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receita do Acroatico em Vidráguas

Bula de poema

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Este poema é indicado para quem sofre
de carência de amor, sensibilidade e ternura
sua composição contem gratidão paciência
sentimentos, perseverança e candura,
obs: não possui efeitos colaterais.

Posologia: duas leituras diárias
antes e depois das refeições
e quanto a super-dosagem de leituras
nenhuma reação adversa foi registrada
até o presente momento na literatura poética.

Se os sintomas persistirem
favor consultar um poeta.

Poema de Julio Rodrigues Correia

Leia mais poemas no blog do autor:
http://acroatico.blogspot.com/

travessia poética, Sylvia Plath



Travessia

Lago negro, barco negro, duas pessoas de papel picado negro.
O que as árvores buscam de beber que não encontram aqui?
Suas sombras podem cobrir o Canadá.

Uma luz dissolvida pelas flores d’água.
Suas folhas não desejam nossa pressa:
Curvas e lisas e cheias de negros avisos.

Nos rastros dos remos, mundo de gelo.
O espírito do negro está em nós, nos peixes.
Um tronco podre flutuando, pálido adeus;

Estrelas se abrem entre lírios.
Estas sereias inexpressivas não te cegam?
Esse é o silêncio das almas atormentadas.

Poema de Sylvia Plath, , p.31, Sylvia Plath Poemas, Tradução de Rodrigo Garcia Lopes e Márcio Arruda Mendonça, ILUMINURAS.

Vejam o filme, leiam mais poemas de Sylvia Plath e obrigada Sérvio pela receita de poetas!!!

mar de inverno, crônica de Tânia Du Bois

MAR DE INVERNO
por Tânia Du Bois

Loch-Achry

Fotografia de Brian Duffy

Tempo é fator fundamental na nossa vida. O inverno bate à porta e traz a preocupação de não sentir frio. A metáfora óbvia do inverno é o frio, essa gigantesca força da natureza que não podemos controlar.

Quem de nós tem medo do inverno? Muitos enfrentam o difícil desafio, mas a principal arma para encarar as mudanças climáticas é não ter medo, não desistir de sonhar, questionar os hábitos e priorizar os valores.

É impossível não se deixar levar pelo espírito corajoso ao inventar dias chuvosos e sempre procurar uma maneira de garantir a harmonia entre o inverno e o bem estar, com a capacidade de ouvir o coração.

O vento no lado de fora // (o sentimento dentro congela) / ventos movimentam atmosferas / transformando nuvens, dispensando chuvas / alterando paisagens // (o consentido dentro enregela // convivo ventos, deposito / a graça das novelas; enredos acumulados / de amores e ódios, o cisco da poeira / nos olhos arregalados das notícias // (o ressentimento dentro refrigera).” (Pedro Du Bois)

Leia toda a crônica

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a magia do momento…

A MAGIA DO MOMENTO
por Tânia Du Bois

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“Ninguém faz poesia para ganhar dinheiro. Isso é bom. Quer dizer que as pessoas fazem poesia por amor.” (Antônio Cícero)

Em um universo criativo, a atmosfera se insinua independente da realidade que a cerca. Sua fonte de inspiração está calcada na vida e pode vir das mais variadas formas. Com certeza, o amor é fonte de inspiração para o poeta que com sua criação nos faz pensar e sentir diferente, reavivando o prazer de ser um momento mágico.

O trabalho do escritor está ligado à vida, ao mundo, o que leva as pessoas a romancearem os poemas. São mais sensíveis às artes.

Leia toda a crônica poética
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em tempo, uma correção, uma reedição, um poema de Pedro Bandeira

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Vou para casa da vovó

Chega de tanta injustiça
de castigo e confusão!
Vou pra casa da vovó,
não tem outra solução!

Estou mesmo decidido
e pra sempre eu me mudo.
Aqui eu não posso nada
e por lá eu posso tudo!

Posso comer chocolate,
posso até me empanturrar.
Posso comer sobremesa
até antes do jantar.

Mesmo que eu faça bagunça,
vovó não briga comigo.
Se eu beliscar o irmãozinho,
vovó não me põe de castigo!

Vou fazer a minha mala,
meu carrinho eu vou levar.
Vou levar o meu cachorro
e o meu jogo de armar.

Vou levar meu travesseiro,
levo também meu pião,
pego os meus livros de história
e o meu time de botão.

Levo as coisas que eu gosto,
pra ter tudo sempre a mão:
levo também o papai,
a mamãe e o meu irmão!

Poema de Pedro Bandeira do livro Obrigado, mamãe!, publicado pela editora Moderna e musicado por Ana Canéo.

Foto: Egberto Nogueira