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A barca do entardecer em Anáguas-Vidráguas



A barca do entardecer

Nas cidades putanas,
as avenidas abrem as pernas
e os seios das montanhas
se soltam da lingerie das nuvens
despudoradamente.

As cidades coristas
ornam-se com o colar
das luzes perimetrais
e as árvores de minissaia
dançam ao sabor dos ventos.

As cidades recatadas,
carece conquistá-las.

Em minha cidade,
o sol vem esquiando
a barca do entardecer.

Atravessa o rio,
caminha pelas ruas
com um balde de tintas
conferindo nuanças inesperadas
ao casario.
Uma vida não basta
para decifrar os mistérios
de Porto Alegre.

Poema de Luiz Coronel

Fonte:Correio do Povo
Arte & Agenda
ANO 116 Nº 296 – PORTO ALEGRE, SÁBADO, 23 DE JULHO DE 2011

Para que pés, se possuo asas?



Para que pés, se possuo asas?


Para que pés
Se possuo asas?
Já tenho fé
Por que andar em brasas?


Se eu plano sobre sentimentos
Por que deveria pousar no cimento?


Para que pés
Se soltei minhas amarras?
Já não me pertence revés
Por que manter as barras?


Poema de Francielly Caroba
Fotografia de Paul-Von-Borax

versos de em muitas mãos, poemas enRedados III



E seguimos enRedados em versos… a todos, obrigada pela companhia e bom domingo, boa semana.

Leiam também, em melhor resolução no blog de Luana:
http://luananeres.blogspot.com/

alto-mar, poema de Luiz Otávio Oliani



ALTO- MAR

teias de solidão
no oceano

o navio não mais atraca

de nada servem
a âncora enferrujada
o mastro sem bandeira
a quilha
o radar

todos se foram

só o mar permanece
cúmplice dos desamores do mundo

POEMAS DO LIVRO ESPIRAL, DE LUIZ OTÁVIO OLIANI, EDITORA DA PALAVRA, 2009.

sigo acreditando e conVerso em Interiores

Sigo acreditando e conVerso…
por Carmen Silvia Presotto



CHOQUES

Quando penas chocam na vidraça do sono,
lágrimas depenam o Etna…

Do adormecido,
desviro a terra do mundo.

Aqueço palavras com beijos

Pássaro pendurado aos filhos do vento
sou o ar desviado de mundo.

Larva, sou a mão úmida de caminhos.

e

Sigo acreditando que a Escritura é a materialidade com que se tece a vida, por isso trabalho, para mim e para outros.

Sigo acreditando que a Escritura é uma respiração, onde o texto é mais do que o humano vê. E onde signos são alinhavos e pontes, o ar será o tecidos para outros fios, tempos e texturas, olhares em que letras são palavras que serão frases que serão parágrafos que serão páginas que serão livros… Dias…Imagens, fatos, épocas, rastros de que houve outra escuta além do ouvido. Indicativos e receitas de que houve outros escritos além dos olhos.

leia toda a crônica

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