julho 19th, 2010 in Poemas, Versos que Conversam | No Comments »
*Leiam os Retratos de Nova York aqui e em A casa que caminha:
http://acasaquecaminha.blogspot.com/

OS PASSOS
(Lisette Model. Times Square. 1940)
Nada se sabe dos passos em redor
ocupam espaços que defendem
os silêncios desta cidade.
julho 12th, 2010 in Poemas, Versos que Conversam | 3 Comments »
*Série Retratos de Nova Iork, leiam aqui e em A casa que caminha:
AS PONTES DE NOVA IORQUE
(Berenice Abbott. Pike and Henry Streets, Lower East Side. 1936)
O olhar encontra de uma vez só
uma porção ínfima da cidade que se escolheu
o rosto rígido dos edifícios sobre a rua
na continuidade da vista e da rua
uma ponte surge envolta na neblina do dia
em que se chegou
e como uma sombra branca
lembra a ideia vaga de uma partida
é um cavalo sem dono a partida
não se morre duas vezes na mesma cidade.
julho 5th, 2010 in Poemas, Versos que Conversam | No Comments »
*Série Retratos de Nova York, leiam aqui e em A casa que caminha:
http://acasaquecaminha.blogspot.com/
AS ESCADAS DE INCÊNDIO
(Autor não identificado. Escadas de incêndio em ferro. Data desconhecida)
Há algo de indiscreto nesta fotografia
no brando sentar da tarde
um esgar de medo se descobre
é a interrupção de um muro
assim tão intestinal e exposto
neste rosto irremediável da cidade
encontrou-se ao que parece
a sua dimensão interior
aquela que mais fala aos seus habitantes
o belo que guarda em si
acontece muito nesta cidade de todos
começou no rosto a palavra
mas não foi morrer aí.
junho 28th, 2010 in Poemas, Versos que Conversam | 1 Comment »
*Seguimos com a série de poemas: Retratos de Nova York, leiam aqui e em A casa que caminha:
http://acasaquecaminha.blogspot.com/
O HOMICÍDIO
( Weegee. Assassinato em Hell’s Kitchen. 1944)
É a reportagem de uma morte
um homem jaz no passeio que outrora
o viu caminhar
na construção vã do seu orgulho
a cidade reclama vítimas
é mais funda a solidão nesta morte pública
o rosto no chão esmaga-se
por não poder cair mais
a pistola caída é um ponto final no abandono.
junho 21st, 2010 in Poemas, Versos que Conversam | No Comments »
Seguimos com a publicação de Retratos de Nova York. Leiam mais dois poemas aqui e em Portugal, no blog A Casa que caminha:
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O EDIFÍCIO
(Charles Sheeler. Secretariado da Nações Unidas. 1951)
É vertical e monolítico
de lado as fachadas levantam-se cegas
como um espírito crescente
e paralelo
no alçado frontal a igualdade rigorosa
das janelas alinha-se no mesmo plano
irmão no espaço da cidade
está muito longe do mundo
este edifício
todos o sabemos.