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Hoje no entardecer com Eros, um poema de Rodrigo Rios de Lucas ao Anáguas

Saudades.
por Rodrigo Rios de Lucas



Uma deusa, feita mármore
beleza poderosa vida da alma
impetuosa seu rosto oval brilha
sob um manto de cabelos castanhos
ondulados.

Bela desenvoltura, pele bronzeada
de cujo corpo você goza e, em seus
olhos, a alma calma e perigosa, ela
a flor do jardim selvagem fui entrando
doce alvo delicada vislumbrado estou.

Movimento quentes corações banhados
de sangue em seu paraíso com seus portões
abertos torres de cristais a pingar de seus poros
loucura, nenhuma palavra a pensar só aperto na garganta
dos rápidos movimentos que bebera, eu não conseguia
tirar aquilo da minha cabeça.

Trêmula, tímida, envolvi no lençol de seda com minhas asas a bater
esfriei o calor de nossos corpos, lágrimas nos olhos, ele
prosseguiu, em pensamentos…



Hoje no anoitecer com os os Bardos e EvasAlmas, um poema de Rodrigo Rios de Lucas, que escreve conosco todas quinta-feiras, e seguimos o Projeto Anáguas, um tempo de poemar com Eros.

…iMundem-se, alaguem-se com Poemas de Amor, aqui e em, Nei Duclós em quem nos espelhamos para seguir o canto, porque parafraseando o bardo, amamos sem tirar nem por… e seguimos!

Doces sabores do imaginário, crônica poética de Carmen Presotto

Doces sabores do imaginário
com lembranças do Vô João


Fotografia de Renata Leite

Imagino Rio..

Rio do imaginário
e vago em tuas lembranças mínimo riozinho,
escondido por arbustos entre árvores.
córrego transparente que clareia saudosamente minha imaginação.

Nela, te tornas grande…
Inconfundível fito o Nilo
abrigas os melhores momentos de minha infância.
sinto tuas pedras, bato em teus peixes, refresco-me em tuas águas
e quando em apuros, lembro da paciência nas primeiras braçadas.
deito em tua correnteza e deixo a vida andar.
flutuo pânico e idade em teu curso.
enquanto em meu leito, aceito envelhecer
e permito ao coração caminhos para um novo amanhecer.

RIOzinho…
Cenário de piqueniques, da primeira coca-cola, do pão-de-ló, das amanteigadas
bolachas, dos alegres domingos em família, do trigo com charque, das bergamotas ao sol, descascadas por alguém que lia histórias, contava piadas, enquanto deitávamos junto à velha figueira para respirar.

Quando triste, lembro-te RIOzinho
e rio tanto…tanto…

Até meus olhos marejarem amargos como água do mar.
então Rio de águas…Rio de dor…Rio de alegria.
Só choro, ao secarem tuas imagens pelos amigos que partem.
(S)em tuas margens entendi que outras águas também viverão sem mim.

Carmen Silvia Presotto, Dobras do Tempo.

poema para um Anjo



Em nossos corações
toca uma terna canção
em cada gesto,
em cada som, um alento
no orvalho do campo,
no cheiro da terra,
em seus movimentos
nas folhas, nos grãos
em cada sopro de vento
nos acordes suaves
ao dedilhar um instrumento,
em nossos corações
toca uma terna canção
um anjo menino
amado João.

Poema homenagem de Inês Lempek ao seu sobrinho João, um artista que nos deixou.

a garganta só fala uma língua…



A GARGANTA


dói
quando sente saudades
das bobagens
que fala.

a garganta

fala
uma língua.

a língua do v:

de verdade absoluta
de voz soberana
de vápido sabor
de vurmo acre
de vaidade
de vontade
vanglória
vugívaga
vampira
vândala
vadiice
vavavá

vaia

vã.
a garganta
em silêncio
é o ventre do beijo.
a garganta
sinfônica
é o cu do diabo

Poema de Bernardo Bolt Gregori

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http://www.palavraopalavrao.blogspot.com/

mais um ato que se encerra, saudade…



Mais um ato que se encerra
em memória de meu avô Francisco Alves

É, Seu Francisco, a vida te levou.
Te levou pela mão para passear.
Te levou para ver um novo país,
para novas paisagens visitar.

É, Seu Francisco, a vida te levou.
Te levou como a noite leva o dia.
Te levou como o vento leva as folhas,
que partem sem qualquer melancolia.

E lá se foi meu velho Francisquinho,
com seus cabelos brancos como a lua.
Foi rever e abraçar a velha dama
que sempre lhe esperou em cada rua.

Quem virá visitar-me nos domingos,
agora que teus olhos se fecharam,
agora que de tua voz só restam
saudades e lembranças que ficaram?

Em minha História desce mais um pano,
mais um ato da peça que se encerra,
enquanto choro bem baixinho o fim
de tua caminhada nesta terra

Poema de Fernando Freire

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http://www.fernandofreire.recantodasletras.com.br/