress/2011/05/20/em-vidraguas-pensando-a-poesiacom-sandrio-candido/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 20 May 2011 14:35:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carmen</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Foto do Dia]]></category>
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		<category><![CDATA[pensando a arte com]]></category>
		<category><![CDATA[pensando com]]></category>
		<category><![CDATA[poesia brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Renata Lopes Leite]]></category>
		<category><![CDATA[Sandrio Cândido]]></category>
		<category><![CDATA[Vidráguas]]></category>

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		<description><![CDATA[Esboço sobre poesia por Sandrio Cândido. Fotografia de Renata Lopes Leite No mundo tudo se faz ideia quando toca o nosso olhar. O que há de mais belo na poesia é esta capacidade que tem os verdadeiros poetas de captar no olhar a sensibilidade dos seres, inclusive dos objetos através dos seus olhares, em mundo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Esboço sobre poesia<br />
por Sandrio Cândido.<br />
<br />
<a href="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/Renata-Lopes-Leite.jpg" rel="lightbox[10275]"><img src="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/Renata-Lopes-Leite.jpg" alt="" title="Renata Lopes Leite" width="448" height="300" class="alignnone size-full wp-image-10276" /></a><br />
Fotografia de Renata Lopes Leite<br />
<br />
No mundo tudo se faz ideia quando toca o nosso olhar. O que há de mais belo na poesia é esta capacidade  que tem os verdadeiros poetas de captar no olhar a sensibilidade dos seres, inclusive dos objetos através dos seus olhares, em mundo insensível como o nosso, isto soa com uma beleza rara. Não é palavra a essência dos poetas, mas para aqueles que querem viver a poesia, além da pagina de um livro, o  olhar é essencial.<br />
<br />
A poesia é algo inaudito, mas que cala profundo em nosso coração. O poeta não é aquele capaz de escolher belas formas metrificadas, mas é aquele capaz de silenciar a voz o leitor e levá-lo a uma reflexão profunda de si mesmo,aquele capaz de fazer &#8221; que seja eterno enquanto dure&#8221;.<br />
<br />
Leia toda a crônica &#8211; ensaio<br />
<span id="more-10275"></span><br />
<br />
A poesia nos faz refletir porque ela é feita de símbolos (imagens) que codificam a existência e marca o nosso inconsciente, um exemplo desta poesia está em Fernando pessoa e Shakespeare, além de outros grandes nomes da poesia mundial.<br />
<br />
A linguagem poética é quase sempre marcada pela tragédia e pela dor, pelo &#8221; ser finito ser eterno&#8221;, pelos instantes. A escrita poética é uma busca pela verdade, por isto muitas vezes persiste a contradição ao olharmos a obra de um autor, porque cada poema é uma nova percepção do tempo em que ele vive. O ser humano é uma contradição, e a poesia é essencialmente uma visão do ser humano e do tempo-espaço no qual ele está inserido Das artes literárias, penso que a poesia é a única que não pode ser apenas fruto da imaginação, a existência humana e a filosofia são responsáveis por  lapidar a obra poética.A poesia é também uma transcrição sentimental das lutas sociais, o poeta dar a estas lutas uma condição existencial, tão bem descrita em Drummond. Na blogosfera há uma vantagem para os novos poetas, pois nos comentários dos leitores é que descobrimos o significado da nossa poesia. Algumas interpretações se distanciam daquilo que imaginamos, mas esta a beleza. como um verso simples desperta varias sensações no leitor? Como um poema leva a vários pensamentos diferentes?<br />
<br />
Mariana Ianelli escreve em um dos seus poemas: “A poesia está muda, já não se evoca mais&#8221;. Não deixa de ter razão o pensamento da poetisa diante da crise da arte na qual estamos inseridos, hoje o poema ganhou novas formas, com os movimentos novos, alguns estranhos (poema concreto poesia visual) e absurdos, mas a poesia ainda é a mesma. Nem todo poema é poesia. Hoje o poema muitas vezes não fala ao leitor, pois o poeta vive buscando a forma perfeita e esquece-se de fazer poesia.<br />
<br />
Porém a boa poesia continua a se perpetuar tanto nas páginas dos livros como nas páginas da Blogosfera, nestes poemas sobrevive a única forma de se fazer poema, grafando nas entrelinhas a poesia. Estas entrelinhas  quase sempre guarda pedaços dos poetas, um pouco do homem que se permite grafar no chão árido do poema.<br />
<br /> <br />
Sem sentimento (solidão, saudade, amor, felicidade, sonho, dor) enfim sem a alma não existe poesia, mas existem apenas palavras grafadas no papel metrificamente, como disse Paul Claudel “a poesia não é feita destas palavras que espeto no papel como pregos, mas sim daquilo que fica nas entrelinhas&#8221;.<br />
 <br />
*Sandrio Cândido nasceu em  minas gerais, estudou teatro em são paulo, atualmente Estuda filosofia, mora em Curitiba é seminarista do Instituto Missões Consolata e escreve para o Blog Aalmaearosa. </p>
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		<title>pensando a Poesia com Fernando Pessoa</title>
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		<pubDate>Mon, 16 May 2011 15:27:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carmen</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8221; O poeta vale aquilo que vale o melhor de seus poemas.&#8221;<br />
<br />
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<br />
<strong>Poesia</strong><br />
<br />
Os críticos podem dizer que determinado poema, longamente ritmado, não quer, afinal, dizer senão que o dia está bom. Mas dizer que o dia está bom é difícil, e o dia bom, ele mesmo, passa. Temos, pois, que conservar o dia bom em memória florida e prolixa, e assim constelar de novas flores ou de novo astros os campos ou os céus da exterioridade vazia e passageira.<br />
<br />
Fernando Pessoa em Livro do Desassossego<br />
<br />
Leia mais<br />
<span id="more-10237"></span><br />
<br />
<strong>Amar é Pensar </strong><br />
<br />
Passei toda a noite, sem dormir, vendo, sem espaço, a figura dela,<br />
E vendo-a sempre de maneiras diferentes do que a encontro a ela.<br />
Faço pensamentos com a recordação do que ela é quando me fala,<br />
E em cada pensamento ela varia de acordo com a sua semelhança.<br />
Amar é pensar.<br />
E eu quase que me esqueço de sentir só de pensar nela.<br />
Não sei bem o que quero, mesmo dela, e eu não penso senão nela.<br />
Tenho uma grande distração animada.<br />
Quando desejo encontrá-la<br />
Quase que prefiro não a encontrar,<br />
Para não ter que a deixar depois.<br />
Não sei bem o que quero, nem quero saber o que quero.<br />
Quero só Pensar nela.<br />
Não peço nada a ninguém, nem a ela, senão pensar.<br />
<br />
Alberto Caeiro, in &#8220;O Pastor Amoroso&#8221;<br />
Heterónimo de Fernando Pessoa<br />
<br />
<strong>Dizem que finjo ou minto</strong><br />
<br />
Dizem que finjo ou minto<br />
Tudo que escrevo. Não.<br />
Eu simplesmente sinto<br />
Com a imaginação.<br />
Não uso o coração.<br />
<br />
Tudo o que sonho ou passo,<br />
O que me falha ou finda,<br />
É como que um terraço<br />
Sobre outra coisa ainda.<br />
Essa coisa é que é linda.<br />
<br />
Por isso escrevo em meio<br />
Do que não está ao pé,<br />
Livre do meu enleio,<br />
Sério do que não é,<br />
Sentir, sinta quem lê !<br />
<br />
Fernando Pessoa em o Cancioneiro<br />
<br />
<strong>O Passado é o Presente na Lembrança </strong><br />
<br />
Se recordo quem fui, outrem me vejo,<br />
E o passado é o presente na lembrança.<br />
Quem fui é alguém que amo<br />
Porém somente em sonho.<br />
E a saudade que me aflige a mente<br />
Não é de mim nem do passado visto,<br />
Senão de quem habito<br />
Por trás dos olhos cegos.<br />
Nada, senão o instante, me conhece.<br />
Minha mesma lembrança é nada, e sinto<br />
Que quem sou e quem fui<br />
São sonhos diferentes.<br />
<br />
Ricardo Reis, in &#8220;Odes&#8221;<br />
Heterónimo de Fernando Pessoa<br />
<br />
<strong>Carta de Fernando Pessoa para Adolfo Casais Monteiro</strong><br />
<br />
Meu prezado Camarada:<br />
<br />
Muito agradeço a sua carta, a que vou responder imediata e integralmente. Antes de, propriamente, começar, quero pedir-lhe desculpa de lhe escrever neste papel de cópia. Acabou-se-me o decente, é domingo, e não posso arranjar outro. Mas mais vale, creio, o mau papel que o adiamento.<br />
<br />
Em primeiro lugar, quero dizer-lhe que nunca eu veria «outras razões» em qualquer cousa que escrevesse, discordando, a meu respeito. Sou um dos poucos poetas portugueses que não decretou a sua própria infalibilidade, nem toma qualquer crítica., que se lhe faça, como um acto de lesa-divindade. Além disso, quaisquer que sejam os meus defeitos mentais, é nula em mim a tendência para a mania da perseguição. À parte isso, conheço já suficientemente a sua independência mental, que, se me é permitido dizê-lo, muito aprovo e louvo. Nunca me propus ser Mestre ou Chefe-Mestre, porque não sei ensinar, nem sei se teria que ensinar; Chefe, porque nem sei estrelar ovos. Não se preocupe, pois, em qualquer ocasião, com o que tenha que dizer a meu respeito. Não procuro caves nos andares nobres.<br />
<br />
Concordo absolutamente consigo em que não foi feliz a estreia, que de mim mesmo fiz com um livro da natureza de «Mensagem». Sou, de facto, um nacionalista místico, um sebastianista racional. Mas sou, à parte isso, e até em contradição com isso, muitas outras cousas. E essas cousas pela mesma natureza do livro, a «Mensagem» não as inclui.<br />
<br />
Comecei por esse livro as minhas publicações pela simples razão de que foi o primeiro livro que consegui, não sei porquê, ter organizado e pronto. Como estava pronto incitaram-me a que o publicasse: acedi. Nem o fiz, devo dizer, com os olhos postos no prémio possível do Secretariado, embora nisso não houvesse pecado intelectual de maior. O meu livro estava pronto em Setembro, e eu julgava, até, que não poderia concorrer ao prémio, pois ignorava que o prazo para entrega dos livros, que primitivamente fora até fim de Julho, fora alargado até ao fim de Outubro. Como, porém, em fim de Outubro já havia exemplares prontos da «Mensagem», fiz entrega dos que o Secretariado exigia. O livro estava exactamente nas condições (nacionalismo) de concorrer. Concorri.<br />
<br />
Quando às vezes pensava na ordem de uma futura publicação de obras minhas, nunca um livro do género de «Mensagem» figurava em número um. Hesitava entre se deveria começar por um livro de versos grande – um livro de umas 350 páginas –, englobando as várias sub-personalidades de Fernando Pessoa ele mesmo, ou se deveria abrir com uma novela policiária, que ainda não consegui completar.<br />
<br />
Concordo consigo, disse, em que não foi feliz a estreia, que de mim mesmo fiz, com a publicação de «Mensagem». Mas concordo com os factos que foi a melhor estreia que eu poderia fazer. Precisamente porque essa faceta – em certo modo secundária – da minha personalidade não tinha nunca sido suficientemente manifestada nas minhas colaborações em revistas (excepto no caso do Mar Português, parte deste mesmo livro) – precisamente por isso convinha que ela aparecesse, e que aparecesse agora. Coincidiu, sem que eu o planeasse ou o premeditasse (sou incapaz de premeditação prática), com um dos momentos críticos (no sentido original da palavra) da remodelação do subconsciente nacional. O que fiz por acaso e se completou por conversa, fora exactamente talhado, com Esquadria e Compasso, pelo Grande Arquitecto.<br />
<br />
(Interrompo. Não estou doido nem bêbado. Estou, porém, escrevendo directamente, tão depressa quanto a máquina mo permite, e vou-me servindo das expressões que me ocorrem, sem olhar a que literatura haja nelas. Suponha – e fará bem em supor, porque é verdade – que estou simplesmente falando consigo.)<br />
<br />
Respondo agora directamente às suas três perguntas: (1) plano futuro da publicação das minhas obras, (2) génese dos meus heterónimos, e (3) ocultismo.<br />
<br />
Feita, nas condições que lhe indiquei, a publicação da «Mensagem», que é uma manifestação unilateral, tenciono prosseguir da seguinte maneira. Estou agora completando uma versão inteiramente remodelada do Banqueiro Anarquista; essa deve estar pronta em breve e conto, desde que esteja pronta, publicá-la imediatamente. Se assim fizer, traduzo imediatamente esse escrito para inglês, e vou ver se o posso publicar em Inglaterra. Tal qual deve ficar, tem probabilidades europeias. (Não tome esta frase no sentido de Prémio Nobel imanente.) Depois – e agora respondo propriamente à sua pergunta, que se reporta a poesia – tenciono, durante o verão, reunir o tal grande volume dos poemas pequenos do Fernando Pessoa ele mesmo, e ver se o consigo publicar em fins do ano em que estamos. Será esse o volume que o Casais Monteiro espera, e é esse que eu mesmo desejo que se faça. Esse, então, será as facetas todas, excepto a nacionalista, que «Mensagem» já manifestou.<br />
<br />
Referi-me, como viu, ao Fernando Pessoa só. Não penso nada do Caeiro, do Ricardo Reis ou do Álvaro de Campos. Nada disso poderei fazer, no sentido de publicar, excepto quando (ver mais acima) me for dado o Prémio Nobel. E contudo – penso-o com tristeza – pus no Caeiro todo o meu poder de despersonalização dramática, pus em Ricardo Reis toda a minha disciplina mental, vestida da música que lhe é própria, pus em Álvaro de Campos toda a emoção que não dou nem a mim nem à vida. Pensar, meu querido Casais Monteiro, que todos estes têm que ser, na prática da publicação, preteridos pelo Fernando Pessoa., impuro e simples!<br />
<br />
Creio que respondi à sua primeira pergunta.<br />
<br />
Se fui omisso, diga em quê. Se puder responder, responderei. Mais planos não tenho, por enquanto. E, sabendo eu o que são e em que dão os meus planos, é caso para dizer, Graças a Deus!<br />
<br />
Passo agora a responder à sua pergunta sobre a génese dos meus heterónimos. Vou ver se consigo responder-lhe completamente.<br />
<br />
Começo pela parte psiquiátrica. A origem dos meus heterónimos é o fundo traço de histeria que existe em mim. Não sei se sou simplesmente histérico, se sou, mais propriamente, um histero-neurasténico. Tendo para esta segunda hipótese, porque há em mim fenómenos de abulia que a histeria, propriamente dita, não enquadra no registo dos seus sintomas. Seja como for, a origem mental dos meus heterónimos está na minha tendência orgânica e constante para a despersonalização e para a simulação. Estes fenómenos – felizmente para mim e para os outros – mentalizaram-se em mim; quero dizer, não se manifestam na minha vida prática, exterior e de contacto com outros; fazem explosão para dentro e vivo-os eu a sós comigo. Se eu fosse mulher – na mulher os fenómenos histéricos rompem em ataques e cousas parecidas – cada poema de Álvaro de Campos (o mais histericamente histérico de mim) seria um alarme para a vizinhança. Mas sou homem – e nos homens a histeria assume principalmente aspectos mentais; assim tudo acaba em silêncio e poesia&#8230;<br />
<br />
Isto explica, tant bien que mal, a origem orgânica do meu heteronimismo. Vou agora fazer-lhe a história directa dos meus heterónimos. Começo por aqueles que morreram, e de alguns dos quais já me não lembro – os que jazem perdidos no passado remoto da minha infância quase esquecida.<br />
<br />
Desde criança tive a tendência para criar em meu torno um mundo fictício, de me cercar de amigos e conhecidos que nunca existiram. (Não sei, bem entendido, se realmente não existiram, ou se sou eu que não existo. Nestas cousas, como em todas, não devemos ser dogmáticos.) Desde que me conheço como sendo aquilo a que chamo eu, me lembro de precisar mentalmente, em figura, movimentos, carácter e história, várias figuras irreais que eram para mim tão visíveis e minhas como as cousas daquilo a que chamamos, porventura abusivamente, a vida real. Esta tendência, que me vem desde que me lembro de ser um eu, tem-me acompanhado sempre, mudando um pouco o tipo de música com que me encanta, mas não alterando nunca a sua maneira de encantar.<br />
<br />
Lembro, assim, o que me parece ter sido o meu primeiro heterónimo, ou, antes, o meu primeiro conhecido inexistente – um certo Chevalier de Pas dos meus seis anos, por quem escrevia cartas dele a mim mesmo, e cuja figura, não inteiramente vaga, ainda conquista aquela parte da minha afeição que confina com a saudade. Lembro-me, com menos nitidez, de uma outra figura, cujo nome já me não ocorre mas que o tinha estrangeiro também, que era, não sei em que, um rival do Chevalier de Pas&#8230; Cousas que acontecem a todas as crianças? Sem dúvida – ou talvez. Mas a tal ponto as vivi que as vivo ainda, pois que as relembro de tal modo que é mister um esforço para me fazer saber que não foram realidades.<br />
<br />
Esta tendência para criar em torno de mim um outro mundo, igual a este mas com outra gente, nunca me saiu da imaginação. Teve várias fases, entre as quais esta, sucedida já em maioridade. Ocorria-me um dito de espírito, absolutamente alheio, por um motivo ou outro, a quem eu sou, ou a quem suponho que sou. Dizia-o, imediatamente, espontaneamente, como sendo de certo amigo meu, cujo nome inventava, cuja história acrescentava, e cuja figura – cara, estatura, traje e gesto – imediatamente eu via diante de mim. E assim arranjei, e propaguei, vários amigos e conhecidos que nunca existiram, mas que ainda hoje, a perto de trinta anos de distância, oiço, sinto, vejo. Repito: oiço, sinto, vejo&#8230; E tenho saudades deles.<br />
<br />
(Em eu começando a falar – e escrever à máquina é para mim falar –, custa-me a encontrar o travão. Basta de maçada para si, Casais Monteiro! Vou entrar na génese dos meus heterónimos literários, que é, afinal, o que V. quer saber. Em todo o caso, o que vai dito acima dá-lhe a história da mãe que os deu à luz.)<br />
<br />
Aí por 1912, salvo erro (que nunca pode ser grande), veio-me à ideia escrever uns poemas de índole pagã. Esbocei umas cousas em verso irregular (não no estilo Álvaro de Campos, mas num estilo de meia regularidade), e abandonei o caso. Esboçara-se-me, contudo, numa penumbra mal urdida, um vago retrato da pessoa que estava a fazer aquilo. (Tinha nascido, sem que eu soubesse, o Ricardo Reis.)<br />
<br />
Ano e meio, ou dois anos depois, lembrei-me um dia de fazer uma partida ao Sá-Carneiro – de inventar um poeta bucólico, de espécie complicada, e apresentar-lho, já me não lembro como, em qualquer espécie de realidade. Levei uns dias a elaborar o poeta mas nada consegui. Num dia em que finalmente desistira – foi em 8 de Março de 1914 – acerquei-me de uma cómoda alta, e, tomando um papel, comecei a escrever, de pé, como escrevo sempre que posso. E escrevi trinta e tantos poemas a fio, numa espécie de êxtase cuja natureza não conseguirei definir. Foi o dia triunfal da minha vida, e nunca poderei ter outro assim. Abri com um título, O Guardador de Rebanhos. E o que se seguiu foi o aparecimento de alguém em mim, a quem dei desde logo o nome de Alberto Caeiro. Desculpe-me o absurdo da frase: aparecera em mim o meu mestre. Foi essa a sensação imediata que tive. E tanto assim que, escritos que foram esses trinta e tantos poemas, imediatamente peguei noutro papel e escrevi, a fio, também, os seis poemas que constituem a Chuva Oblíqua, de Fernando Pessoa. Imediatamente e totalmente&#8230; Foi o regresso de Fernando Pessoa-Alberto Caeiro a Fernando Pessoa ele só. Ou, melhor, foi a reacção de Fernando Pessoa contra a sua inexistência como Alberto Caeiro.<br />
<br />
Aparecido Alberto Caeiro, tratei logo de lhe descobrir – instintiva e subconscientemente – uns discípulos. Arranquei do seu falso paganismo o Ricardo Reis latente, descobri-lhe o nome, e ajustei-o a si mesmo, porque nessa altura já o via. E, de repente, e em derivação oposta à de Ricardo Reis, surgiu-me impetuosamente um novo indivíduo. Num jacto, e à máquina de escrever, sem interrupção nem emenda, surgiu a Ode Triunfal de Álvaro de Campos – a Ode com esse nome e o homem com o nome que tem.<br />
<br />
Criei, então, uma coterie inexistente. Fixei aquilo tudo em moldes de realidade. Graduei as influências, conheci as amizades, ouvi, dentro de mim, as discussões e as divergências de critérios, e em tudo isto me parece que fui eu, criador de tudo, o menos que ali houve. Parece que tudo se passou independentemente de mim. E parece que assim ainda se passa. Se algum dia eu puder publicar a discussão estética entre Ricardo Reis e Álvaro de Campos, verá como eles são diferentes, e como eu não sou nada na matéria.<br />
<br />
Quando foi da publicação de Orpheu, foi preciso, à última hora, arranjar qualquer cousa para completar o número de páginas. Sugeri então ao Sá-Carneiro que eu fizesse um poema «antigo» do Álvaro de Campos – um poema de como o Álvaro de Campos seria antes de ter conhecido Caeiro e ter caído sob a sua influência. E assim fiz o Opiário, em que tentei dar todas as tendências latentes do Álvaro de Campos, conforme haviam de ser depois reveladas, mas sem haver ainda qualquer traço de contacto com o seu mestre Caeiro. Foi dos poemas que tenho escrito, o que me deu mais que fazer, pelo duplo poder de despersonalização que tive que desenvolver. Mas, enfim, creio que não saiu mau, e que dá o Álvaro em botão&#8230;<br />
<br />
Creio que lhe expliquei a origem dos meus heterónimos. Se há porém qualquer ponto em que precisa de um esclarecimento mais lúcido – estou escrevendo depressa, e quando escrevo depressa não sou muito lúcido –, diga, que de bom grado lho darei. E, é verdade, um complemento verdadeiro e histérico: ao escrever certos passos das Notas para recordação do meu Mestre Caeiro, do Álvaro de Campos, tenho chorado lágrimas verdadeiras. É para que saiba com quem está lidando, meu caro Casais Monteiro!<br />
<br />
Mais uns apontamentos nesta matéria&#8230; Eu vejo diante de mim, no espaço incolor mas real do sonho, as caras, os gestos de Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos. Construí-lhes as idades e as vidas. Ricardo Reis nasceu em 1887 (não me lembro do dia e mês, mas tenho-os algures), no Porto, é médico e está presentemente no Brasil. Alberto Caeiro nasceu em 1889 e morreu em 1915; nasceu em Lisboa, mas viveu quase toda a sua vida no campo. Não teve profissão nem educação quase alguma. Álvaro de Campos nasceu em Tavira, no dia 15 de Outubro de 1890 (às 1,30 da tarde, diz-me o Ferreira Gomes; e é verdade, pois, feito o horóscopo para essa hora, está certo). Este, como sabe, é engenheiro naval (por Glasgow), mas agora está aqui em Lisboa em inactividade. Caeiro era de estatura média, e, embora realmente frágil (morreu tuberculoso), não parecia tão frágil como era. Ricardo Reis é um pouco, mas muito pouco, mais baixo, mais forte, mas seco. Álvaro de Campos é alto (1,75 in de altura, mais 2 cm do que eu), magro e um pouco tendente a curvar-se. Cara rapada todos – o Caeiro louro sem cor, olhos azuis; Reis de um vago moreno mate; Campos entre branco e moreno, tipo vagamente de judeu português, cabelo, porém, liso e normalmente apartado ao lado, monóculo. Caeiro, como disse, não teve mais educação que quase nenhuma – só instrução primária; morreram-lhe cedo o pai e a mãe, e deixou-se ficar em casa, vivendo de uns pequenos rendimentos. Vivia com uma tia velha, tia-avó. Ricardo Reis, educado num colégio de jesuítas, é, como disse, médico; vive no Brasil desde 1919, pois se expatriou espontaneamente por ser monárquico. É, um latinista por educação alheia, e um semi-helenista por educação própria. Álvaro de Campos teve uma educação vulgar de liceu; depois foi mandado para a Escócia estudar engenharia, primeiro mecânica e depois naval. Numas férias fez a viagem ao Oriente de onde resultou o Opiário. Ensinou-lhe latim um tio beirão que era padre.<br />
<br />
Como escrevo em nome desses três?&#8230; Caeiro, por pura e inesperada inspiração, sem saber ou sequer calcular o que iria escrever. Ricardo Reis, depois de uma deliberação abstracta, que subitamente se concretiza numa ode. Campos, quando sinto um súbito impulso para escrever e não sei o quê. (O meu semi-heterónimo Bernardo Soares, que aliás em muitas cousas se parece com Álvaro de Campos, aparece sempre que estou cansado ou sonolento, de sorte que tenha um pouco suspensas as qualidades de raciocínio e de inibição; aquela prosa é um constante devaneio. É um semi-heterónimo porque, não sendo a personalidade a minha, é, não diferente da minha, mas uma simples mutilação dela. Sou eu menos o raciocínio e a afectividade. A prosa, salvo o que o raciocínio dá de ténue à minha, é igual a esta, e o português perfeitamente igual; ao passo que Caeiro escrevia mal o português, Campos razoavelmente mas com lapsos como dizer «eu próprio» em vez de «eu mesmo», etc., Reis melhor do que eu, mas com um purismo que considero exagerado. O difícil para mim é escrever a prosa de Reis – ainda inédita – ou de Campos. A simulação é mais fácil, até porque é mais espontânea, em verso.)<br />
<br />
Nesta altura estará o Casais Monteiro pensando que má sorte o fez cair, por leitura, em meio de um manicómio. Em todo o caso, o pior de tudo isto é a incoerência com que o tenho escrito. Repito, porém: escrevo como se estivesse falando consigo, para que possa escrever imediatamente. Não sendo assim, passariam meses sem eu conseguir escrever. (1)<br />
<br />
Falta responder à sua pergunta quanto ao ocultismo. Pergunta-me se creio no ocultismo. Feita assim, a pergunta não é bem clara; compreendo porém a intenção e a ela respondo. Creio na existência de mundos superiores ao nosso e de habitantes desses mundos, em experiências de diversos graus de espiritualidade, subtilizando-se até se chegar a um Ente Supremo, que presumivelmente criou este mundo. Pode ser que haja outros Entes, igualmente Supremos, que hajam criado outros universos, e que esses universos coexistam com o nosso, interpenetradamente ou não. Por estas razões, e ainda outras, a Ordem Externa do Ocultismo, ou seja, a Maçonaria, evita (excepto a Maçonaria anglo-saxónica) a expressão «Deus», dadas as suas implicações teológicas e populares, e prefere dizer «Grande Arquitecto do Universo», expressão que deixa em branco o problema de se Ele é Criador, ou simples Governador do mundo. Dadas estas escalas de seres, não creio na comunicação directa com Deus, mas, segundo a nossa afinação espiritual, poderemos ir comunicando com seres cada vez mais altos. Há três caminhos para o oculto: o caminho mágico (incluindo práticas como as do espiritismo, intelectualmente ao nível da bruxaria, que é magia também), caminho esse extremamente perigoso, em todos os sentidos; o caminho místico, que não tem propriamente perigos, mas é incerto e lento; e o que se chama o caminho alquímico, o mais difícil e o mais perfeito de todos, porque envolve uma transmutação da própria personalidade que a prepara, sem grandes riscos, antes com defesas que os outros caminhos não têm. Quanto a «iniciação» ou não, posso dizer-lhe só isto, que não sei se responde à sua pergunta: não pertenço a Ordem Iniciática nenhuma. A citação, epígrafe ao meu poema Eros e Psique, de um trecho (traduzido, pois o Ritual é em latim) do Ritual do Terceiro Grau da Ordem Templária de Portugal, indica simplesmente – o que é facto – que me foi permitido folhear os Rituais dos três primeiros graus dessa Ordem, extinta, ou em dormência desde cerca de 1888.(2) Se não estivesse em dormência, eu não citaria o trecho do Ritual, pois se não devem citar (indicando a origem) trechos de Rituais que estão em trabalho.(3)<br />
<br />
Creio assim, meu querido camarada, ter respondido, ainda com certas incoerências, às suas perguntas. Se há outras que deseja fazer, não hesite em fazê-las. Responderei conforme puder e o melhor que puder. O que poderá suceder, e isso me desculpará desde já, é não responder tão depressa.<br />
<br />
Abraça-o o camarada que muito o estima e admira.<br />
<br />
Fernando Pessoa<br />
<br />
P. S. (!!!)<br />
<br />
Recortes e poemas retirados do livro de  Citações e Pensamentos, Fernado Pessoa, organização Paulo Neves da Silva, editora LeYa. </p>
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