Currently browsing Retratos de Nova York

os passos, um poema de António Amaral Tavares

*Leiam os Retratos de Nova York aqui e em A casa que caminha:
http://acasaquecaminha.blogspot.com/

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OS PASSOS

(Lisette Model. Times Square. 1940)

Nada se sabe dos passos em redor

ocupam espaços que defendem
os silêncios desta cidade.

as pontes de Nova Iorque, poema de António Amaral Tavares

*Série Retratos de Nova Iork, leiam aqui e em A casa que caminha:

AS PONTES DE NOVA IORQUE

(Berenice Abbott. Pike and Henry Streets, Lower East Side. 1936)
O olhar encontra de uma vez só
uma porção ínfima da cidade que se escolheu

o rosto rígido dos edifícios sobre a rua

na continuidade da vista e da rua
uma ponte surge envolta na neblina do dia
em que se chegou

e como uma sombra branca
lembra a ideia vaga de uma partida

é um cavalo sem dono a partida
não se morre duas vezes na mesma cidade.

as escadas de incêndio, poema de António Amaral Tavares

*Série Retratos de Nova York, leiam aqui e em A casa que caminha:
http://acasaquecaminha.blogspot.com/

AS ESCADAS DE INCÊNDIO

(Autor não identificado. Escadas de incêndio em ferro. Data desconhecida)

Há algo de indiscreto nesta fotografia

no brando sentar da tarde
um esgar de medo se descobre

é a interrupção de um muro

assim tão intestinal e exposto
neste rosto irremediável da cidade
encontrou-se ao que parece
a sua dimensão interior

aquela que mais fala aos seus habitantes
o belo que guarda em si

acontece muito nesta cidade de todos

começou no rosto a palavra
mas não foi morrer aí.

o homícidio, poema de António Amaral Tavares

*Seguimos com a série de poemas: Retratos de Nova York, leiam aqui e em A casa que caminha:
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O HOMICÍDIO
( Weegee. Assassinato em Hell’s Kitchen. 1944)

É a reportagem de uma morte

um homem jaz no passeio que outrora
o viu caminhar

na construção vã do seu orgulho
a cidade reclama vítimas

é mais funda a solidão nesta morte pública

o rosto no chão esmaga-se
por não poder cair mais

a pistola caída é um ponto final no abandono.

o edifício, poema da série Retratos de Nova York de António Amaral Tavares

Seguimos com a publicação de Retratos de Nova York. Leiam mais dois poemas aqui e em Portugal, no blog A Casa que caminha:
http://acasaquecaminha.blogspot.com/

O EDIFÍCIO

(Charles Sheeler. Secretariado da Nações Unidas. 1951)

É vertical e monolítico

de lado as fachadas levantam-se cegas
como um espírito crescente

e paralelo

no alçado frontal a igualdade rigorosa
das janelas alinha-se no mesmo plano

irmão no espaço da cidade
está muito longe do mundo

este edifício

todos o sabemos.