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oficina de poesia e prosa na Palavraria



Abertas as inscrições para o Curso/Oficina de criação poética
A precisão do impreciso – Turma 2

e

Curso/oficina de prosa: primeiro percurso
com Ronald Augusto

Informações & Inscrições:
Ronald Augusto: dacostara@hotmail.com /
www.poesia-pau.blogspot.com

pensando a Poesia com Ronald Augusto







a cidade à beira do arquivo
por Ronald Augusto

A poesia ocupa um lugar anterior ao surgimento da cidade. Para esta, a poesia seria a representação do atraso, a música do mundo agrário e ágrafo, povoado de bestas mitológicas e divindades bárbaras. A poesia, espécie de pensamento teocrático, finge o deus a quem tão devotamente dessacraliza. O cidadão comparece nessa cena como o hipócrita leitor baudelairiano, mentalidade pública, o caroço mesmo da democracia. Mas “em algum lugar da utopia, ou do ativismo político, operou-se o divórcio entre dirigente e dirigido, entre governo e povo” (Mirko Lauer). A cidade deixa de ser a concreção da possível arte da política e é rebaixada à condição de ruína glamourizada, monturo, despojo dos conflitos ideológicos.

Leia todo o ensaio aqui ou no blog do autor:
http://poesia-pau.blogspot.com/

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num domingo a la Joyce



I

Cordas na terra e no ar
Meiga música compõem;
Cordas junto ao rio, lugar
Onde se unem os chorões

Há música pelo rio -
É Amor, vagueando à toa;
Pálidas flores no manto,
Folhas negras em coroa.

Suavíssimo tocando,
A fronte à música pendente,
E os dedos deslizando
Num instrumento.

Poema de James Joyce, p.51, Música de Câmara, Tradução e Introdução Alípio Correia de Franco Neto.

Vídeo:Ronald Augusto
http://poesia-pau.blogspot.com/

pensando a poesia com Ronald Augusto

“…A poesia é, por definição, linguagem em crise…”
qualébaudelaire - Cópia

Cada poema é um lance no jogo de conquista – ou de negaceio – do impreciso. A rigor a poesia não esclarece coisa nenhuma, nem se presta à transmissão de mensagens sem rasuras. A mensagem poética tende a ser mais ambígua. Seu fazer, que é afasia (distúrbio de linguagem e de comunicação), parece pretender ficar rente àquelas zonas mais obscuras e insondáveis da experiência. Seu movimento sígnico em realidade busca não dissimular, mas sim problematizar um aspecto crítico da linguagem, ao qual não se dá a devida atenção, a saber: a crença infundada de que apenas uma linguagem articulada (a prosa, por exemplo) e seu corolário – uma objetividade desinteressada e quase transparente -, é capaz de iluminar e decodificar o íntimo dos seres e das coisas. Mais do que “signo tradutor por excelência”, a palavra como legenda se depara o tempo todo com as suas margens e sua arbitrariedade.

O poeta exercita formas vertiginosas do signo linguístico. Seu exercício e os instrumentos de expressão de que se utiliza, ao fim e ao cabo, serão considerados a partir de um objeto estético construído seja sob que motivação social, individual ou metafísica, enfim, desde os contornos de uma objetividade definida ou, ainda, desde uma subjetividade tornada precisa: o poema mesmo, ser de linguagem que apresenta uma coesão fundo-forma.

capa-assoalho

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