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uma aula de literatura, Shakespeare através da música

MÚSICA
Shakespearianas
por Celso Loureiro Chaves, p.7 de Z.H de hoje, Caderno Cultural


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“Primeiro amor! Não estás acima de toda a poesia? Ou será que nesse nosso exílio mortal és aquela própria poesia da qual só Shakespeare conhecia o segredo supremo, o qual ele levou consigo…” Quem escreveu isso foi nenhum poeta, nenhum crítico literário ou comentarista da dramaturgia de Shakespeare. Foi um compositor, o francês Hector Berlioz, bem no início da sua sinfonia dramática Romeu e Julieta, talvez a melhor de todas as conjunções Shakespeare/música. No romantismo nascente daquela primeira metade do século 19, havia duas forças dominantes na música: Goethe e Shakespeare.

Mas bem que os compositores daqueles tempos poderiam dizer o que disse Jorge Luis Borges: “Há devotos de Goethe, das Eddas e do cantar tardio dos Nibelungos: Shakespeare foi o meu destino”. Goethe ficou para os germânicos e invadiu a ópera. Shakespeare se internacionalizou, também fez das suas na ópera, mas foi na música sinfônica que encontrou sua morada. Era um tempo em que os compositores estavam ensinando a orquestra sinfônica a contar histórias, e Berlioz logo mostrou como se musicava Shakespeare – com palavras e sem palavras.

Até Beethoven, que tinha Goethe nas veias, não deixou de se fascinar por Shakespeare. O seu primeiro quarteto de cordas já tem memórias de Romeu e Julieta e durante certo tempo ele cogitou uma ópera sobre Macbeth.

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ao dia mundial do Poeta e Poesia, Vidráguas!

Poeta
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Nenhum poeta deveria escrever sem que, primeiro, a tinta temperasse nos suspiros do amor.

Trabalhos de amor perdidos (1594-1595)
Ato IV – Cena III: Biron
fonte: Livro das citações, seleção Sergio Faraco, SHAKESPEARE de A a Z, L&PM POCKET

águas de Shakespeare

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As águas correm mansamente onde o leito é mais profundo.

William Shakespeare, Henrique VI – 2ª Parte – Ato III – Cena I: Suffolk

hoje, um soneto de Shakespeare

Soneto LXXIII

Em mim tu podes ver a quadra fria
Em que as folhas, já poucas ou nenhumas,
Pendem do ramo trêmulo onde havia
Outrora ninhos e gorjeio e plumas.
Em mim contemplas essa luz que apaga
Quando ao poente o dia se faz mudo
E pouco a pouco a negra noite o traga
Gêmea da morte, que cancela tudo.
Em mim tu sentes resplender o fogo
Que ardia sob as cinzas do passado
E num leito de morte expira logo
Do quanto que o nutriu ora esgotado.

Sabê-lo faz teu amor mais forte
Por quem em breve há de levar a morte.

SHAKESPEARE, William. Obra completa. Tradução de Oscar Mendes. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1995.

Sonnet LXXIII

That time of year thou mayst in me behold,
When yellow leaves, or none, or few do hang
Upon those boughs which shake against the cold,
Bare ruined choirs, where late the sweet birds sang.
In me thou seest the twilight of such day,
As after sunset fadeth in the west,
Which by and by black night doth take away,
Death’s second self that seals up all in rest.
In me thou seest the glowing of such fire,
That on the ashes of his youth doth lie,
As the death-bed, whereon it must expire,
Consumed with that which it was nourished by.

This thou perceiv’st, which makes thy love more strong,
To love that well, which thou must leave ere long.

SHAKESPEARE, William. The complete works. Edited with a glossary by W.J. Craig. London: Oxford University Press, 1957.

Fonte:http://antoniocicero.blogspot.com

todo dia é dia de livros e bardos, Shakespeare com Vidráguas desde Londres…

Todo o mundo é um palco,
e todos os homens e mulheres são simplesmente atores:
Eles têm suas entradas e saídas,
e um homem, em sua vez, representa muitos papéis
(…)
William Shakespeare

Todos já estamos carecas de saber, mas não custa repetir que William Shakespeare, geralmente considerado o maior dramaturgo dos tempos modernos, nasceu em Stratford-upon-Avon, Inglaterra no dia 23 de abril de 1564, morrendo no mesmo dia e lugar em 1616. No entanto, também sabemos que ele vivia de percorrer a Inglaterra em caravanas para difundir sua arte e poesia e que ao desembocar em Londres, fundou seu teatro de arena, uma escola verdadeira, para que seus versos e dramas não coagulassem.

E conseguiu!

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Domingo, dia 19 de abril, também dia do Índio, iniciaram as comemorações do dia mundial do Livro em vários lugares do mundo, e Vidráguas pode conferir a magia do bardo desde Londres, onde Sonetos abriram a nova temporada de sua peças no Shakespeare Globe Theatre, onde Vidráguas conseguiu um espaço para além de saltimbanco também de registro fotográfico e participação a este evento que reúne ainda muitas caravanas para ler, interpretar e recitar os Sonetos de Shakespeare. Vivas, caravanas vivas!!!

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O início do encontro, foi para comemorar o aniversário de Shakespeare, cujo evento era um encontro de despedida e reinício de nova temporada, onde a dramaturgia seguirá todo ano e pela fila já se pode saber que a arena estará lotada…

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Na comemoração de aniversário, não podia faltar cantatas, canções medievais, que entoadas a estilo nos remete à Época Elizabeteana, era de Shakespeare, ilustrada por roupas e cenários, para além de Romeu e Julieta a mais peças, já que ali, também se podia observar e aprender mais sobre a confecção de seus livros.

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Legal a seção escrevendo recados:
Escrevo uma nota de amor para uma pessoa querida, dizer que diz o quanto o amor, o interagir, a platéia era e é importante na vida deste Bardo, porque recadinhos e poemas, eram as expressões para se deixar o coração junto a mais versos e assim poder seguir conversando.

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Imaginem que por minutos, muda o Cenário e chega-se a Tróia. Sim, meus senhores uma encenação e uma aula sobre Tróia, onde mais uma vez percebemos que nada se cria, todo se transforma e que os Clássicos amam os clássicos e lêem e repetem e ensinam. Então, neste dia, pode se dizer que Homero esteve com Shakespeare e quem ganha é a tragédia, pois na encenação Helena segue tendo um papel de mercadoria, porém mais simbólica, porque o corpo do combate estava atravessado por sua memória em palavras…
E imaginem mais, saibam vocês que as mulheres eram melhores lutadoras que os homens em Tróia, segundo a lenda contada hoje?!

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Bem, depois desta viagem de ir e vir, chega-se ao Batendo Recorde, cujo mote e trabalho era bater o recorde mundial de maior números de pessoas a declamar Sonetos de Shakespeare. E isso foi durante o dia todo… Assim que souber o resultado passaremos!!!

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Vidráguas participou, acompanhem:

XXIX

When in disgrace with fortune and men’s eyes
I all alone beweep my outcast state,
And trouble deaf heaven with my bootless cries,
And look upon myself, and curse my fate,
Wishing me like to one more rich in hope,
Featured like him, like him with friends possessed,
Desiring this man’s art, and that man’s scope,
With what I most enjoy contented least;
Yet in these thoughts my self almost despising,
Haply I think on thee, and then my state,
Like to the lark at break of day arising
From sullen earth, sings hymns at heaven’s gate;
For thy sweet love remembered such wealth brings
That then I scorn to change my state with kings.

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Logo e junto a tanta poesia, memória e vivência foi possível saber mais das roupas de teatro da Época Elisabetana, onde anáguas, corseletes e muitos panos tiraram de baixo dos panos o jogo do poder. Corseletes amarrados atrás era para quem tinha dinheiro. Na frente, eram para as próprias amas que tinham pouco tempo à amarrações, assim como colocar almofadas na bunda, podia pesar mais, dar um caminhar mais vagaroso, calmo, ritmado e contrabalanceado pelo peso o que distinguia quem o tivesse como sinônimo de aBUNDÂNcia.

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Depois da roupas chega-se a mais atuações e como se fossem Shakespeare os atores e participantes que ali estiveram, tiveram que interagir, implicar-se, porque essa era a diversão da tragédia, sentir- nos calos dos outros, para rir, chorar, amar… A esses atos, chamaram os Insultos! que, se formos ao pé da letra, mostra o quanto a implicância é importante na Tragédia desde os Gregos à Shakespeare. Sim, e isso até a Rainha Elizabeth proclamava, indo ao Teatro como uma cidadã dos Comuns.

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Então neste dia, mais do que mostrar o texto, o mais importante foi a vivência Shakesperiana e poder compartilhar isto nos dia de hoje é algo rico, muito rico, porque além de aprendermos como era composto um soneto, com 14 versos, também se pode recitar o que se escrevera e quem não tinha o soneto, recebia ajuda para isso.

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E quem não quisesse conversar, poderia colocar fones de ouvido e Escutar Shakespeare.

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Fazer muito barulho por nada, por todos com rolos na cabeça e por fim, dar adeus ao dia e passar pelo Portão de Rosas, um teto unindo céus e terras a mais leitores, a mais memórias, a mais cultura a esta OBRA VIVO e ABERTA que é William Shakespeare.

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Vidráguas a quatro mãos, 21 de abril de 2009, desde Londres a Porto Alegre-Brasil.

Texto: Carmen Silvia Presotto
Fotos: Ricardo Hegenbart

Para saber mais:

Leiam Por que Ler Shakespeare de Barbara Heliodora e também suas Outras Obras Traduzidas. E também assistam o filme Shakespeare Apaixonado entre tantos outros.