setembro 2nd, 2010 in Crônicas, Eventos | No Comments »
CENA de RUA: livro de imagens
por Tânia Du Bois
Cena de Rua é o livro infantil de Ângela Lago, de 1994. Sua execução foi pela simpatia para com os meninos de rua. É livro de imagens, não há propriamente uma história. A criança conta a sua história do que está vendo, de acordo com a sua experiência de vida e através da sua criatividade.
Cena de Rua é triste (ou não?), mas real! Ou simplesmente são coincidências da vida? Ou são cenas do cotidiano como a do menino vendendo frutas no trânsito. O cachorro no carro late para o menino, enquanto outro motorista rouba a fruta. A vovó que ali passa, com medo do menino, protege a sua bolsa. O menino triste e só, através da vidraça, admira uma mãe que dá carinho para o filho. O menino cansado senta na rua e come a fruta que divide com o cachorro, que também está sozinho. Ainda com fome, rouba um pacote de dentro de um carro, sai correndo e, ao abrir o pacote, encontra frutas. Sacia a sua fome e volta ao trânsito para vender as restantes. E assim a sua vida retorna novamente às ruas.
“… o nada se descortina como cena / muda e vazia /de esperanças.” (Pedro Du Bois)
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agosto 17th, 2010 in Crônicas, Versos que Conversam | No Comments »
COMÉRCIO DE ILUSÕES
por Tânia Du Bois

Mário Quintana escreveu:“A poesia é dessas coisas que a gente
faz e não diz. A poesia é um fato consumado, não se discute…”
É através da poesia que o homem expressa o seu espírito e justifica a sua natureza. Quanto mais independente for a poesia, mais estimulados são os sentidos, trazendo harmonia e valorizando o prazer de viver.
“Pero, há Vivas Memórias // Há mortos que nunca morrem / voz /
Imagem / eles ressurgem feito marés / ou límpidos cristais a esculpir /
as lágrimas que a curva do olho não apaga. // Há mortos que nunca apagam, /nos revivem em fotos, momentos e palavras…”
(Carmen Sílvia Presotto)
A poesia é importante porque é cultura, é bela, tem história e se
reflete na música. A música ao se valer da poesia, além do gostar, quer ser cultura, ser bela, protestar sua história e estar além do gosto.
Segundo Jorge Luis Borges, “A poesia e a linguagem são uma
expressão…”; mas, a poesia não atrai o interesse comercial, pouco vende.
Como sair desse emaranhado?
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agosto 12th, 2010 in Crônicas, Versos que Conversam, conversando sobre literatura | 2 Comments »
ARTE em MOVIMENTO
por Tânia Du Bois

“De quantas gotas se farão as águas…” (Ernani Rosas)
Águas são artes em movimento, representam mudanças de rumo na produção literária, como nos poemas de Carmen Presotto:
“Vidráguas // Porque chove / Tudo é água / que empoça e ambacia /
Tudo é lágrima / que sublima, condensa e lava // Porque choro /
Chovo mais que o céu / Transbordo-me / Parto palavras /
Como se ossos se liquefizessem… “
e de Lindolfo Bell:
“Águas entre águas // Em outras águas. / As chamadas entreáguas. /
Onde a dor liquefaz o homem e o derrama em lágrima / sobre
a própria face. ////… Em águas / vindas de inesperadas vindimas
da constatação / o homem se vê / no espelho das águas /
e vê mais do que o espelho pode ver.”
São poemas em transição, isto é, suas águas têm movimentos que renovam a palavra, não as repetem e têm como característica a descontinuidade, passando pelo processo de transformação, mas sempre conservando sua unidade.
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julho 14th, 2010 in Crônicas, Poemas, Receitas Vidráguas, conversando sobre literatura | No Comments »
ARTE E LINGUAGEM
por Tânia Du Bois

Com certeza existe algum mistério entre os artistas e os poetas.
Eles conseguem uma harmonia brilhante. É o caso dos concretistas Augusto de Campos, na poesia, e Waldemar Cordeiro, em artes plásticas.
Cordeiro foi líder e teórico do concretismo nas artes plásticas no
Brasil. Sua amostra “Uma aventura da razão”, moldada pelo rigor construtivo, demonstra esse período.
Do concretismo, o artista manteve o gosto pelas cores, o apuro
pelas formas geométricas, o uso de sucata “Pop-cretos” e palavras impressas em cartazes, buscando os fundamentos e a linguagem da arte e o debate em torno do concretismo.
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julho 4th, 2010 in Eventos, Poemas, Receitas Vidráguas, Versos que Conversam, conversando sobre literatura | No Comments »
* Um beijo Tânia e obrigada por esta Crônica Homenagem a este Mestre da Poesia, com sua Poesia seguimos com ele vivo em nossos corações.!!!
QUE PAÍS É ESSE?
por Tânia Du Bois

Que País é esse que chora quando a seleção de futebol é desclassificada, mas a perda do poeta Roberto Piva é chorada apenas pelos amantes da poesia?
Que País é esse em que todos param para assistir ao jogo da seleção e não para, nem por alguns minutos, para ler um livro e descobrir, por exemplo, o escritor Roberto Piva, que tanto inovou a literatura brasileira, trazendo-nos o quanto um livro pode ser companheiro e abrir novos horizontes?
Que País é esse em que a televisão mostra, por exemplo, quando um jogador de futebol adoece, o que está fazendo, o que tem, e tudo o mais. E pouco mostrou sobre o poeta Roberto Piva, sempre uma celebridade literária, uma raridade como poeta, por ter introduzido novas linguagens contribuindo, assim, com a cultura, nosso maior bem? E quem soube da doença e das necessidades passadas por Roberto Piva? Só os amantes da literatura.
Futebol, reconheço, é fator cultural na vida do brasileiro. E a literatura, a poesia, em qual escala se situa para o nosso povo?
Choro a morte de Roberto Piva. Choro a sua ausência (mesmo que inconsentida) na vida literária e choro, choro e choro a perda do grande poeta. Consolo-me com sua obra que está comigo. Sinto através de seus poemas que o terei sempre.
“.. Não serei domesticado, /
Pelos rebanhos / Da terra. / Morrerei inocente / Sem nunca ter /
Descoberto / O que há de bem e mal / De falso ou certo / No que vi.”
Lembrar Roberto Piva é lembrar a inovação. Revolucionou a poesia, realizando mudanças de porte e ofereceu soluções (mais) criativas à literatura. Ler sua obra é inesquecível: até porque mais raro. Emociono-me cada vez que lembro o quanto esse País o deixou de lado, esquecido. Ele será sempre lembrado com amor, respeito e admiração pelos amantes da literatura.
Agora, caro Poeta, você pertence a outro “País”. E que “País” é esse?