O Leitor Comum de Virginia Woolf, seleção, tradução e notas de Luciana Viegas, editado pela GRAPHIA, através de ensaios, comentários e críticas, aparentemente simples… E digo aparente, porque a leveza de uma escritura que , em suas entrelinhas, vai nos engravidando de idéias, sugestões, fatos, opiniões, ofício e trabalho, é Pura Criação.
Virginia Woolf, maestra fértil, além de nos torna humanos por demais humanos. Com papel, tinta e sem luvas, borra-nos feito frestas de seus olhares, para que juntos passeemos por seus pensamentos, cuja maior educação está, justamente, em tentar não classificar, menos ainda criticar. Simplesmente, busca trazer questionamentos, dentre vários capítulos, cujo final é: Como se deve ler um livro?
E para isso, temos várias respostas, várias indicações nos jornais, vários formadores de opiniões, várias listas de mais vendidos, vários preços em questões… No entanto, ela nos coloca “ … o único conselho, de fato, que uma pessoa pode dar a outra de ler é não seguir conselho algum, seguir seus próprios instintos, usar suas próprias razões, chegar às suas próprias conclusões…”
Concordar com isso, é chegar à independência que é a qualidade mais importante que um leitor pode ter, porque em cima de que, ou quem formulamos leis sobre livros?
E segue dizendo: “ admitir autoridades, mesmo austeramente engomadas e togadas, em nossas bibliotecas e deixá-las nos dizer como ler, o que ler, que valor atribuir ao que lemos, é destruir o espírito de liberdade que é o oxigênio desses santuários. Em todos os demais lugares poderemos ser constrangidos por leis e convenções – ali não… Não podemos esbanjar nossos poderes, desavisados e ignorantes, esguichando água em metade da casa para regar uma simples roseira, devemos exercitá-los… ler um romance é uma tentativa de produzir alguma coisa tão planejada e sob controle quanto um edifício, mas as palavras são mais impalpáveis do que tijolos; ler é um processo lento e mais complexo que ver e…talvez a maneira mais rápida de compreender este processo não seja ler, mas escrever…”
Portanto, seguimos acreditando junto com Virginia Woolf que enfrentar nossas próprias experiências com os perigos e dificuldades das palavras, possa gerar grandes trabalhos, biografias, romances, novelas, respostas inumeráveis a tantas indagações que nos levem a seguir traçando relações, não somente entre pessoas, mas também entre a natureza e o destino que roda entre mundos.
Pode ser uma carta, pode ser uma frase, pode ser uma crônica, pode ser uma imagem, pode ser um poema, mas ao longo deste caminho sempre estará um encontro:um desejo de aproximação pelo desejo de interromper a exploração de nuances menores do caráter humano e, onde poder seja desfrutar da mais pura ficção, poderá caber o VIVER, um caso a ser escrito por todos, ou não?
Seguimos com o Concurso Poeta Vivo, acreditando que o tempo de ler poesia é o mesmo que está habilitado a escrevê-la. O poeta é sempre nosso contemporâneo, palavra viva, trabalhador-refletor-leitor sobre a arte múltipla que, metaforicamente, desloca seu poder para nos fazer a um só tempo atores e platéia; introduzindo as mãos em personagens como se fosse uma luva podemos ser Falstaff, Lear, ou Ferreira Gullar para seguir o poder de condensar, de ampliar, de situar, de uma única vez para o sempre o que, em Vidráguas, dizemos: “Eles amaram ler” e seguem vivos, conVersando, leitores e escrevendo…
Carmen Silvia Presotto