Psiu, todas as quartas-feiras, trazemos aqui um poema de Marcio Nicolau, um pacto poético que versa, conVersa e sai em busca de mais versos… vocês podem ler cari(ocas) aqui ou no blog do autor: http://www.espacointertextual.blogspot.com/
Um beijo Marcio, obrigada pela companhia e seguimos!!!
cari(oca)
grande rio comprido largo do Machado de Assis bruxo
do Cosme Velho forte de Copacabana Palace luxo
palácio do Catete glória passado História Abolição
Rebouças túnel tempo dentro engenho de açúcar pão
Urca Tupi Guarani Ramos cacique Peri Brasil Vital
Mem de Sá Estácio Praça Onze centro convento Perimetral
São Clemente Palácio da Nova Brasília cidade
de Deus todos os santos São Sebastião piedade
vigário geral bispo santo Cristo providência Vidigal
São Conrado alto boa vista turista rocinha quintal
morro do alemão complexo Ramos Penha Olaria anexo
laje teto cobertura armado cimento ferro concreto nexo
dois irmãos morro favela negro asfalto cidade reflexo
arco-íris Farme Ipanema charme beira-mar vista
alegre ar solto sol posto Vieira Souto oposto pista
Brasil avenida Lagoa Barra auto estrada Gávea baixo vário
Leblon Maneco aterro Flamengo caneco Vasco São Januário
Fluminense Botafogo Laranjeiras clube aposta jóquei páreo
eleitoral corrida partido trabalhador lida governador ilha
de Alá jardim botânico passeio parque recreio maravilha
cenário beleza Mangueira Beija-flor natureza Mocidade
Sapucaí Tijuca Borel Usina Andaraí Muda sociedade
grêmio Portela viola Madureira Campinho bola craque
mercadão dinheiro Cruzeiro vila Adriano eurocopa ataque
elite tropa tiros fogos Copa Cantagalo macaco formiga pavão
pavãozinho cabrito bicho conflito gritante contravenção
ambulante Uruguaiana Saara Novo Rio terminal rodoviária
Castelo Caju aeroporto aviãozinho menino morto Candelária
Praça XV Mergulhão prainha Joá barra Grumari surfista marra
funk lata afro reggae samba mulata pilares da Pátria voluntários garra
Poema de Marcio Nicolau
(Canção: “Meu Rio”, Caetano Veloso)
os pássaros calam
as crianças olham a tarde molhada
não há sapos no asfalto
apenas um cão vagabundo
se perde nos olhos do farol
será que no céu dos bichos
ainda o sol brilha?
Há quem tente lapidar
uma mulher
como se lapida
jóia rara
e pedra bruta.
Com escalpelo
cinzel
buril
inscrevem nela uma figura, depois
a expõem nos salões
revistas e altares
apregoando quantos camelos
quantos colares
vale o dote
-da criatura.
Na Nigéria também
lapida-se mulher
mas de forma
inda mais dura.
Não bastassem
os muros em que viva
vive emparedada
é sob pedras
que a mulher viva
é pétrea e friamente
sepultada
quando não se conforma
com a forma
como desde sempre
é deformada.
Assim a mulher
que se nega a ser
por eles esculpida
deve morrer como viveu:
-petrificada.
Atiram-lhe
tantas pedras
até que não se veja
a forma e o sangue
da apedrejada,
até que a mulher-alvo
alvejada
desapareça numa maré de pedras
coaguladas.
Desta feita os escultores
foram mais perfeccionistas
deixaram a mãe
amamantar o filho
antes que o leite no seio
se petrificasse.
Assim o filho na fonte beberia
o pétreo ensinamento
antes
que a fonte secasse.
Ao amante não lapidaram.
Ali o homem já nasce feito
é obra de arte que dispensa
qualquer lapidação.
A mulher, sim, carece
de acabamento
posto que imperfeita figura
na ordem da criação.
Psiu, diz o Poeta ARS:” Isto que está sendo noticiado : mais uma mulher no Irã ameaçada de ser morta por apedrejamento- remete para o poema LAPIDAR UMA MULHER, publicado no livro “Vestigios” (Ed.Rocco). Só que no poema eu me referia a um fato ocorrido na Nigéria. A tragédia, portanto, atinge vários países. E não podemos fingir que não temos nada com isto.”
saindo de mim por meus poros
no palco minha alma tão leve
aura clara de mansinho canta
nas vezes em que sozinho choro
abre alas brisa vento alegre vem
e me traz essas canções
detalhes fotos emoções
parece dezembro ao teu lado me vejo
caminhando cantando e seguindo
iluminados olhos cheios de cores
anos dourados de volta ao jardim
já que falei de flores às rosas me queixo
tristeza melancolia que não sai de mim
paisagem da janela lateral eu vejo
Corcovado Redentor que lindo
e os braços quem abre eu mesmo
sentimental eu sou o Rio continua
de sol um gosto na boca da noite festa
e um barquinho desliza sem parar
a tarde a resistir vontade de cantar
em cores se desfaz do Brasil aquarela resta
uma canção há sempre nos discos aprendi
e eu te proponho baby você precisa ouvir
estranho tempo não pára e nunca envelhece sei
das esquinas por que passei curvas
estrada perigo ronda esquinas
Ipiranga São João Sampa meninas
estranhas catedrais deserto
que atravessei de neve encoberto
amigo estudante coração tropical
monumento país planalto central
tanta gente espelho de estrelas partiu
nossa música no ar nunca mais se ouviu
aquele abraço e bye bye Brasil
dança bamba a corda a esperança
faz parte do show e continua
outra vez quem sabe o Rio então
o que será que será só imaginação
piano samba Mangueira canção
luz do sol alegria alegria verão
nada será como antes ou está
mas certas canções são eternas
e o amor novamente eterno será