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Vidráguas, ao Dia Mundial do Livro Infantil

CENA de RUA: livro de imagens
por Tânia Du Bois


Cena de Rua é o livro infantil de Ângela Lago, de 1994. Sua execução foi pela simpatia para com os meninos de rua. É livro de imagens, não há propriamente uma história. A criança conta a sua história do que está vendo, de acordo com a sua experiência de vida e através da sua criatividade.

Cena de Rua é triste (ou não?), mas real! Ou simplesmente são coincidências da vida? Ou são cenas do cotidiano como a do menino vendendo frutas no trânsito. O cachorro no carro late para o menino, enquanto outro motorista rouba a fruta. A vovó que ali passa, com medo do menino, protege a sua bolsa. O menino triste e só, através da vidraça, admira uma mãe que dá carinho para o filho. O menino cansado senta na rua e come a fruta que divide com o cachorro, que também está sozinho. Ainda com fome, rouba um pacote de dentro de um carro, sai correndo e, ao abrir o pacote, encontra frutas. Sacia a sua fome e volta ao trânsito para vender as restantes. E assim a sua vida retorna novamente às ruas.

“… o nada se descortina como cena / muda e vazia /de esperanças.” (Pedro Du Bois)

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“a poesia… entra pelo ouvido e fica no coração”

COMÉRCIO DE ILUSÕES
por Tânia Du Bois

livro

Mário Quintana escreveu:“A poesia é dessas coisas que a gente
faz e não diz. A poesia é um fato consumado, não se discute…”

É através da poesia que o homem expressa o seu espírito e justifica a sua natureza. Quanto mais independente for a poesia, mais estimulados são os sentidos, trazendo harmonia e valorizando o prazer de viver.

“Pero, há Vivas Memórias // Há mortos que nunca morrem / voz /
Imagem / eles ressurgem feito marés / ou límpidos cristais a esculpir /
as lágrimas que a curva do olho não apaga. // Há mortos que nunca apagam, /nos revivem em fotos, momentos e palavras…”
(Carmen Sílvia Presotto)

A poesia é importante porque é cultura, é bela, tem história e se
reflete na música. A música ao se valer da poesia, além do gostar, quer ser cultura, ser bela, protestar sua história e estar além do gosto.

Segundo Jorge Luis Borges, “A poesia e a linguagem são uma
expressão…”; mas, a poesia não atrai o interesse comercial, pouco vende.

Como sair desse emaranhado?

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de quantas gotas se farão as águas…

ARTE em MOVIMENTO
por Tânia Du Bois

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“De quantas gotas se farão as águas…” (Ernani Rosas)


Águas são artes em movimento, representam mudanças de rumo na produção literária, como nos poemas de Carmen Presotto:


“Vidráguas // Porque chove / Tudo é água / que empoça e ambacia /
Tudo é lágrima / que sublima, condensa e lava // Porque choro /
Chovo mais que o céu / Transbordo-me / Parto palavras /
Como se ossos se liquefizessem… “


e de Lindolfo Bell:

“Águas entre águas // Em outras águas. / As chamadas entreáguas. /
Onde a dor liquefaz o homem e o derrama em lágrima / sobre
a própria face. ////… Em águas / vindas de inesperadas vindimas
da constatação / o homem se vê / no espelho das águas /
e vê mais do que o espelho pode ver.”


São poemas em transição, isto é, suas águas têm movimentos que renovam a palavra, não as repetem e têm como característica a descontinuidade, passando pelo processo de transformação, mas sempre conservando sua unidade.

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pensando arte com linguagem…

ARTE E LINGUAGEM
por Tânia Du Bois

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Com certeza existe algum mistério entre os artistas e os poetas.
Eles conseguem uma harmonia brilhante. É o caso dos concretistas Augusto de Campos, na poesia, e Waldemar Cordeiro, em artes plásticas.

Cordeiro foi líder e teórico do concretismo nas artes plásticas no
Brasil. Sua amostra “Uma aventura da razão”, moldada pelo rigor construtivo, demonstra esse período.

Do concretismo, o artista manteve o gosto pelas cores, o apuro
pelas formas geométricas, o uso de sucata “Pop-cretos” e palavras impressas em cartazes, buscando os fundamentos e a linguagem da arte e o debate em torno do concretismo.

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que país é este?, Vidráguas a Roberto Piva

* Um beijo Tânia e obrigada por esta Crônica Homenagem a este Mestre da Poesia, com sua Poesia seguimos com ele vivo em nossos corações.!!!


QUE PAÍS É ESSE?
por Tânia Du Bois

piva

Que País é esse que chora quando a seleção de futebol é desclassificada, mas a perda do poeta Roberto Piva é chorada apenas pelos amantes da poesia?

Que País é esse em que todos param para assistir ao jogo da seleção e não para, nem por alguns minutos, para ler um livro e descobrir, por exemplo, o escritor Roberto Piva, que tanto inovou a literatura brasileira, trazendo-nos o quanto um livro pode ser companheiro e abrir novos horizontes?

Que País é esse em que a televisão mostra, por exemplo, quando um jogador de futebol adoece, o que está fazendo, o que tem, e tudo o mais. E pouco mostrou sobre o poeta Roberto Piva, sempre uma celebridade literária, uma raridade como poeta, por ter introduzido novas linguagens contribuindo, assim, com a cultura, nosso maior bem? E quem soube da doença e das necessidades passadas por Roberto Piva? Só os amantes da literatura.

Futebol, reconheço, é fator cultural na vida do brasileiro. E a literatura, a poesia, em qual escala se situa para o nosso povo?

Choro a morte de Roberto Piva. Choro a sua ausência (mesmo que inconsentida) na vida literária e choro, choro e choro a perda do grande poeta. Consolo-me com sua obra que está comigo. Sinto através de seus poemas que o terei sempre.

“.. Não serei domesticado, /
Pelos rebanhos / Da terra. / Morrerei inocente / Sem nunca ter /
Descoberto / O que há de bem e mal / De falso ou certo / No que vi.”

Lembrar Roberto Piva é lembrar a inovação. Revolucionou a poesia, realizando mudanças de porte e ofereceu soluções (mais) criativas à literatura. Ler sua obra é inesquecível: até porque mais raro. Emociono-me cada vez que lembro o quanto esse País o deixou de lado, esquecido. Ele será sempre lembrado com amor, respeito e admiração pelos amantes da literatura.

Agora, caro Poeta, você pertence a outro “País”. E que “País” é esse?