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Poema essencial por Adriane Lima…

Poema essencial…
poema de Adriane Lima



Escrever não é arte
é um pacto de sangue
que fiz com as letras
com versos coloridos
e sem sentido
é o que trago hoje comigo
poesia vã
inglória
sem significados
sem dor e sem recados
que possam me revelar
Hoje ela soa, mecânica
apenas ato
fato esse que não aceito
e então ela me dói a alma
me trava os dentes
Assim como a arte
que faço em minhas tardes
também me soa mecânica
movimentos repetitivos
como repetitiva ficou a vida
que me dói os ossos
e não me libera as mãos
mesmo que não saia a escrita
o que trago é o que grita


Todo ato perdeu o sentido, é fato
e a poesia se eternizou em mim …


*Adriane Lima, é poeta, cronista, artista plástica, e é umprazer ter seus versos aqui em Vidráguas.

leiam mais poemas em sua seu blogue: A Asa Oculta da Borboleta.


A arte é de Miroslav Yotov!

Quer Saber IX, X e XI…e a série segue, eba!!



Quer Saber XI

Teus dedos
:
maríntimos!

teus olhos
:
luz!

faróis
que em mim tateiam,
… seduz

tingem
não fingem
atingem
maramam

e quer saber?

em todo movimento
que seja eu teu intento
e o desejo… nosso detento!

anoitece
a lua se ajeita
o horizonte escurece

- e quer saber?
corações sem rodeios
amor sem ponteiros
aumento o chuveiro
nadas, entonteço,
resplandeces…

Leiam os anteriores IX- X…

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Horas gastas, crônica poética em Vidráguas

HORAS GASTAS
por Tânia Du Bois




“…Onde os fantasmas que calavam /…e as coisas que as horas gastavam?…” (Lúcia Fonseca)


Horas gastas é a arte de esquecer, é memória emotiva, aquela que se preocupa apenas em lembrar o que interessa como o essencial para viver. É preciso refletir para lembrar, identificar e imaginar. Nada mais apropriado do que a arte de ler, exercício que estimula a imaginação, sem gastar as horas. Segundo Orides Fontela, “Memória // A cicatriz, talvez / indelével // o sangue / agora / estigma.”

O grande desafio é permitir-se reconhecer no encontro com o pensamento. Na arte de pensar, partilhar experiências e escolhas é como ter um dia feliz depois do outro. Ao concentrar-se, manter a expressão, o sonho e a lembrança no melhor despertar. A arte de pensar embala o tempo, reproduz a memória e mantém o poder de encantamento, como em Nilto Maciel,“…Não, talvez não fosse bem assim. De dia, os olhos viam o mundo / e o mundo existia. De noite, os olhos e dentro viam o mundo, / porém um outro mundo…”

Leia toda a crônica poética
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Poemando com os pequenos, um exemplo a seguir…

Poemando com os pequenos
por Vanessa Vieira



Se todos fossem iguais a você?

E ontem tiramos um tempo para refletir…
Vejam…

Vai tua vida,
Teu caminho é de paz e amor
Vai tua vida é uma linda canção de amor
Abre os teus braços
E canta a última esperança
A esperança divina de amar em paz

Se todos fossem iguais a você
Que maravilha viver
Uma canção pelo ar,
Uma mulher a cantar
Uma cidade a cantar,
A sorrir, a cantar, a pedir
A beleza de amar
Como o sol,
Como a flor,
Como a luz
Amar sem mentir,
Nem sofrer

Existiria verdade,
Verdade que ninguém vê
Se todos fossem no mundo iguais a você

(Vinícius de Moraes – letra / Tom Jobim – Música)

Vanessa Vieira, é poeta, professora e realiza um trabalho que devemos conhecer e aplaudir, toda semana lê e trabalha poesia junto aos seus alunos, confiram e sigamos o exemplo.

Confira lá no blog- Poemando com os pequenos a atividade de leitura poética.

Um beijo Vanessa a ti e aos pequenos e seguimos!!

Poemas Traduzidos VIII – Adriano Nunes

Hey, hoje Pablo Neruda em tradução de Adriano Nunes, e trazer estes poemas traduzidos em Vidráguas é também poder trazer o melhor da poesia castelhana por aqui…



“Canto General XV/II” – Pablo Neruda

Amor, tal vez amor indeciso, inseguro:
sólo un golpe de madreselvas en la boca,
sólo unas trenzas cuyo movimiento subía
hacia mi soledad como una hoguera negra,
y lo demás: el río nocturno, las señales
del cielo, la fugaz primavera mojada,
la enloquecida frente solitaria, el deseo
levantando sus crueles tulipas en la noche,
Yo deshojé las constelaciones, hiriéndome,
afilando los dedos en el tacto de estrellas,
hilando hebra por hebra la contextura helada
de un castillo sin puertas,
oh estrellados amores
cuyo jazmín detiene su transparencia en vano,
oh nubes que en el día del amor desembocan
como un sollozo entre las hierbas hostiles,
desnuda soledad amarrada a una sombra,
a una herida adorada, a una luna indomable.
Y entonces dulce rostro, azucena quemada,
tú la que no dormiste con mi sueño, bravía,
medalla perseguida por una sombra, amada
sin nombre, hecha de toda la estructura
del polen,
De todo el viento ardiendo sobre estrellas
Impuras:
oh amor, desenredado jardín que se consume,
en ti se levantaron mis sueños y crecieron
como una levadura de panes tenebrosos.

Canto Geral XV/II – Tradução de Adriano Nunes

Amor, talvez amor indeciso, inseguro:
Somente um golpe de madressilvas na boca,
Somente umas tranças cujo mover-se subia
fez minha solidão como uma pira negra,
e tudo mais: o rio noturno, os vestígios
do firmamento, a fugaz primavera aguada,
a enlouquecida frente solitária, o desejo
levantando suas cruéis tulipas na noite.
Eu desfolhei todas constelações, ferindo-me,
Afiando os dígitos no tato de estrelas,
tecendo fio por fio a contextura fria
de um castelo sem portas,
oh estrelados amores
cujo jasmim detém sua transparência em vão,
oh nuvens que no dia do amor desembocam
como soluços entre as herbáceas hostis,
desnuda solidão amarrada a uma sombra,
a uma ferida adorada, a uma lua indômita.
Nomeia-me, disse talvez aos roseirais:
eles talvez, a sombra de confusa ambrosia,
cada tremor do mundo conhecia meus passos,
me esperava no canto mais oculto, a estátua
da árvore soberana na planície:
tudo na encruzilhada chegou a meu desvario
dissecando meu nome sobre a primavera.
E sendo assim, doce rosto, açucena queimada,
tu a que não dormiste com meu sono, bravia,
medalha perseguida por uma sombra, amada
sem nome, feita de toda a estrutura do pólen,
de todo o vento ardendo sobre estrelas impuras:
oh amor, desenredado jardim que se consome,
em ti se levantaram meus sonhos e cresceram
como uma levedura de tenebrosos pães.

In: NERUDA, Pablo. “Canto General”. Mexico: Ediciones Oceano, 1954; Canto XV (Yo Soy); II; páginas 534/535.

Adriano Nunes é um Poeta que escreve conosco em redes sociais e também diariamente em seu blog: “quefaçocomoquenãofaço”, e mais que isso, é um poeta que traz no seu ofício de escrever o amor pela linguagem, pela língua de Camões, Bandeira, Drummond, minha tua e de quem aqui estiver e por quem traduz, buscando nunca trair o poema original.

Um trabalho ferrenho, pois sabemos que a Pátria do Poeta é seu coração, e buscar isso em Neruda, Gorostiza, e tantos outros que por aqui estamos lendo, seria quase impossível, não fossem as leituras e o conhecimento da língua que habita o papel do tradutor.

Em tudo que escreve, traduz, transcreve, nota-se o zelo e a busca incessante da significação perfeita, do zelo pela forma pelo ritmo e aí, compreendemos o que nos sopra Adriano, ao seu dizer: “ame o poema”… Ao que amplio, dá-lhe vida, mas não apague as que antes nele estiveram, empreste seu coração, mas também não poupe seu conhecimento e eis sopro poético em sua melhor ecologia.

Conheçam mais de seu trabalho em suas páginas na web:
“quefaçocomoquenãofaço” e Adriano Nunes – Poeta

A imagem das postagens dos poemas traduzidos é a capa de se livro, desenho e arte do artista plástico Gal Oppido!