Nas cidades putanas,
as avenidas abrem as pernas
e os seios das montanhas
se soltam da lingerie das nuvens
despudoradamente.
As cidades coristas
ornam-se com o colar
das luzes perimetrais
e as árvores de minissaia
dançam ao sabor dos ventos.
As cidades recatadas,
carece conquistá-las.
Em minha cidade,
o sol vem esquiando
a barca do entardecer.
Atravessa o rio,
caminha pelas ruas
com um balde de tintas
conferindo nuanças inesperadas
ao casario.
Uma vida não basta
para decifrar os mistérios
de Porto Alegre.
Poema de Luiz Coronel
Fonte:Correio do Povo
Arte & Agenda
ANO 116 Nº 296 – PORTO ALEGRE, SÁBADO, 23 DE JULHO DE 2011
Sigo acreditando e conVerso…
por Carmen Silvia Presotto
CHOQUES
Quando penas chocam na vidraça do sono,
lágrimas depenam o Etna…
Do adormecido,
desviro a terra do mundo.
Aqueço palavras com beijos
Pássaro pendurado aos filhos do vento
sou o ar desviado de mundo.
Larva, sou a mão úmida de caminhos.
e
Sigo acreditando que a Escritura é a materialidade com que se tece a vida, por isso trabalho, para mim e para outros.
Sigo acreditando que a Escritura é uma respiração, onde o texto é mais do que o humano vê. E onde signos são alinhavos e pontes, o ar será o tecidos para outros fios, tempos e texturas, olhares em que letras são palavras que serão frases que serão parágrafos que serão páginas que serão livros… Dias…Imagens, fatos, épocas, rastros de que houve outra escuta além do ouvido. Indicativos e receitas de que houve outros escritos além dos olhos.