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	<title>Vidráguas &#187; porto alegre</title>
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		<title>A barca do entardecer em Anáguas-Vidráguas</title>
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		<pubDate>Sat, 23 Jul 2011 15:31:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carmen</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Jornal Correio do Povo]]></category>
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		<description><![CDATA[A barca do entardecer Nas cidades putanas, as avenidas abrem as pernas e os seios das montanhas se soltam da lingerie das nuvens despudoradamente. As cidades coristas ornam-se com o colar das luzes perimetrais e as árvores de minissaia dançam ao sabor dos ventos. As cidades recatadas, carece conquistá-las. Em minha cidade, o sol vem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/poa.jpg" rel="lightbox[11267]"><img src="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/poa-300x162.jpg" alt="" title="poa" width="448" height="336" class="alignnone size-medium wp-image-11268" /></a><br />
<br />
A barca do entardecer<br />
<br />
Nas cidades putanas,<br />
as avenidas abrem as pernas<br />
e os seios das montanhas<br />
se soltam da lingerie das nuvens<br />
despudoradamente.<br />
<br />
As cidades coristas<br />
ornam-se com o colar<br />
das luzes perimetrais<br />
e as árvores de minissaia<br />
dançam ao sabor dos ventos.<br />
<br />
As cidades recatadas,<br />
carece conquistá-las.<br />
<br />
Em minha cidade,<br />
o sol vem esquiando<br />
a barca do entardecer.<br />
<br />
Atravessa o rio,<br />
caminha pelas ruas<br />
com um balde de tintas<br />
conferindo nuanças inesperadas<br />
ao casario.<br />
Uma vida não basta<br />
para decifrar os mistérios<br />
de Porto Alegre.<br />
<br />
Poema de Luiz Coronel<br />
<br />
Fonte:Correio do Povo<br />
Arte &#038; Agenda<br />
ANO 116 Nº 296 &#8211; PORTO ALEGRE, SÁBADO, 23 DE JULHO DE 2011</p>
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		<title>parabéns Porto Alegre, Vidráguas!</title>
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		<pubDate>Sat, 26 Mar 2011 14:24:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carmen</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Porto Alegre, que bem me faz o bem que te quero por Luiz Coronel Ah! Porto Alegre na rótula do tempo são nítidas tuas estações. Miro meu rosto no espelho das águas e a lua cheia sorri. Porto Alegre, no verão és úmida e tórrida como as mulheres abandonadas. Mas quando chega o outono esparramas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/parabéns-Porto-Alegre-poema-de-Luiz-Coronel.jpg" rel="lightbox[9316]"><img src="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/parabéns-Porto-Alegre-poema-de-Luiz-Coronel.jpg" alt="" title="parabéns Porto Alegre - poema de Luiz Coronel" width="448" height="336" class="alignnone size-full wp-image-9812" /></a><br />
<br />
Porto Alegre, que bem me faz o bem que te quero<br />
por Luiz Coronel<br />
<br /> <br />
Ah! Porto Alegre<br />
na rótula do tempo<br />
são nítidas tuas estações.<br />
<br />
Miro meu rosto<br />
no espelho das águas<br />
e a lua cheia sorri.<br />
<br />
Porto Alegre,<br />
no verão és úmida<br />
e tórrida<br />
como as mulheres<br />
abandonadas.<br />
<br />
Mas quando chega<br />
o outono<br />
esparramas<br />
o ouro<br />
incandescente<br />
de teu entardecer<br />
pelos casebres da Glória,<br />
pelos bangalôs da Tristeza.<br />
<br />
Quando me perco<br />
na melancolia deserta<br />
de tuas noites de inverno<br />
tu me cobres<br />
com a colcha de paina<br />
de tua cerração.<br />
<br />
Na primavera<br />
Porto Alegre assovia<br />
milongas<br />
pelos verdes túneis<br />
das ruas de Petrópolis.<br />
<br />
Ah! Porto Alegre<br />
que bem me faz<br />
o bem que te quero!<br />
<br />
Poema de Luiz Coronel aos 239 anos de Porto Alegre, Correio do Povo,Arte &#038; Agenda,ANO 116 Nº 177 &#8211; PORTO ALEGRE, SÁBADO, 26 DE MARÇO DE 2011<br />
<br />
* Obrigada Mauro pelo envio deste poema à Vidráguas em homenagem a nossa Cidade. </p>
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		<title>prefácio ao vivo</title>
		<link>http://vidraguas.com.br/wordpress/2009/06/03/prefacio-ao-vivo/</link>
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		<pubDate>Wed, 03 Jun 2009 22:17:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carmen</dc:creator>
				<category><![CDATA[conversando sobre literatura]]></category>
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		<description><![CDATA[Mais no Link: www. prefacioaovivo.blogspot.com]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/prefacio2-340x1024.jpg" alt="prefacio2" title="prefacio2" width="340" height="1024" class="alignnone size-large wp-image-3129" /></p>
<p>Mais no Link:<br />
<a href="http://www. prefacioaovivo.blogspot.com">www. prefacioaovivo.blogspot.com</a></p>
]]></content:encoded>
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		<title>entre os muros da escola, Mario Quintana em crônica à semana de Porto Alegre</title>
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		<pubDate>Sun, 29 Mar 2009 15:55:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carmen</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Mário Quintana, o poeta do mapa da cidade de Porto Alegre por Tânia Du Bois (Foto-Vidráguas) &#8220;Olho mapa da cidade / como quem examinasse / a anatomia do corpo / &#8230; Sinto uma dor infinita / das ruas de Porto Alegre / onde jamais passarei&#8230;&#8221; Quando se pensa em Porto Alegre, necessariamente se pensa em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Mário Quintana, o poeta do mapa da cidade de Porto Alegre</strong><br />
por Tânia Du Bois</p>
<p><img src="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/mario_quintana-entre-os-m-uros-da-escola1.jpg" alt="mario_quintana-entre-os-m-uros-da-escola1" title="mario_quintana-entre-os-m-uros-da-escola1" width="336" height="448" class="alignnone size-full wp-image-2422" /><br />
(Foto-Vidráguas)</p>
<p>&#8220;Olho mapa da cidade / como quem examinasse / a anatomia do corpo / &#8230;<br />
Sinto uma dor infinita / das ruas de Porto Alegre / onde jamais passarei&#8230;&#8221;</p>
<p>Quando se pensa em Porto Alegre, necessariamente se pensa em Mario Quintana. Muitas vezes confundido com a paisagem das ruas do centro da cidade, por seu amor pela cidade, em sentimento recíproco.<br />
Suas caminhadas pela Praça da Alfândega; pelo Correio do Povo, onde publicou o <em>Caderno H</em>, pelo Parcão, teve por objetivo conversar com as pessoas, estabelecendo uma ponte entre o sonhado e o vivido&#8230;</p>
<p>Realidade e imaginação, Porto Alegre e poesia se associaram para compor o quadro e permitir a adoção da cidade pelo Poeta. Ele conseguiu, através da sua obra, estabelecer comunicação afetiva com Porto Alegre e encontrou a maneira de ajudar a ver e a refletir o encanto pela cidade, que correspondeu a sua necessidade, num encontro marcado com o Poeta e com o mundo.<br />
Quintana soube desfrutar Porto Alegre, vindo a ser integrado em sua paisagem, tal como a imagem da cidade foi transfigurada nas metáforas de seus poemas.</p>
<p><img src="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/mario-quintana-entre-os-muros-da-escola.jpg" alt="mario-quintana-entre-os-muros-da-escola" title="mario-quintana-entre-os-muros-da-escola" width="448" height="336" class="alignnone size-full wp-image-2423" /><br />
(Foto-Vidráguas)</p>
<p>&#8220;Porto Alegre, antes era uma grande cidade pequena. /<br />
Agora, é uma pequena cidade grande.&#8221;</p>
<p>O Poeta soube ver Porto Alegre como são vistas as fadas, teve olhos para revelar a face secreta da cidade e das pessoas. Além dos poemas, escreveu o livro de crônicas, <em>Porto Alegre Ontem e Hoje</em>, em 1971.</p>
<p>Foi um poeta de andanças pelas ruas de sua amada Porto Alegre;  segundo Aluízio Ribeiro, &#8220;A cidade que adotou como sua e cantou como ninguém&#8221;.<br />
Pedro Maciel escreveu que &#8220;&#8230; o poeta ama a cidade e a cidade ama o poeta&#8230; Ninguém mais compreendeu tão bem a alma feminina e acolhedora de Porto Alegre, quanto Quintana, e soube com ela manter um caso de amor tão profundo e explícito&#8230;&#8221;<br />
Ségio Napp disse que &#8220;A Casa de Cultura Mário Quintana é o barco que singra a cidade-porto em busca da voz do poeta &#8211; símbolo que, ancorado na cidade faz dela seu itinerário de canções.&#8221;<br />
Já Waldir Silveira concluí que &#8220;Porto Alegre aprendeu a reconhecer-se nos versos de Quintana.&#8221;<br />
Mário Quintana na escolha das rimas criou para os porto-alegrenses um clima de acalento para com a cidade, com que expressou a vida, o esperar, o sonhar e se transcreveu em sua representação.</p>
<p>&#8220;Céus de Porto Alegre, como farei para levar-vos para o céu?&#8221;</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>um poema e uma crônica de Pedro Du Bois na semana de Porto Alegre</title>
		<link>http://vidraguas.com.br/wordpress/2009/03/27/um-poema-e-uma-cronica-de-pedro-du-bois-na-semana-de-porto-alegre/</link>
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		<pubDate>Fri, 27 Mar 2009 14:14:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carmen</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
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		<description><![CDATA[VIADEIRO BORGES DE MEDUTO Progresso e oportunidade novo caminho: centro ao bairro viaduto de cartão postal brincadeiras em suas escadarias (risos na inversão das letras). Pétrea testemunha do crescimento imóvel na passagem das gerações. Pedro Du Bois em Casa das Pedras. CECÍLIAS por Pedro Du bois As cecílias fecharam seus cadernos onde registravam, não em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>VIADEIRO BORGES DE MEDUTO</strong></p>
<p>Progresso e oportunidade<br />
novo caminho: centro ao bairro</p>
<p>viaduto de cartão postal<br />
brincadeiras em suas escadarias<br />
(risos na inversão das letras).</p>
<p>Pétrea testemunha<br />
do crescimento imóvel<br />
na passagem das gerações.</p>
<p>Pedro Du Bois em <em>Casa das Pedras</em>.</p>
<p><img src="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/cecilia-meireles.jpg" alt="cecilia-meireles" title="cecilia-meireles" width="368" height="500" class="alignnone size-full wp-image-2409" /></p>
<p><strong>CECÍLIAS</strong><br />
por Pedro Du bois</p>
<p>As cecílias fecharam seus cadernos onde registravam, não em forma de diário, mas diariamente, seus poemas. Às cecílias é dado o direito e o poder de registrar poemas, trançando entre todos &#8211; se um dia pudessem ser reunidos &#8211; o que chamamos de poesia. Mas, na seqüência do que foi escrito, as cecílias haviam fechado seus cadernos, como gesto de abandono ou de desistência. Se as cecílias não mais escrevessem seus poemas e não os deixassem registrados em seus cadernos, a poesia sumiria das nossas vistas e nossas vidas não teriam mais a magia decorrente. </p>
<p><span id="more-2408"></span></p>
<p>Estaríamos presos em eternas correntes cecilianas e arrastaríamos nossas mágoas e nossas incertas horas de não adormecer ou de nos alimentar, que as letras são a primeira e a última refeição de cada dia. Não podem as cecílias por isso ou por aquilo, de repente e nas razões indiretas do que todas pensam em uníssono, ter tal desistência, adormecimento ou esquecimento. As raivas não se coadunam com as cecílias e delas tomam distância, para não serem transformadas em bonitas figuras decorativas, em amores conquistados entre manchas sobre as toalhas de mesa, ou naquelas pequenas marcas sobre as roupas. As cecílias têm &#8211; ou tinham &#8211; consciência do que representam &#8211; nos seus textos, muitos entremeados com figuras ou desenhos de flores ou animais de estimação, recortados e colados em seus cadernos -, para as demais pessoas que se chamam álvaros, américos, marthas, clarisses e possuem segundos nomes, como pedros antônios, pedros josés, tânias reginas ou marias antônias, anas marias e paulos cesários; as cecílias transitam sós em seus nomes e aceitam apenas únicos sobrenomes, escolhidos para que sejam confortáveis aos poemas e deles não se destaquem nem os atrapalhem quando forem lidos ou lembrados. </p>
<p>Os cadernos das cecílias estão fechados. Uns foram guardados em gavetas, sob coisas ou livros, outros ficaram sobre as mesas, escrivaninhas ou nas mesinhas de cabeceiras (desses, temos esperanças de reencontros ou revoltas) entre contas e breviários, despertadores e luzes menores. A maioria foi colocado em lugares secretos, fechados à nossa imaginação e conhecimento. Nesses repousa o mais grave: o nunca mais serem manuseados, nem sequer lembrados e terem seus poemas consumidos pelos tempos em que as cecílias, completando as cenas, também forem se esquecendo deles e elas, trocando de nome e esquecendo que eram cecílias, se transformem em pessoas como nós, com os nossos nomes e as nossas artimanhas, desconsiderando os poemas guardados no esquecimento com que as letras vão esmaecendo até que nos cadernos sobrem apenas alguns rabiscos em cada folha e não se possa recuperar o que foi escrito, nem ao menos saber que naquele caderno repousou uma vez uma cecília. A criança a quem for dado o caderno terá noites de insônia, o sono agitado de quem recebe a visita de cecílias; em cada amanhecer terá a tentação do grafite e, como ainda não sabe das palavras, preencherá folhas e folhas daqueles cadernos com figuras, traços e rabiscos e, mesmo que o que faça também possa ser poemas, não serão os poemas originais deixados pelas primeiras cecílias. Mesmo que essas crianças perdurem em suas vontades, não alcançarão a glória dos escritos cecilianos. Serão apenas traços e rabiscos, depois letras mal enjambradas, palavras mal escritas, versos tortos de desanimados seres que vieram depois do quando as cecílias pontuavam seus poemas no final das tardes e com cuidado guardavam seus cadernos para que as noites lhes fossem leves e seus sonos fossem calmos e não sonhassem além do que haviam escrito naquele dia e no outro e assim sucessivamente, até que o caderno fosse completado e, na verdade, para que ficassem completos, as cecílias escreviam nas contracapas, nas terceiras capas, antes e após as últimas linhas, nas capas e nas últimas capas. Nem um espaço poderia sobrar, mesmo que para isso tivessem que diminuir as letras, juntar palavras, mudar sentidos e, finalmente, antes de passar para o próximo caderno, lançar como despedida uma última frase poética sobre o tanto que lá estava escrito, ou sobre o rapaz conhecido naquele dia, ou sobre a tristeza de ele estar completo e nele não poder ser lançado mais um verso categórico ou oscilante sobre a vida, a obra, o dia e a noite cecilianamente encerrada em nuvens e estrelas alternadas. </p>
<p>O fechar dos cadernos das cecílias correu mundo; mesmo as pessoas mais broncas, mais ríspidas, mentirosas ou fascinantemente comprometidas com a escuridão e a maldade, sentiram os movimentos ritmados com que os cadernos foram fechados. O abandono da idéia que a todas permeava na certeza com que seus versos não eram entregues em cada tormento, a maneira singela e clara com que seus poemas nos consolavam. Estávamos órfãos, cada pedro, cada paulo, cada regina ou tânia, cada marina ou mariana, cada um que carregava dois, três ou mais nomes, porque as cecílias de simples nomes haviam decidido sem falar umas com as outras, sem ao menos serem conhecidas entre si, que os cadernos não eram mais necessários e que a poesia (antes de se transformar em outras letras que não aquelas) havia terminado. Os cadernos, mesmo os incompletos e até mesmo aqueles que as cecílias mais jovens estavam começando, foram fechados, assim como passa o vento diante das nossas janelas e só o sentimos se abrirmos os vidros e pusermos os braços para fora, e se encerraram sem barulhos, sons ou o mero farfalhar das folhas. São discretas as cecílias com suas obras, com os invólucros e com os gestos. São discretas como seus olhos captando os movimentos vindos de dentro e de fora de cada uma delas: são discretas quando escondem suas lágrimas. </p>
<p>Estamos aqui, desceciliados, na orfandade dos versos e dos poemas completados ontem, antes e por todo o sempre. Não haverá palavra que nos defenda ou que nos arremeta ao amanhã; os amanhãs serão iguais ao ontem e cada um de nós será sua própria palavra: fúnebre, alegre ou triste, desencontrada ou arranhada em paredes. Nossos grafites estarão quebrados, nossas lanças estarão partidas, nossos sonhos estarão acordados. Ainda nos sobrarão as lâminas das facas e com elas, em último e desesperado gesto, faremos nos troncos das árvores mais próximas entalhes de corações atravessados por setas e dentro deles escreveremos com a força resultante, sempre e em cada um, o mesmo nome, repetido e no plural, pois plurais são as cecílias que escreveram em nossas vidas os poemas mais belos. </p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Vidráguas a Porto Alegre, parabéns</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Mar 2009 13:24:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carmen</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Porto Alegre é demais]]></category>

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		<description><![CDATA[O Mapa Olho o mapa da cidade Como quem examinasse A anatomia de um corpo&#8230; (E nem que fosse o meu corpo!) Sinto uma dor infinita Das ruas de Porto Alegre Onde jamais passarei&#8230; Há tanta esquina esquisita, Tanta nuança de paredes, Há tanta moça bonita Nas ruas que não andei (E há uma rua [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><object width="450" height="371"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/S_MkpVWMBoM&#038;hl=pt-br&#038;fs=1&#038;rel=0"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/S_MkpVWMBoM&#038;hl=pt-br&#038;fs=1&#038;rel=0" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="450" height="371"></embed></object></p>
<p><strong><br />
O Mapa</strong></p>
<p>Olho o mapa da cidade<br />
Como quem examinasse<br />
A anatomia de um corpo&#8230;</p>
<p>(E nem que fosse o meu corpo!)</p>
<p>Sinto uma dor infinita<br />
Das ruas de Porto Alegre<br />
Onde jamais passarei&#8230;</p>
<p>Há tanta esquina esquisita,<br />
Tanta nuança de paredes,<br />
Há tanta moça bonita<br />
Nas ruas que não andei<br />
(E há uma rua encantada<br />
Que nem em sonhos sonhei&#8230;)</p>
<p>Quando eu for, um dia desses,<br />
Poeira ou folha levada<br />
No vento da madrugada,<br />
Serei um pouco do nada<br />
Invisível, delicioso</p>
<p>Que faz com que o teu ar<br />
Pareça mais um olhar,<br />
Suave mistério amoroso,<br />
Cidade de meu andar<br />
(Deste já tão longo andar!)</p>
<p>E talvez de meu repouso&#8230;</p>
<p>Mário Quintana</p>
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		<title>entre duas cidades, Vidráguas na semana de Porto Alegre</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Mar 2009 15:17:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carmen</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Foto: Ricardo Hegenbart, Detalhe do Centro de Porto Alegre. Entre duas cidades, nome de uma flor. Pétala indígena enraizada à memória, recorte e nome de rio que banham minhas antigas margens. Sarandi, uma cidade, um tempo de pés descalços, onde os ventos da meninice ainda correm embalados pela voz de muitos recreios. E intitulado o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-2374" title="porto-alegre-fonte" src="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/porto-alegre-fonte.jpg" alt="porto-alegre-fonte" width="450" height="360" /><br />
Foto: Ricardo Hegenbart, Detalhe do Centro de Porto Alegre.</p>
<p>Entre duas cidades, nome de uma flor. Pétala indígena enraizada à memória, recorte e nome de rio que banham minhas antigas margens. Sarandi, uma cidade, um tempo de pés descalços, onde os ventos da meninice ainda correm embalados pela voz de muitos recreios.<br />
E intitulado o lugar. Prendo o tempo em minhas mãos e me dirijo ao velho pórtico da cidade.</p>
<p>Entremos!<br />
Lá, na cidade de minha infância, tudo o que for do pé pode ser devorado&#8230; bergamotas, jabuticaba, pitanga, ariticum&#8230;  um vertical mercado hortifrutigrangeiro que envasava nossas veias e tardes de inverno com enormes saladas de frutas ao natural. No verão, havia os sorvetes no Café Central e os famosos beijos frios de D. Vênus. Isto muito antes do esquibon&#8230; De lá, também vinham os famosos cigarros mentolados, um desafio ao desejo de imitar os maiores. É! Teve um tempo em que fumar era rito de passagem.</p>
<p>Bem&#8230; perdido o momento, colho com meus olhos o pó vermelho da estrada e atravesso a avenida principal para lembrar dos dias em que tudo era barro na rua Expedicionário que nos levava a longas esperas ao redor do fogão à lenha para vestir as congas ainda moles pelo calor da secadora improvisada.</p>
<p>Rio, quando, anos mais tarde, em férias na cidade revejo minhas filhas assustadas com o zunido estranhos dos bichos ao vivo, saídos  dos livros diretamente para suas retinas. E rio mais ainda de suas perguntas que me seduziram na crença de entender que bergamota nasce em árvore. Que pomar é uma linda salada de fruta ao relento. Horta, um salpicão multiColorido. Que galinha, porco, cavalo, muito antes de serem refabulados, existiam no cotidiano das crianças. Que o leite, antes das caixinhas, nasciam em tetas de vaca e cabras e que até falar também somos um pouco bicho, olhares tristes a espera de um afago, de uma serventia&#8230;</p>
<p>Eh! &#8230; melhor retomar a rosa dos ventos&#8230; Entremos na praça municipal. Nela, toco o balanço. Sinto a roda próxima do escorregador. Furo o bolo de areia. Escuto a sineta de recolher. Termina o recreio. Em fila tipo gado, começa a inspeção. Uniforme, ok! Distintivo, ok! Livros, Ok! Temas, Ok! OK, Ok, Ok&#8230; e aos não Okeis, custariam folhas obsessivas de cópias tipo: devo fazer o tema todos os dias&#8230; não devo fazer isso ou aquilo e seguíamos a carga que nos impunham.</p>
<p>Imaginem, receber as notas em caderneta na missa de Domingo!? Só podíamos nos engasgar com a hóstia quando alguém não era chamado, já não bastava o olhar dos professores, adiante estavam os pais balançando os pés e mais adiante ainda uma mão inquisidora junto a todos os olhares.  God!!!<br />
Com o tempo surgia os campeonatos de vôlei. As reuniões dançantes, muito movimentadas com o chegar das férias, pelos que regressavam da Capital.  Porém, entre tanto provincianismo, era sabido que depois de um nível escolar, deixaríamos o verde olhar para colher outros tempos.</p>
<p>O caminho era a Capital. Portanto, nascer no interior é pedir para nascer, culturalmente, duas vezes. Por que, chega um momento que se tem que escolher outra cidade. Esquecer de alguns cacoetes linguísticos, deixar de ser guri, esticar os carpins até as margens de outro sítio.<br />
E o que era visita à Capital, tornou-se hábito. E a cidade que fora meu tapete, inverteu-se, em meu imaginário o rio passou a ser o Guaíba. As margens aumentaram. As flores se multiplicaram. As frutas ganharam a geladeira. Porém, vieram os recantos dos filmes, os espaços dos livros, o caminhar em muitos parques, o encontro com vários grupos e sarandienses e porto-alegrenses  hoje se mesclam em minha memória.</p>
<p>Hoje minha cidade também é um Porto, um dique, um tempo de pés molhados por vários cafés, espaços e o lugar onde minha carne se enraíza junto a outros cantos que alegremente cantam: sou de porto alegre e tchau!</p>
<p>E como todo gaúcho, me digo fronteiriça. Uma corpo em memórias, mestiça entre interior e portos alegres, hoje, sou tipo uma flor vermelho-índigo em busca dos  jacarandás, uma gaúcha híbrida de amor por Porto Alegre&#8230;</p>
<p><strong>Carmen Silvia Presotto</strong></p>
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		<title>hoje é dia de molhar a memória na Enchente de 41</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Mar 2009 14:41:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carmen</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Obrigada pelo convite e Vidráguas a mais um Livro nas ruas&#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-2361" title="aenchentede41" src="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/aenchentede41.jpg" alt="aenchentede41" width="450" height="494" /></p>
<p>Obrigada pelo convite e Vidráguas a mais um Livro nas ruas&#8230;</p>
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