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Em Vidráguas, Passagem do tempo por Tânia Du Bois..

PASSAGEM DO TEMPO: lembranças
por Tânia Du Bois


Fotografia de Brassaï

“… o que parou no passado: / tenras lembranças, sentidas / Que na vida transitória / Lá no fundo da memória / A gente tinha guardado”. (Tenebro dos Santos Moura)


A passagem do tempo é uma releitura dos fatos da nossa história. São tantos os acontecimentos que, por vezes, lembramos como, onde e quando aconteceram. Outras vezes, se revelam em desordem que solapa a memória. Como em Carlos Pessoa Rosa: “… sabemos como a memória traz a tona recalques cuja existência muitas vezes ignoramos e que poderá turvar ou distorcer o que tínhamos como certo…”

É bom sabermos que a memória é uma espécie de selo de qualidade. Porém, mais cedo ou mais tarde, de uma forma ou de outra, ela falha para todos nós e deixa nossos dias vazios, sem recursos para pensar sobre as questões pessoais, interrompendo a nossa rotina.

São tantos os momentos para lembrar em minúcias e as decisões para tomar, que nos sentimos sobrecarregados por não contarmos mais com a memória. Então, buscamos limites em nós e recordamos as boas escolhas em prol da qualidade da existência.
“… lembranças e saudades, sentimentos ligados à memória / que fazem o homem descortinar outras sensações / que se encontram ocultas dentro de si.” (Ivo Gomes de Oliveira)

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DINHEIRO: MUDA OS VALORES?, crônica de Tânia Du Bois

DINHEIRO: MUDA OS VALORES?
por Tânia Du Bois




“A maior desgraça de uma nação pobre é que em vez de produzir riqueza, produz ricos. Mas ricos sem riqueza. Na realidade, melhor seria chamá-los não de ricos, mas de endinheirados.” Mia Couto


As mudanças inspiram-se nas etapas de inflexão da história; não custa indagar: somos ricos ou endinheirados? O dinheiro muda os valores?

Quando chego a essa pergunta, quero salientar que o crescimento pessoal é particular e intransferível. A busca pela realização passa pela interação com os outros, mas é a busca particular que sinaliza a maneira como o profissional se orgulha de ser bem sucedido. E, talvez, seja bom comparar as diferenças e explicar que a riqueza pessoal é um bem maior do que o material. Também é preciso lembrar o quanto é desleal ostentar e ser arrogante.

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“Quem é capaz de determinar os limites? Tudo está na mente de quem lê e interpreta.”

O exercício da liberdade: LER CALEIDOSCÓPIO
por Tânia Du Bois




“A cada giro de espelhos, / muda o vitral / da vivência. /
Não permanece a figura. / Nem um desenho regressa. “ (Helena Kolody)


Todos querem amar e serem amados. O importante é criar situações em que fique evidente que conseguir controlar as emoções ajuda a libertar comportamentos e a adotar outros alinhados aos nossos sonhos e desejos.


Carlos Higgie, em seu livro CALEIDOSCÓPIO, mostra o resgate da paixão, transcrita em páginas onde impera a emoção. Intimidade é a palavra mágica que permeia o livro, num mundo de encantamento, onde se vive para amar e morrer amando.
“Quero seus braços me envolvendo, prendendo-me junto
ao seu corpo com a suavidade que só tem aqueles que amam.”
Cada palavra, em cada cena, reflete o que cada um tem em sua vida para manter o mistério. “Quero que me olhe bem no fundo dos olhos e possa ver o pulsar da minha alma.”

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“POEMA – CORAL DAS ABELHAS”: POR QUE NÃO?, crônica de Tânia Du Bois

“POEMA – CORAL DAS ABELHAS”: POR QUE NÃO?
por Tânia Du Bois




“Que imensa gruta / é o homem / quando / fecha os olhos”


Por que não reconhecer que ao ler o livro de Jorge Tuffic, Coral das Abelhas, saltam razões para sentir que sua escrita é missão para enriquecer horizontes? Ou seja, que há passagem se abrindo onde encontramos poemas com certo mistério.


“Vejo este azul, / mas vê-lo não basta. / Ele que vai do inseto /
ao forno das estrelas / – nas quais, universo, / devora-se e canta.”


Por que não se entregar a essa leitura e sentir que autor e leitor dialogam e juntos despertam o pensamento ao coração, permitindo ouvir o silêncio? “O silêncio e a rosa / perdem-se juntos.” Tuffic entrega-se de alma ao bosque, às árvores e às pedras e nos faz sentir o prazer tomar conta da liberdade, como expressão da arte.

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VERDADES E MENTIRAS: o livro, crônicas de Tânia Du Bois

VERDADES E MENTIRAS: o livro
por Tânia Du Bois

Foto de Luana Neres

“De quantas verdades se faz uma mentira?”
(José E. Agualusa)

“Mentiu o compromisso / de trazer a luz da manhã / presente no movimento /e no descompromisso / em que a natureza / produz seus fatos… não mentiu o sonho / de transfiguração do corpo / e nele a luz / permanece inconstante”.(Pedro Du Bois)


Pedro Du Bois é escritor reconhecido pela sua inventividade. O seu livro, Verdades e Mentiras, é baseado nas facetas da falsidade, onde revela asinceridade e a insinceridade, desencadeando um jogo onde a mentira mostra que a situação se torna grave se a máscara sobre o rosto for encoberta de recordações vividas –

“… mente para si / ao acaso do encontro / acasalado casal / acometido do sexo / limpo e fora de casa esclarece / seus desejos e como gostaria / de encontrar a amante / sobre a cama.”

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