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pensando a Poesia com Concha Rousia



SE OS CARVALHOS FALASSEM

Se os carvalhos falassem
não ficaria eu tão só
e as minhas conversas deixariam de ser
monólogos que me queimam na gorja

Se os carvalhos falassem
minha seria a dor da sua decota
meu o medo ao incêndio
e minha a capa de prata do seu tronco

Se os carvalhos falassem
meu seria o mundo dos pássaros
meus os degoiros e fantasias
minhas as pernas trepadoras de criança
e suas as minhas carícias

Se os carvalhos falassem
seus os meus ouvidos
minhas as suas queixas
meus os seus ancestros e os druidas
e as fadas do monte que há de herdar meu corpo

Se os carvalhos falassem
Escutaria eu não outra fala
meu o refugio entre urzeiras e carpaços
minhas a paz e a liberdade
meu o meu destino
e minha a minha pátria.

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“a arte e a cultura são necessidades humanas…”

Reflexão sobre cultura e arte na pós-modernidade
por Sandrio Cândido.



A história é testemunha do legado de formas de expressão que o ser humano foi deixando registrado em todas as épocas, a estas formas de expressão, de vivenciar e de falar os fatos, de dizer o mundo através de símbolos e ritos, da escrita e pintura, da musica e dança, das artes, deu se o nome de cultura. Não existe povo sem cultura, a questão é se todos possuem uma cultura artística intelectual, a qual tento abordar neste texto, será que cultura intelectual-artística ainda sobrevive na pós- modernidade.


Nas últimas décadas houve um crescimento da tecnociência, a técnica influenciou todos os campos de saberes humanos, da teologia a poesia tudo mudou com a tecnociência. As últimas gerações deixaram um desafio à comunidade artística, ainda não superado, afinal qual seria o papel da arte em um mundo definido por Zigmunt Baumam com ” sociedade líquida”, um questão que exige de cada artista de um repensar do próprio conceito de arte. Quando se fala em sociedade pós-moderna fala se em um tempo de incerteza, de vazio, um tempo de crises, mas toda crise é ao mesmo tempo um queda é um crescimento, um redescobrir do papel da arte.

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pensando a Poesia com Manuel Bandeira

Seguimos enRedando os versos, nosso próximo poeta será Manuel Bandeira, acompanhem, leiam, participem…



Neologismo

Beijo pouco, falo menos ainda.
Mas invento palavras
Que traduzem a ternura mais funda
E mais cotidiana.
Inventei, por exemplo, o verbo teadorar.
Intransitivo:
Teadoro, Teodora.

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Em Vidráguas, pensando a Poesia com Sandrio Cândido

Esboço sobre poesia
por Sandrio Cândido.


Fotografia de Renata Lopes Leite

No mundo tudo se faz ideia quando toca o nosso olhar. O que há de mais belo na poesia é esta capacidade que tem os verdadeiros poetas de captar no olhar a sensibilidade dos seres, inclusive dos objetos através dos seus olhares, em mundo insensível como o nosso, isto soa com uma beleza rara. Não é palavra a essência dos poetas, mas para aqueles que querem viver a poesia, além da pagina de um livro, o olhar é essencial.

A poesia é algo inaudito, mas que cala profundo em nosso coração. O poeta não é aquele capaz de escolher belas formas metrificadas, mas é aquele capaz de silenciar a voz o leitor e levá-lo a uma reflexão profunda de si mesmo,aquele capaz de fazer ” que seja eterno enquanto dure”.

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pensando a Poesia com Fernando Pessoa

” O poeta vale aquilo que vale o melhor de seus poemas.”



Poesia

Os críticos podem dizer que determinado poema, longamente ritmado, não quer, afinal, dizer senão que o dia está bom. Mas dizer que o dia está bom é difícil, e o dia bom, ele mesmo, passa. Temos, pois, que conservar o dia bom em memória florida e prolixa, e assim constelar de novas flores ou de novo astros os campos ou os céus da exterioridade vazia e passageira.

Fernando Pessoa em Livro do Desassossego

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