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A barca do entardecer em Anáguas-Vidráguas



A barca do entardecer

Nas cidades putanas,
as avenidas abrem as pernas
e os seios das montanhas
se soltam da lingerie das nuvens
despudoradamente.

As cidades coristas
ornam-se com o colar
das luzes perimetrais
e as árvores de minissaia
dançam ao sabor dos ventos.

As cidades recatadas,
carece conquistá-las.

Em minha cidade,
o sol vem esquiando
a barca do entardecer.

Atravessa o rio,
caminha pelas ruas
com um balde de tintas
conferindo nuanças inesperadas
ao casario.
Uma vida não basta
para decifrar os mistérios
de Porto Alegre.

Poema de Luiz Coronel

Fonte:Correio do Povo
Arte & Agenda
ANO 116 Nº 296 – PORTO ALEGRE, SÁBADO, 23 DE JULHO DE 2011

parabéns Porto Alegre, Vidráguas!



Porto Alegre, que bem me faz o bem que te quero
por Luiz Coronel


Ah! Porto Alegre
na rótula do tempo
são nítidas tuas estações.

Miro meu rosto
no espelho das águas
e a lua cheia sorri.

Porto Alegre,
no verão és úmida
e tórrida
como as mulheres
abandonadas.

Mas quando chega
o outono
esparramas
o ouro
incandescente
de teu entardecer
pelos casebres da Glória,
pelos bangalôs da Tristeza.

Quando me perco
na melancolia deserta
de tuas noites de inverno
tu me cobres
com a colcha de paina
de tua cerração.

Na primavera
Porto Alegre assovia
milongas
pelos verdes túneis
das ruas de Petrópolis.

Ah! Porto Alegre
que bem me faz
o bem que te quero!

Poema de Luiz Coronel aos 239 anos de Porto Alegre, Correio do Povo,Arte & Agenda,ANO 116 Nº 177 – PORTO ALEGRE, SÁBADO, 26 DE MARÇO DE 2011

* Obrigada Mauro pelo envio deste poema à Vidráguas em homenagem a nossa Cidade.

prefácio ao vivo

prefacio2

Mais no Link:
www. prefacioaovivo.blogspot.com

entre os muros da escola, Mario Quintana em crônica à semana de Porto Alegre

Mário Quintana, o poeta do mapa da cidade de Porto Alegre
por Tânia Du Bois

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(Foto-Vidráguas)

“Olho mapa da cidade / como quem examinasse / a anatomia do corpo / …
Sinto uma dor infinita / das ruas de Porto Alegre / onde jamais passarei…”

Quando se pensa em Porto Alegre, necessariamente se pensa em Mario Quintana. Muitas vezes confundido com a paisagem das ruas do centro da cidade, por seu amor pela cidade, em sentimento recíproco.
Suas caminhadas pela Praça da Alfândega; pelo Correio do Povo, onde publicou o Caderno H, pelo Parcão, teve por objetivo conversar com as pessoas, estabelecendo uma ponte entre o sonhado e o vivido…

Realidade e imaginação, Porto Alegre e poesia se associaram para compor o quadro e permitir a adoção da cidade pelo Poeta. Ele conseguiu, através da sua obra, estabelecer comunicação afetiva com Porto Alegre e encontrou a maneira de ajudar a ver e a refletir o encanto pela cidade, que correspondeu a sua necessidade, num encontro marcado com o Poeta e com o mundo.
Quintana soube desfrutar Porto Alegre, vindo a ser integrado em sua paisagem, tal como a imagem da cidade foi transfigurada nas metáforas de seus poemas.

mario-quintana-entre-os-muros-da-escola
(Foto-Vidráguas)

“Porto Alegre, antes era uma grande cidade pequena. /
Agora, é uma pequena cidade grande.”

O Poeta soube ver Porto Alegre como são vistas as fadas, teve olhos para revelar a face secreta da cidade e das pessoas. Além dos poemas, escreveu o livro de crônicas, Porto Alegre Ontem e Hoje, em 1971.

Foi um poeta de andanças pelas ruas de sua amada Porto Alegre; segundo Aluízio Ribeiro, “A cidade que adotou como sua e cantou como ninguém”.
Pedro Maciel escreveu que “… o poeta ama a cidade e a cidade ama o poeta… Ninguém mais compreendeu tão bem a alma feminina e acolhedora de Porto Alegre, quanto Quintana, e soube com ela manter um caso de amor tão profundo e explícito…”
Ségio Napp disse que “A Casa de Cultura Mário Quintana é o barco que singra a cidade-porto em busca da voz do poeta – símbolo que, ancorado na cidade faz dela seu itinerário de canções.”
Já Waldir Silveira concluí que “Porto Alegre aprendeu a reconhecer-se nos versos de Quintana.”
Mário Quintana na escolha das rimas criou para os porto-alegrenses um clima de acalento para com a cidade, com que expressou a vida, o esperar, o sonhar e se transcreveu em sua representação.

“Céus de Porto Alegre, como farei para levar-vos para o céu?”

um poema e uma crônica de Pedro Du Bois na semana de Porto Alegre

VIADEIRO BORGES DE MEDUTO

Progresso e oportunidade
novo caminho: centro ao bairro

viaduto de cartão postal
brincadeiras em suas escadarias
(risos na inversão das letras).

Pétrea testemunha
do crescimento imóvel
na passagem das gerações.

Pedro Du Bois em Casa das Pedras.

cecilia-meireles

CECÍLIAS
por Pedro Du bois

As cecílias fecharam seus cadernos onde registravam, não em forma de diário, mas diariamente, seus poemas. Às cecílias é dado o direito e o poder de registrar poemas, trançando entre todos – se um dia pudessem ser reunidos – o que chamamos de poesia. Mas, na seqüência do que foi escrito, as cecílias haviam fechado seus cadernos, como gesto de abandono ou de desistência. Se as cecílias não mais escrevessem seus poemas e não os deixassem registrados em seus cadernos, a poesia sumiria das nossas vistas e nossas vidas não teriam mais a magia decorrente.

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